Governo Ratinho Jr. prometeu, mas não entrega uniformes para estudantes de colégios militarizados APP-Sindicato

Governo Ratinho Jr. prometeu, mas não entrega uniformes para estudantes de colégios militarizados

Mãe diz que terá que pagar pelo menos mil reais para comprar uniformes exigidos para os dois filhos

Foto: SEED

Pais e mães de estudantes de colégios militarizados no final de 2023 estão se sentindo enganados(as) pelo governo Ratinho Jr, que não entregou os uniformes escolares prometidos na propaganda do modelo. 

Em contato com a APP, uma mãe disse que está preocupada com a situação, pois a escola em que os filhos estudam exige uniforme completo, o que vai obrigar a família a ter gastos que não está preparada para assumir. 

Franciele Aparecida Alves tem dois garotos matriculados na Escola Estadual Milton Carneiro, em Curitiba, e diz que terá que gastar cerca de mil reais para comprar os uniformes exigidos pela escola e não entregues pelo governador.

O uniforme é composto por calça, camiseta e uma jaqueta. “O governo enganou todos nós sobre o uniforme. Primeiro eles iam entregar no começo do ano. Não entregaram e jogaram a previsão de entrega para julho, se não houver imprevisto. Como a gente sabe que sempre tem um imprevisto, as crianças devem ficar sem receber os uniformes”, diz Franciele. 

No facebook, a escola publicou um comunicado informando que o “uniforme está disponível em várias lojas”.

Após a aprovação da militarização, as mudanças na escola foram feitas sem sequer serem anunciadas aos pais e responsáveis, aponta Franciele. “Não fizeram nem a reunião que ficaram de fazer com a gente para conversar sobre tudo o que seria mudado na escola”, afirma.

Transferências

As mudanças implementadas com a militarização e a falta de uniformes obrigam Franciele a tentar mudar os filhos de escola. “Eu estou tentando vaga para meus filhos em colégio que não seja cívico-militar e não estou conseguindo, porque a demanda tem sido muito grande”, conta. 

Franciele sente que caiu numa armadilha, de onde está difícil sair. Sem conseguir transferir os filhos, ela terá que gastar os mil reais para que eles continuem estudando. “Eu vou ter que comprar seis peças, pois tenho duas crianças e são três para cada um”, lamenta.

Franciele pesquisou preços e constatou que a camiseta custa de 30 a 40 reais e a calça, de 100 a 120 reais. “Para os dois, a gente calcula uma base de mil reais, porque a jaqueta não é barata, pois não é uma jaqueta simples”, afirma.

Além dos gastos com uniformes, a família teve aumento de despesa também com a lista de materiais, que aumentou muito após a militarização, segundo ela. “Não é justo a gente gastar tudo isso se eles não estão cumprindo o que prometeram”, diz Franciele.

Redes

Antes do início das aulas, a direção da escola publicou mensagem na página do colégio no Facebook. “Boa noite! Uniforme Cívico Militar do estado sendo vendido em várias lojas. O Governo do Estado vai doar o Uniforme, porém não temos data prevista pra receber o mesmo”, diz o post.

A página do colégio no Facebook não mostra nenhum avanço pedagógico implantado após a militarização. Os posts são sobre alunos batendo continência para professores(as) e entoando gritos de guerra na quadra esportiva.   

Num dos posts, a prestação de continência ao professor é mostrada como um grande avanço trazido pela militarização. “Apresentação da turma ao professor. Ocorre em todas as trocas de professores. MILTON CARNEIRO Sempre melhorando”.

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