Governo Ratinho Jr demite, covardemente, funcionários(as) de escola em plena pandemia

Governo Ratinho Jr demite, covardemente, funcionários(as) de escola em plena pandemia

Apenas os contratos dos(as) PSS dos Núcleos Regionais de Cascavel, Foz do Iguaçu, Loanda, Londrina, Maringá e Umuarama serão renovados, por mais um mês

Foto: Geraldo Bubniak/AEN

A APP-Sindicato confirmou junto à Secretaria da Educação nesta sexta-feira (30) que apenas 1.400 contratos de funcionários(as) de escola dos Núcleos Regionais de Cascavel, Foz do Iguaçu, Loanda, Londrina, Maringá e Umuarama serão renovados por mais um mês, diante da incapacidade das empresas terceirizadas assumirem os trabalhos realizados por eles já no mês de maio. Os(as) demais 8.300 servidores(as) PSS estão demitidos a partir de hoje. Uma pequena parte deles(as) será contratada pelas empresas terceirizadas, mas a maioria vai ficar sem trabalho e renda em plena pandemia. Uma “cortesia” para milhares de educadores(as) que se dedicam há anos às escolas do Paraná, trabalhando na cozinha, na limpeza ou na secretaria. A APP-Sindicato reafirma sua luta Pela revogação da Lei da Terceirização e pela realização de concurso público para esses cargos.

Os contratos dos(as) funcionários(as) PSS dos seis núcleos será estendido até 31 de maio. Nos demais 26 Núcleos Regionais de Educação e nos Colégios Agrícolas e Florestal, o caminho oferecido pelo governador Ratinho aos servidores(as) PSS é o da demissão. Vale destacar que as empresas que vão assumir as escolas de Loanda, Umuarama e Londrina ainda não assinaram o contrato com o Estado.

Em Foz, Maringá e Cascavel, as empresas não têm o número suficiente de funcionários para cumprir o contrato com o Governo. “Nós repudiamos esta desorganização e falta de informações. Isso mostrando o desrespeito com que a SEED e o governo Ratinho tratam os(as) funcionários(as) PSS e também as direções das escolas, que ficam sem saber como organizar o trabalho”, afirma Nádia Brixner, secretária de Funcionários(as) da APP-Sindicato.

A covardia do Governo Ratinho Jr com os(as) trabalhadores(as) PSS demitidos(as) foi destacada pelo presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, no ato em Curitiba que marcou os seis anos do Massacre do Centro Cívico, dia 29 de abril.  Ele lembrou que há exatamente um ano foi aprovada por maioria na Assembleia Legislativa a lei que permitiu terceirizar os trabalhos realizados nas escolas pelos(as) agentes educacionais 1 e 2, entregando lucro fácil para as empresas privadas que vão assumir esses serviços. A promessa inicial era que as empresas recontratariam os funcionários(as), mas não é o que está acontecendo com a maioria  deles(as). “As empresas que estão vindo abocanhar o dinheiro público não estão contratando o pessoal de mais idade, descartando pessoas que há 16 anos trabalham na merenda, na limpeza, na secretaria, na biblioteca”, disse Leão.

A opção do Governo Ratinho Jr pela “gestão empresairal” transformou a Seed numa fábrica de infelicidade humana, com ataques constantes a direitos, desrespeito aos(as) profissionais da educação, cobranças desnecessárias, instrumentalizando indivíduos que passam a ser tratados apenas como recursos humanos descartáveis. Esses “gestores” dizem administrar, mas na verdade, agem apenas em defesa dos interesses dos poderosos, a quem entregam o dinheiro público, e não do povo que dizem representar.

O Paraná tem uma tradição de secretários da Educação com conhecimento na área da Educação. Essa tradição foi rompida com a nomeação de Renato Feder por Ratinho Jr. Desde o início, Feder mostrou seu desapreço pela Educação, tratando de implantar o conflito como técnica administrativa, criando situações paradoxais que colocam o indivíduo em estado de tensão permanente, gerando mal estar no trabalho e na vida. São situações em si contraditórias, como autonomia controlada, que geram tensão e causam sofrimento humano, uma especialidade de Renato Feder.

As “ferramentas de gestão” do secretário da Educação, baseadas em “metas” e “projetos”, estabelecem expectativas de desempenho irreais e depois culpam as pessoas por não alcançá-las. Com isso, o evidente conflito social e político é internalizado no âmbito psicológico dos(as) trabalhadores(as) que, fragilizados(as) precisam buscar soluções individuais e não coletivas, para seu sofrimento.

Apresentadas como instrumentos para modernização do Estado, as medidas de Renato Feder na área da Educação tem apenas transferido recursos públicos para a iniciativa privada e  colocado os(as) educadores(as) em dificuldades. Até as novas tecnologias, que seriam um fator libertador na educação, são usadas para pressionar professores(as) da rede pública estadual, colocados(as) sob forte pressão psicológica, com por exemplo, a imposição de que as aulas remotas só serão validadas se realizadas pelo GoogleMeet e com todos(as) os(as) professores(as) e estudantes com as câmeras abertas.