Governo inicia consulta em mais 28 escolas na tentativa de ampliar militarização APP-Sindicato

Governo inicia consulta em mais 28 escolas na tentativa de ampliar militarização

Novas votações acontecem após 44 escolas terem rejeitado a mudança em processo realizado nos dias 28 e 29 de novembro

Foto: APP-Sindicato

Começa nesta segunda-feira (11) uma nova rodada de consultas à comunidade para a possível implantação do programa de colégios cívico-militares em 28 escolas públicas da rede estadual (veja o cronograma no final da matéria). A iniciativa do governo Ratinho Jr. ataca a gestão democrática e impõe um modelo instrumentalizado pela ideologia militar.

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O processo acontece após 44 escolas terem rejeitado a mudança em votações realizadas nos dias 28 e 29 de novembro deste ano. Na ocasião, a consulta incluiu 127 escolas. Como amplamente divulgado e documentado pela APP-Sindicato, o procedimento foi marcado pela condução autoritária, sem prazo para o debate nem espaço para o contraditório. 

A APP e seus Núcleos Sindicais seguem orientando e mobilizando a sociedade para barrar o avanço da militarização de escolas no Paraná. Ao contrário da propaganda do governo, não existe qualquer evidência que comprove a eficiência do modelo.

Pelo contrário, as escolas cívico-militares se notabilizaram por graves episódios de violência contra menores, abuso de autoridade e corrosão da gestão democrática. Trata-se de um modelo falido, ultrapassado e cuja única sustentação é ideológica.

O programa foi adotado em cerca de 200 escolas estaduais no primeiro mandato do governo Ratinho Jr.. Anunciados como se fossem uma fórmula mágica para melhoria da educação, todos os colégios cívico-militares implantados na rede estadual apresentam resultados no Ideb inferiores ao de dezenas de escolas com gestão democrática. 

 

No ranking das 30 escolas com maior nota no ensino médio no Paraná, por exemplo, nenhuma é cívico-militar. Análise de dados do MEC também mostra que escola militarizada melhor colocada registrava maior ritmo de crescimento no desempenho dos(as) estudantes quando tinha a gestão democrática.

>> Saiba mais: Reportagem do Plural escancara farsa do Ideb de escolas cívico-militares

Retrocesso

Os dados oficiais confirmam que o que de fato melhora a qualidade do ensino e a segurança do ambiente escolar é o investimento nos(as) professores(as) e funcionários(as) e na infraestrutura das escolas. Mas o programa do governador Ratinho Jr. caminha exatamente na direção contrária.

Caso a comunidade vote pela mudança, o governo contrata policiais aposentados, sem concurso público e qualquer formação para trabalhar com crianças e adolescentes, e paga a cada um R$ 5,5 mil por mês. A estimativa é de um gasto na ordem de R$ 40 milhões por ano, dinheiro que sai da verba da educação para engordar a remuneração de militares aposentados.

A implantação do cívico-militar também impõe o fim da oferta de ensino noturno, da Educação de Jovens e Adultos e dos cursos técnicos, dificultando ainda mais o acesso dessa população, formada por jovens, trabalhadores(as), adultos e idosos(as), à educação.

A direção deixa de ser eleita pela comunidade e passa a ser indicada pelo governo. Estudantes devem aderir a normas arbitrárias, como cortes de cabelo específicos e outras proibições.

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Cronograma

Conforme os editais publicados pela Secretaria da Educação (Seed), a votação dos próximos dias acontece nas escolas selecionadas em 21 municípios do estado. Nos dias 11 e 12 de dezembro será em Serranópolis do Iguaçu (CE Presidente Kenedy) e Terra Rica (CE Santo Inácio de Loyola). 

No dias 14 e 15 em escolas nos municípios de Alto Paraná (Agostinho Stefanello, E E-Ef), Arapongas (Julia Wanderley, E E Profa-Ef), Campo Magro (Emilia Buzato, C E-Ef M Profis), Almirante Tamandaré (Rosa F Johnson, EE Profa-Ef), Rondon (Castro Alves, C E-Em Profis), Curitiba (Dirce C do Amaral, C E Profa-Ef M Profis), Salto do Lontra (Jorge de Lima, E E-Ef), Guarapuava (Leni Marlene Jacob, C E Profa-Ef M Prof), Manoel Ribas (Nereu Ramos, E E-Ef), São Pedro do Ivaí (Vicente Machado, C E C-Ef M), Diamante do Sul (Osório Duque Estrada, C E-Ef M), Londrina (João Rodrigues da Silva, C E Prof-Ef M, Lauro G da V Pessoa, E E Prof-Ef, Newton Guimarães, C E Prof-Ef M, Rio Branco, C E Bar Do-Ef M), Santa Fé (Cecília Meireles, E E-Ef), Paranaguá (Roque Vernalha, E E Dr-Ef, Vidal Vanhoni, C E Prof-Ef M), Ponta Grossa (Osorio, C E Gal-Ef M), Telêmaco Borba (ardim Alegre, C E-Ef M Profis), Imbaú (Tancredo Neves, C E Pres-Ef M Profis), Santa Helena (Graciliano ramos, E E-Ef) e Toledo (João Arnaldo Ritt, C E-Ef M).

Em Piraquara (CE Vila Macedo), Terra Boa (CE Professor Leo Kohler) e Foz do Iguaçu (CE Carlos Drummond de Andrade) o processo está agendado para os dias 15 e 18. 

Vote não!

O voto é secreto, em urna e facultativo. Se não houver quórum (50% + 1 dos aptos a votar), haverá nova votação no dia seguinte.

Podem votar apenas os integrantes da comunidade escolar das escolas selecionadas, no caso os(as) professores(as) e funcionários(as), responsáveis dos(as) estudantes e estudantes com idade a partir de 16 anos.

A votação é das 8h às 22h, na própria escola de matrícula ou lotação.

Não aceite coação ou ameaças. É permitido fazer campanha e dialogar com a comunidade no dia da votação. Em caso de qualquer tentantiva de impedimento, registre com imagens e denuncie neste formulário https://appsindicato.org.br/denuncia ou pelo Whats (41) 9249-2328 .

Acesse e compartilhe conteúdos contra a militarização: https://appsindicato.org.br/materiaisccm 

Escola Não é Quartel: 7 motivos para dizer não às escolas cívico-militares

 

 

 

 

 

 

 

 

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