Governo do Paraná irá colocar vida de milhões em risco com retorno presencial das aulas

Sem debater com Educadores(as) estudantes ou comunidade escolar, o governo Ratinho tenta novamente retornar às atividades presenciais, mesmo diante de opiniões contrárias

Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná

Na manhã desta terça-feira (6), o governo Ratinho(PSD) sinalizou para o retorno das atividades presenciais ainda em outubro. Em uma audiência na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o secretário de Saúde, Beto Preto, afirmou que o governo pretende retornar com as aulas presenciais a partir do dia 19 de outubro, com retorno gradual, além de um rodízio. A APP-Sindicato, que já se posicionou contra o retorno, cobra uma reunião com a Seed. 

A direção estadual do Sindicato aponta que Ratinho adota um estilo de comunicação de viés autoritário, o qual sem debater com Professores(as), Funcionários(as) de Escola, estudantes e comunidades escolares, dispara em veículos de comunicação decisões ou projetos já elaborados. 

“O governo não fez o diálogo sobre esse tema da educação durante e também pós-pandemia. Entendemos que neste momento não é adequado se falar em retomada de aulas presenciais, ainda que seja com esses protocolos de rodízio de estudantes. Não estão dadas as condições mínimas para que de fato, haja qualquer movimentação de retorno”, explica o presidente da APP-Sindicato, Professor Hermes Leão.

O anúncio do governo Ratinho contraria a movimentação nacional, onde estados continuam mantendo atividades não presenciais, evitando a aglomeração nas instituições de ensino. No Mato Grosso do Sul, o governador já anunciou que as aulas não retornam neste ano e em Minas Gerais Tribunal de Justiça do Estado (TJMG) concedeu uma liminar anulando o retorno presencial das aulas

Alta taxa de contágio amedronta pais e mães

Em resposta a uma pesquisa do jornal Gazeta do Povo com a questão “Você é a favor da volta às aulas presenciais ainda este ano?”, cerca de 80% dos votos apontaram para a opção “Não, as aulas presenciais devem voltar só em 2021. Na ocasião, o portal sofreu um ataque digital com cerca de 27 mil votos fraudados pelo uso de e-mails falsos. O site da empresa jornalística divulgou a informação e corrigiu o resultado do questionário na manhã da última sexta-feira (2). 

Por conta da alta taxa de infecção do Coronavírus (COVID-19), instituições como a Organização Mundial de Saúde recomenda que os governos evitem a aglomeração, já que além dos(as) estudantes, Professores(as) Funcionários(as) de escola, pais e avós (principal grupo de risco), possam ser infectados. “O governo precisa ouvir a categoria, ouvir os(as) estudantes e ouvir os(as) familiares, isso é muito importante. É preciso suspender medidas e qualquer cogitação de retomada de atividades em um quadro ainda grave de pandemia”, enfatiza Hermes Leão.

É grave! É greve!

Durante a assembleia da categoria, professores(as) e funcionários(as) de escola da rede estadual e das redes de 209 municípios do Paraná aprovaram a realização de “greve em defesa da vida”, contra a retomada das aulas presenciais durante a pandemia do novo coronavírus caso o governo confirme a convocação.

O Professor Hermes Silva Leão destaca ainda que a paralisação será desencadeada caso o governo decida pelo retorno das aulas nas escolas em 2020. “A categoria está mobilizada e não aceitará qualquer imposição que coloque em risco à vida tanto dos estudantes e seus familiares, quanto dos profissionais que trabalham nas escolas”, disse.


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