Gestão Feder provoca reprovações em massa e esvaziamento da EJA

APP-Sindicato já havia denunciado que mudanças impostas trariam problemas e exige a volta da oferta de ensino flexível

Gestão Feder provoca reprovações em massa e esvaziamento da EJA - Foto: Divulgação

As denúncias feitas pela APP-Sindicato contra o novo modelo imposto pelo empresário Renato Feder, secretário da Educação para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) se confirmaram. Ao final do primeiro semestre deste ano, as informações são de cancelamentos de matrículas, desistências e reprovações em massa de estudantes. Com a alegação de tentar resolver o problema, a Secretaria da Educação e do Esporte (Seed) está agravando ainda mais a situação ao impor processos de reclassificação e aproveitamento de estudos.

Até o final de 2019, estudantes da EJA tinham a opção de se matricular por disciplinas individuais e frequentar as aulas respeitando seu ritmo de aprendizado e disponibilidade de dias e horários. Mas, a partir deste ano, sem ouvir a comunidade escolar, a Seed acabou com essa prática flexível, obrigando o(a) estudante se adaptar a oferta de ensino por blocos, cada um com quatro disciplinas, semelhante ao ensino regular, onde a frequência precisa ser diária.

De acordo com a secretária Educacional da APP-Sindicato, professora Taís Mendes, com essa mudança, muitos(as) estudantes da modalidade não conseguiram se adequar às novas regras e foram reprovados(as) por falta, pelo sistema. “Nós denunciamos que a proposta da Seed causaria reprovação das pessoas que não conseguem estudar neste modelo imposto. Fomos ao Ministério Público, ao Conselho Estadual de Educação, e está acontecendo”, disse a dirigente.

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Assista ao vídeo com denúncias apresentadas por estudantes da EJA ao Ministério Público.

 

De acordo com as orientações divulgadas pela Seed, com a alegação de tentativa de resolver o problema das matrículas, as escolas deverão aplicar provas de reclassificação para enquadrar os(as) estudantes na nova sistemática. Para a APP-Sindicato, as ações só vão agravar a situação, contribuindo para o encolhimento da modalidade e o agravamento dos índices de analfabetismo, com risco grave de desemprego.

Segundo Taís, a forma correta de adotar a reclassificação é quando o professor e a equipe pedagógica da escola verificam a condição do(a) estudante, ao contrário da maneira como a Seed está determinando, para todos(as). Pela proposta do governo, após fazer uma prova com 40 questões, o(a) estudante que não concluiu a fase do Ensino Fundamental da EJA poderá ser matriculado no Ensino Médio da modalidade.

“Isso tira a autonomia do professor e da escola de avaliar se o estudante tem condições de fazer essa reclassificação e mostra que o governo não está preocupado com a qualidade da educação,” afirma Taís. A dirigente considera as orientações da Seed como aligeiramento e negação do direito de acesso à educação. Pelas determinações, estudantes com idade inferior a 18 anos também serão retirados da EJA e matriculados no ensino regular.

“Nada disso vai funcionar para atender os estudantes da EJA e oferecer educação com qualidade. A Seed precisa garantir a oferta do sistema flexível e por disciplinas individuais, pois é o que atende a realidade de muitas pessoas que trabalham em turnos diferenciados, por exemplo, que não tem condição de ir na escola todos os dias, e também às pessoas que não conseguem acompanhar cinco disciplinas ao mesmo tempo, como é exigido no sistema por blocos”, disse Taís.

De acordo com a dirigente, que é integrante do Conselho Estadual de Educação, a APP-Sindicato está debatendo o tema com o Conselho e com a Secretaria da Educação, cobrando a revisão das orientações divulgadas e que seja assegurada a modalidade de ensino flexível para os(as) estudantes da educação de jovens e adultos.