Gasto com pessoal é o menor em 10 anos e derruba alegação do governo

Com salários congelados há três anos, funcionalismo estadual vai fazer greve no dia 29 de abril para exigir o pagamento da data-base

Foto: APP-Sindicato

Os servidores públicos do Paraná vão fazer greve no dia 29 de abril para cobrar do governo o pagamento da reposição da inflação. Com os salários congelados desde 2016, os prejuízos da categoria já passam de 16%. O movimento foi desencadeado após declarações do governador, Ratinho Junior (PSD), sinalizando a intenção de não cumprir a legislação que determina o pagamento no dia 1º de maio.

A administração estadual alega dificuldade financeira, mas os números revelam que Ratinho recebeu a gestão com o menor percentual de gasto com pessoal dos últimos 10 anos. De acordo com o economista Cid Cordeiro Silva, a folha de pagamento dos servidores encerrou 2018 com índice de 44,56% em relação a receita corrente líquida. Em 2009 o índice era de 45,11%, chegou a 48,77% em 2013 e, desde então, vem caindo sucessivamente. As informações têm como base relatório fiscal da Secretaria da Fazenda.

O presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, destacou que os estudos econômicos mostram que o Estado tem condições legais e financeiras para pagar a reposição. Ele lamentou que o governo esteja repetindo o discurso de terrorismo fiscal utilizado pelo seu antecessor, Beto Richa (PSDB), e criticou a postura do chefe do Executivo. “Essa atitude do governador, de falar sobre a data-base sem antes debater com os servidores é um desrespeito e uma contradição à valorização e o respeito que ele mesmo prometeu”, disse.

O principal ato público do dia de paralisação será em Curitiba. Caravanas com servidores de todo o estado vão se reunir às 9h na Praça Santos Andrade. De lá, seguirão em caminhada pelas ruas da capital até o Palácio Iguaçu, sede do Executivo. “Nem estamos pedindo aumento real. Os(as) trabalhadores(as) não aguentam mais essa situação e, por isso, vamos continuar pressionando o governo”, avisou Hermes.

Em campanha, Ratinho prometeu

Em 2018, durante o período eleitoral, Ratinho Junior confrontou o governo estadual ao exigir o pagamento da data-base. Em suas declarações, sempre afirmava que o funcionalismo “já se sacrificou demais” e que o Estado tinha condições financeiras.

Em uma de suas ações, criticou o aumento de 16% na conta de luz e lembrou que essa decisão aumentou a arrecadação com ICMS. Em outra frente, liderou a bancada do seu partido na Assembleia Legislativa para alterar de 1% para 2,64% o percentual do reajuste previsto em projeto de lei enviado pela governadora Cida Borghetti (PP).

Questionado sobre o tema nos debates eleitorais, Ratinho prometeu pagar a data-base. Disse ainda que sua relação com os servidores seria de respeito, diálogo e que uma das primeiras ações do seu governo seria sentar com os dirigentes sindicais para planejar o reajuste a ser concedido nos quatro anos do seu mandato. Para os representantes dos servidores, até o momento o governador não cumpriu nenhuma das promessas.

Dia de luta e luto

O dia 29 de abril se tornou uma data simbólica na luta dos(as) trabalhadores(as) da educação no Paraná. Nesta data, em 2015, centenas de professores(as) e funcionários(as) de escola, que participavam de uma manifestação contra a retirada de direitos, ficaram feridos após serem alvejados pela polícia com bombas de gás e balas de borrachas. A ação foi ordenada pelo ex-governador Beto Richa (PSDB) e ficou conhecida mundialmente como Massacre do Centro Cívico.