Funcionário de escola infectado com covid-19 faz apelo: fechem as escolas

Pai do trabalhador morreu de covid-19 e irmã, também funcionária de escola, está na UTI devido a doença

Frenando está com covid-19 e respira com auxílio de oxigênio - Foto: Divulgação

Infectado com o novo coronavírus e respirando com auxílio de oxigênio, o funcionário de escola, Fernando Basto de Oliveira, gravou um vídeo emocionante para fazer um apelo aos(às) seus(suas) colegas de trabalho. “Fechem as escolas. É um vírus muito contagioso. Ele vai acabar com nossas famílias. Por favor, fechem!”

O educador conta que foi internado na última segunda-feira (6). Em seu relato ele acrescenta que no dia anterior seu pai faleceu e sua irmã, que também é funcionária de escola, foi internada na UTI, ambos em decorrência de covid-19. Oliveira tem 37 anos e trabalha em um colégio da periferia de Curitiba. Assista ao vídeo abaixo.

O drama na vida e na família do Fernando já era anunciado, porque o governo Ratinho Junior continua contribuindo para o avanço do número de casos de covid-19 entre professores(as) e funcionários(as) de escola da rede pública estadual. O empresário Renato Feder, secretário da Educação, tem mantido as escolas abertas, mesmo as unidades não sendo classificadas pelos decretos da pandemia do novo coronavírus como de atividade essencial.

Desde o início das medidas de isolamento social, diretores(as), pedagogos(as) e funcionários(as) são obrigados a dar expediente nas escolas para a entrega de alimentos à famílias de baixa renda e materiais impressos para estudantes que não têm acesso a internet.

Relatos e denúncias recebidas pela APP-Sindicato são de que essas atividades têm provocado aglomerações. O sindicato estima que mais de 40 mil trabalhadores(as) estão sendo expostos a essa situação de risco, diariamente.

De acordo com a secretária de Funcionários(as) de Escola da APP-Sindicato, Nádia Brixner, a entidade tem denunciado o governo e atuado em todas as frentes possíveis para defender a vida dos(as) profissionais da educação e a manutenção de todos os seus direitos e remuneração.

Nádia destaca que o sindicato já pediu e cobrou o cumprimento do decreto estadual que determina o fechamento das escolas públicas e privadas, testagem de covid-19 gratuita para todos(as) os trabalhadores(as) da educação e a publicação, equipamentos de proteção individual e um protocolo para os casos em que há infecção pelo vírus no ambiente escolar.

“A prioridade é a vida. Nós defendemos a manutenção do vínculo da escola com a comunidade e a reorganização do calendário escolar, mas sem que isso coloque em risco a vida das pessoas. Também não aceitamos a retirada de direitos”, disse Nádia.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em informe emitido nesta terça-feira (7), o Paraná já registrou 33.939 diagnósticos positivos e 837 mortes pela covid-19. Atualmente, 373 cidades paranaenses têm ao menos um caso confirmado da doença e há óbitos em 164 municípios.

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