Funcionárias de escola terceirizadas denunciam salários abaixo do mínimo nacional e contratos obscuros

Funcionárias de escola terceirizadas denunciam salários abaixo do mínimo nacional e contratos obscuros

Além de problemas nas contratações, os(as) funcionários(as) apontam problemas com desvio de funções e desrespeito com trabalhadores(as)

Após Ratinho Jr dar início à farra das terceirizadas, empresas sem compromisso com a educação pública paranaense estão lucrando valores estrondosos às custas de trabalhadores(as) cada vez mais precarizados(as). 

Em Araucária, funcionários(as) de escola apontam contratos obscuros, desvio de funções e desrespeito com trabalhadores(as), além de salários inferiores ao mínimo nacional.

Cecília* conta que a empresa Tecnolimp demitiu todos(as) os(as) trabalhadores(as) para que uma nova terceirizada fizesse a recontratação, a Pontual Serviços Terceirizados. Segundo uma tabela enviada pela direção da escola, o salário dela será reduzido de R$ 1.378 para R$ 1.199.

O salário mínimo nacional é, hoje, de R$ 1.212,00.

A funcionária relatou que, ao assinar o admissional, o nome da nova empresa nem sequer foi divulgado.

“Ao chegarmos na Tecnolimp, nos informaram que, além do demissional, teríamos que assinar o admissional da outra empresa, sem nos dar nenhuma explicação. Na nossa inocência, assinamos sem ao menos ler e nem questionar. Dois dias depois nos enviaram uma tabela salarial”, explica a trabalhadora. 

Confira na tabela:

Já a Tecnolimp, além de demitir os(as) contratados(as), quebrou com a própria política de adicional, que seria paga como bônus de assiduidade. Dos 11 meses na empresa, os trabalhadores(as) relataram receber o adicional apenas três vezes, mesmo sem apresentar atestado ou falta.

“Também vamos ficar sem férias, pois o contrato se encerrou antes dos 12 meses. Estamos trabalhando sem saber como será nessa nova empresa, pagamento, vale, não nos foi repassada nenhuma informação”, completa Cecília.

Segundo a Funcionária, a Seed lavou as mãos e informou que não pode fazer nada, mesmo sendo responsáveis por fiscalizar as terceirizadas. 

Já a terceirizada, em claro assédio moral aos trabalhadores(as), reafirma que “quem não está satisfeito pode pedir as contas”, apostando no medo do desemprego para empurrar condições precárias de trabalho.

Conforme já denunciamos anteriormente, os(as) funcionários(as) terceirizados(as) sofrem com atrasos no pagamento e jornadas exaustivas, além da falta de profissionais para atender a demanda nas escolas. 

A posição da APP é clara: Ratinho Jr precisa rever a política de terceirizações, além de abrir concurso público para a função, pois só assim estes trabalhadores(as) serão valorizados como merecem.

“Ninguém pode ganhar menos de um salário mínimo, salvo se a jornada for inferior. Pagamento com valores de vales não são incorporados ao salário. Por isso temos que lutar por concurso público”, enfatiza a secretária de Funcionários de Escola, Elizabete Dantas.

* O nome da trabalhadora foi mantido em anonimato para evitar represálias


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