Fracasso da reforma educacional nos EUA acende sinal de alerta para o projeto de Ratinho Jr no Paraná

Fracasso da reforma educacional nos EUA acende sinal de alerta para o projeto de Ratinho Jr no Paraná

“Modelo drena verbas das escolas públicas tradicionais sem melhorar os resultados educacionais e ainda aumenta a desigualdade”, constata Jeferson de Souza, professor da rede pública estadual

Foto: Altvista / APP-Sindicato

O Paraná segue a passos largos o mesmo caminho que levou a educação nos EUA ao colapso. A reforma educacional implementada lá nos anos 90 derrubou o desempenho dos estudantes, como mostram os resultados do Naep – National Assessment of Educational Progress, equivalente ao Saeb – Sistema de Avaliação da Educação Básica brasileiro. “Esse modelo drena verbas das escolas públicas tradicionais sem, contudo, melhorar os resultados educacionais”, constata Jeferson de Souza, professor da rede pública estadual paranaense.

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Já são três quedas consecutivas em todas as áreas avaliadas pelo Naep, aponta Souza. Boa parte desse retrocesso pode ser explicada pela reforma educacional implantada nos EUA a partir dos anos 1990, as mesmas impostas por Ratinho Jr no Paraná: plataformização, militarização e ênfase na educação privada com financiamento público, como o modelo de “escolas charter”, chamadas de “parceiras” no Paraná.

Os resultados do Institute of Education Sciences (IES), equivalente ao INEP no Brasil, divulgados em setembro e relativos a 2024, revelam que as notas caíram mais entre os alunos de menor desempenho, o que aponta para um aumento induzido da desigualdade educacional, além do aumento do hiato no desempenho entre gêneros e grupos raciais.

Outro dado do IES revela a ineficiência do modelo privatista: embora o custo por aluno seja maior nas “escolas-charter”, o gasto médio com salários dos educadores é menor. Isso indica que os recursos adicionais não estão sendo investidos na qualidade do ensino ou na valorização dos profissionais, mas sim direcionados para outras finalidades, como lucro das empresas contratadas.

 “Diante desse cenário, é essencial que a sociedade paranaense se mobilize para conter a marcha da educação em direção ao abismo. É urgente combater políticas que; ao mesmo tempo que propagandeiam, por meio de uma máquina de desinformação, a educação paranaense como ‘a melhor educação do Brasil’; aniquilam décadas de esforços por uma educação pública, democrática, igualitária e de qualidade”, afirma Souza.

 A opção de Ratinho Jr pelo modelo norte-americano impôs números alarmantes no Paraná. Já são 312 escolas militarizadas e 82 terceirizadas. “Em todas as escolas, os estudantes passam boa parte do tempo em frente a telas, acessando plataformas educacionais digitais de propriedade de grandes grupos privados, soluções que custam milhões, drenam recursos de áreas essenciais e minam a qualidade do ensino”, observa o professor.

“A validação da propaganda de ‘melhor educação do Brasil’ por meio de índices fraudados pode fazer com que o modelo paranaense seja erroneamente tomado como referência, espalhando assim políticas desastrosas por todo o país”, alerta Souza.

 “A catástrofe do Saeb norte-americano não é uma metáfora distante, mas um retrato do futuro que aguarda a educação brasileira se o modelo paranaense for exportado para o resto do país”, completa. A ampliação do modelo neo-liberal implementada de forma autoritária pelo governo Ratinho, favorece a manipulação para inflar artificialmente os resultados nos testes padronizados, com a exclusão seletiva de estudantes, treinamento intensivo da população-alvo, recompensas por desempenho, estreitamento do currículo e sobreinvestimento nas turmas que fazem os testes.

 “A situação é ainda mais preocupante diante da insistência do governo Ratinho Jr em militarizar e privatizar mais escolas, incluindo aquelas que anteriormente haviam rejeitado esse modelo”, alerta o professor. O governo Ratinho Jr quer realizar as consultas às comunidades escolares, atropelando o calendário escolar e impedindo o debate aprofundado da proposta.

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