FPEDER reúne representantes de movimentos sociais em Ponta Grossa

Palestras e oficinas devem ser ministradas durante os três dias de evento

Foto: João Paulo Vieira/APP-Sindicato

Durante a tarde de quinta-feira (06) foi realizada a cerimônia de abertura do 16º Encontro do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico-Racial do Paraná (FPEDER). Com o tema “(In)Visibilidade de Políticas Públicas e ações afirmativas para o povo negro e povos indígenas”, a conferência promoveu o debate de políticas e ações para exigir respeito e cumprimento das leis.

Entre as pautas abordadas na abertura, foram apresentados os dados do Atlas da Violência, publicado no dia 05 deste mês, o qual aponta que 75,5% dos assassinatos no Brasil são de pessoas negras. Foi levantada também a necessidade da aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que instituíram o ensino das culturas africana, afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas do Brasil.

Segundo Luiz Carlos dos Santos, secretário de promoção da igualdade racial e combate ao racismo, o Sindicato sempre esteve presente no debate para a implementação de políticas afirmativas na área da educação. “A APP-Sindicato, junto com o movimento social negro organizado no estado do Paraná, é um dos protagonistas da criação deste fórum, que trabalha na implementação da lei 10.639/03 e a 11.645/08. No início não tínhamos uma secretaria de combate ao racismo e promoção de igualdade racial, mas já tínhamos instituído o coletivo, que este ano completa 25 anos”.

O secretario destaca ainda que a APP-Sindicato participou desde o primeiro fórum,  realizado em Sarandi. “Nós participamos diretamente da comissão executiva deste fórum e também fomentamos a participação dos nossos núcleos. Todos os anos temos uma grande participação dos(as) professores(as) da rede, que já fazem este debate no coletivo e vem aqui para participar do encontro”, conta Santos.

Educação sem preconceitos

O fórum debate métodos e políticas para fazer da educação um instrumento de luta contra o racismo, transformando a escola em um espaço livre de preconceitos. “Como você vai conseguir mudar uma sociedade se você não forma-lá? Então acho importante que nas escolas esta formação sobre relações raciais seja aplicada desde o jardim de infância, para fazer com que as crianças brancas entendam que sua condição não as fazem melhor que ninguém e que a negritude das crianças negras não as fazem pior que ninguém”, destaca a Drª Dora Lúcio Bertulio, professora da UFPR.

Já Carlos Alberto Rodrigues de Sousa, que faz parte do Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais, reafirma que entidades do movimento negro lutam desde 2003 para a implementação das diretrizes instituídas pelas leis. “Nós lamentamos, porque tudo isso bate na escola. A escola, como muitos falaram, é que promove esta desigualdade. Então ela deve ser a primeira a combatê-la”.

Professores em luta

Além do debate da questão racial, o presidente do Sindicato, Hermes Leão, reuniu professores(as) e funcionários(as) da educação para responder dúvidas e convidar os(as) participantes para aderirem a Greve Geral, que será realizada no dia 14 de junho. “Diante de um indicativo da construção de uma greve unificada dos(as) servidores(as), indicada para o dia 25 de junho, nós aproveitamos para fazer uma atualização e orientar a convocatória tanto da Greve Geral nacional, bem como também reforçar o chamado e a organização da Assembleia Estadual da APP-Sindicato, marcada para o próximo dia 15 de junho”.

Presenças

Além de representantes da APP-Sindicato, o evento contou com a presença de órgãos como o Ministério Público do Paraná, Secretaria Estadual de Educação do Paraná (SEED), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto Sorriso Negro, Conselho Municipal de Igualdade Racial de Ponta Grossa (COMPIR/PG), Secretaria Municipal de Educação de Ponta Grossa e CONSEPIR Paraná.

A mesa foi composta por autoridades e representantes de movimentos sociais, universidades e Sindicatos. São eles: Angela Mercer de Mello (SEED), Ana Carolina Franceschi (Ministério Público do Paraná), Hermes Leão (presidente da APP-Sindicato), Tércio do Nascimento (presidente do Núcleo Sindical Ponta Grossa), José Luiz Teixeira (CONSEPIR/Instituto Sorriso Negro dos Campos Gerais), Liz Ângela Gonçalves de Almeida (Secretaria de Educação de Ponta Grossa), Nivaldo Arruda (FPEDER), Eurico de Souza Filho (COMPIR Ponta Grossa), Baba Diego Odê, Drª Dora Lúcio Berúlio (UFPR) e Ione da Silva Jovino (UEPG).

Entre os(as) dirigentes estaduais do Sindicato presentes estavam: Celso José dos Santos (secretário de assuntos municipais), Claudinei Pereira (secretário executivo de comunicação), Elizamara Araújo (secretária de sindicalizados) e Luiz Carlos dos Santos (secretário de promoção da igualdade racial e combate ao racismo). Já Ana Carolina Dartora, (secretária da mulher trabalhadora e dos direitos LGBT) e Clau Lopes (secretário executivo da mulher trabalhadora e dos direitos LGBT) participam do encontro como oficineiros sobre os temas “Juventude negra e violência” e  “População negra LGBTI e racismo”.