Fim de escolas militares em MG renova fôlego para luta contra modelo no PR

Fim de escolas militares em MG renova fôlego para luta contra modelo no PR

Decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais vai apoiar pressão da APP-Sindicato contra retrocesso na gestão democrática

Votação em Curitiba sobre a militarização do Colégio Pilar Maturana, em novembro de 2023. Foto: Bruna Durigan / APP-Sindicato.

A recente e histórica decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) acende o sinal de alerta para os governos autoritários e impulsiona a luta dos(as) educadores(as) em todo o país. A Justiça mineira decretou o fim do modelo de escolas cívico-militares no estado, sob o argumento de que a militarização de instituições civis de ensino viola preceitos fundamentais da Constituição Federal.

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“O veredito do Tribunal de Minas confirma o que a categoria denuncia desde a implementação dos primeiros editais no Paraná: o desvio de função de agentes de segurança para dentro do ambiente escolar fere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e destrói o princípio da gestão democrática”, reafirma a presidenta da APP-Sindicato, professora Walkiria Mazeto.

“Escola não é lugar de quartel”, disse Carlos Abicalil, professor e ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), na crítica à expansão do ensino cívico-militar país afora, como ocorre no Paraná, onde o governador Ratinho Jr. insiste no modelo.

Abicalil ministrou a palestra magna na abertura da 9ª Conferência Estadual de Educação, realizada na última sexta-feira (10), no Expotrade, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Farsa desmascarada

A decisão do Judiciário mineiro barrou tanto a criação de novas unidades quanto a continuidade do programa de escolas cívico-militares já em funcionamento. A maioria dos votos fundamentou que a introdução de regulamentos militares no cotidiano escolar resulta em censura, cerceamento de liberdades individuais e discriminação pedagógica.

O veredito diz que a segurança pública e a educação possuem caminhos e preparações distintas, e que a presença policial na rotina dos estudantes não resolve os problemas estruturais de violência ou de falta de investimentos.

No Paraná, o cenário de imposição traz contornos ainda mais graves. Sob a orientação de Ratinho Jr. e da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), o modelo cívico-militar serve como laboratório para a privatização disfarçada e para o assédio moral contra professores(as) e funcionários(as) de escola.

Comunidades escolares inteiras sofrem com consultas públicas manipuladas, falta de autonomia administrativa e a exclusão de estudantes que não se adaptam às exigências estéticas e comportamentais típicas dos quartéis.

A vitória jurídica em MG pavimenta o caminho para que as ações judiciais que tramitam no Paraná ganhem novo fôlego. A direção do sindicato reforça que o direito a uma escola pública, laica, crítica e emancipadora é inegociável, e que os tribunais paranaenses precisam seguir o exemplo técnico e constitucional de Minas Gerais. 

Jurídico 

A batalha contra o autoritarismo também se trava nos tribunais. A Secretaria de Assuntos Jurídicos da APP-Sindicato atua em instâncias estaduais e federais com teses consolidadas contra esse modelo:

Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6791): O sindicato subsidia o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o programa do Paraná. A fundamentação demonstra que legislar sobre diretrizes da educação é competência exclusiva da União e que a Constituição Federal proíbe militares em funções pedagógicas ou de apoio escolar.

Bloqueio de novas consultas no TJPR: A APP-Sindicato dá suporte técnico a pedidos de liminar no Tribunal de Justiça do Paraná para suspender novos referendos e consultas públicas manipuladas, as quais violam o tempo mínimo necessário para o amplo debate comunitário.

Combate a abusos e regulamentos ilegais: O sindicato utiliza decisões do próprio TJPR para anular regras abusivas dos manuais militares nas escolas – como a perseguição a cortes de cabelo e a expressões de identidade étnico-racial -, além de acionar o Ministério Público contra assédios e apologia à violência dentro dessas unidades.

>> Saiba mais: Escola Não é Quartel: 7 motivos para dizer não às escolas cívico-militares

O recado de Minas Gerais mostra que a militarização da educação não resiste à legalidade e à Constituição.

“A escola pública pertence ao povo e nós jamais permitiremos a entrega do nosso patrimônio para o mercado. Vamos enfrentar toda a articulação de quem tenta se apropriar da estrutura pública. Uma instituição democrática exige eleições de diretores e a participação ativa das famílias. Quando defendemos um espaço crítico, o modelo cívico-militar simplesmente não cabe em nenhum território nosso”, conclui a presidenta Walkiria Mazeto.

>> Confira a nota de repúdio da APP-Sindicato à aprovação do modelo cívico-militar na rede municipal de Curitiba

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