A APP-Sindicato completa 79 anos.
São 79 anos em defesa da escola pública e de nossos(as) professores(as) e funcionários(as).
São muitas as histórias de luta para construir nosso sindicato. Há aquelas que marcaram toda uma geração e deixaram marcas que são lembradas todos os anos como os fatídicos 30 de agosto e o 29 de abril. Há também muitos outros momentos marcantes em nossa história. Pontuamos alguns aqui:
- Dia 30 de Agosto de 1988;
- Conquista da Hora Atividade;
- Unificação da APP-Sindicato e Sinte;
- Conquista do Primeiro Plano de Carreira dos Professores;
- Conquista do Plano de Carreira dos Funcionários;
- Greves de 2000, 2014, 2015;
- Dia 29 de Abril de 2015;
- Movimento “Não venda minha escola”;
- Congressos e Assembleia da APP-Sindicato;
Você participou de algum deles? Queremos lançar um desafio a você, faça parte dessa história também. A partir de hoje, até o dia 26 de setembro, estaremos recebendo e selecionando relatos pessoais e peculiares de quem faz parte da nossa história num destes momentos emblemáticos e levá-los ao público nos nossos 80 anos.
Apresentamos o projeto “Eu faço parte desta história”, que pretende eternizar acontecimentos que se tornaram memoráveis. Teremos uma coletânea de histórias e fatos de pessoas que ajudaram a construir nosso Sindicato ao longo destes anos.
Para participar, envie sua história de luta para: [email protected] , no seguinte formato:
- Editor de texto, de preferência Google Docs;
- Fonte: Arial ou Times New Roman 11;
- Espaço entre linhas: 1,5;
- Quantidade de caracteres: entre 2.000 a 3.000;
- Fotos: uma ou duas fotos desse momento no formato JPEG;
- Para sua identificação, no final do texto colocar: nome completo; Núcleo Sindical; se professor(a), qual a disciplina, se funcionário(a) de escola ou da própria APP-Sindicato, qual a função e outra informação que achar importante.
Para lhes inspirar, reproduzimos aqui um dos relatos que fizeram parte do projeto Memória viva: histórias que não envelhecem | APP-Sindicato , lançado nos 77 anos da entidade.
“Casos e Causos”
Lembro-me da minha mocidade. Jovem, bonita (todo jovem é bonito) e… tímida, muito tímida. Sempre fui boa aluna e adorava ler. Esse gostar de ler ajudou a formar a minha personalidade e a ter opiniões. Porém, fugia de toda e qualquer discussão e debates. Escondida na minha timidez, apenas ouvia. E assim, formei-me professora e fui exercer minha profissão em Umuarama, pequena cidade do Noroeste Paranaense, no ano de 1970.
Um belo dia, surgiu por lá um professor chamado Dino Zambenetti convocando uma reunião com todos os professores de todas as escolas e falando sobre a importância de fazer parte da APLP (Associação dos Professores Licenciados do Paraná). Naquela época não havia professores concursados, nós éramos suplementaristas contratados pelo governo. Falou também sobre a união da categoria em busca de segurança para o futuro, já que nosso contrato era anual terminando em dezembro e por isso sem direito à aposentadoria.Curiosa, prestei muita atenção em tudo o que ouvia e imediatamente filiei-me à APLP, passando a participar de todas as reuniões, sempre calada.
Certa noite, durante as aulas, apareceu um grupo de professores de Londrina convocando para uma greve. O Governador de então, era Jaime Canet. Fui a primeira a deixar a escola e entrar em greve, pois jamais admiti que alguém lutasse por mim. No entanto, foi um movimento pequeno e desorganizado. Acabou logo sem resultado algum. Serviu, porém, para despertar a consciência de união e força de vontade.
A semente brotou. Durante o Governo seguinte, Ney Braga, foi convocada uma assembleia geral no Clube Guaíra, na cidade de Ponta Grossa, onde o Paraná todo se fez presente com o objetivo de uma nova greve. Da mesma forma que a anterior, sem organização e na base do oba-oba. Nessa época, a APLP iá havia se fundido com a APP formando uma associação única. O presidente de então era Isaías Ogliari.
Aí veio a explosão. Apavorada com o andamento das discussões, levantei-me da cadeira, tomei o microfone das mãos de quem falava e fiz o maior discurso da minha vida. Alguma coisa que veio da alma, do coração. E a…. Adeus timidez. Acabei liderando os movimentos da categoria no norte do Paraná. Fundei a APP em Umuarama e hoje continuo a participar. Faço parte da diretoria da APP em Ponta Grossa.
Estou aposentada, mas não inativa. Passamos por momentos muito difíceis. Quando surgiu o ato institucional n° 05, durante a ditadura militar, entramos em greve. A maior de todos os tempos com mais de 8 mil professores participando. As vindas para Curitiba, muitas vezes sem dinheiro, outras com a ajuda daqueles que ficavam nas escolas. Reuniões feitas sentados na grama em frente à igreja por que ninguém cedia espaço. “Companheiros” enviando para o governo os nomes das lideranças dos movimentos grevistas. Fui depor na Polícia Federal em Guaíra.
Mas, fatos engraçados também aconteceram. Estávamos em assembleia durante uma greve. O salão estava lotado. Todos já estavam cansados e tristes. Aí, eu resolvi fazer um discurso para levantar o astral repeti tantas vezes a palavra “força” que o meu dente saltou da boca e foi para no meio dos professores. Apesar da vontade de rir, o silêncio foi total. Aí eu me saí com a seguinte pérola: – Ih, gente! Caiu meu dente! A gargalhada foi geral com a televisão filmando. Até quiseram colocar no programa vídeo-cassetada, da época. Até hoje o fato é lembrado.
Sabe, companheiros! A luta foi, é e continuará sendo árdua. Enquanto alguns saem, outros novos estão chegando e assim o trabalho de conscientização é contínuo.
A APP, hoje sindicato, é isso: orgulho de si mesmo, amor pelas causas justas, capacidade para julgar, força para caminhar, coragem para lutar. Assim caminha a humanidade.
Salve APP-SINDICATO!
Prof. Judith Lourdes Meneguzzo Barbisan
Secretária de Finanças da APP-SINDICATO
Núcleo Sindical de Ponta Grossa


















