Esperançar por uma educação humanizadora: o que 2022 nos reserva?

Esperançar por uma educação humanizadora: o que 2022 nos reserva?

Por direção estadual

O ano que se inicia será desafiador para o futuro da escola pública e o modelo de educação que construímos em décadas de luta, trabalho e sonhos compartilhados. Esse tempo exige coragem e assumir posição; unir a categoria em torno dos ideais que nos movem, dizer basta ao projeto político que nos governa e esperançar um amanhã melhor, pleno de direitos e justiça social.

Como as páginas desta Edição Pedagógica demonstram, não será uma tarefa fácil. No estado e no país, a educação está sob ataque. No Brasil, o governo federal tenta novamente zerar o reajuste do Piso Nacional, empilha cortes no orçamento da educação e avança na sua cruzada negacionista contra a ciência, a razão, a vida e os valores humanitários. Este é um caminho impossível para quem sonha com um futuro mais justo, democrático e solidário.

No Paraná, Ratinho e Feder conduzem um projeto de educação para a desigualdade, articulando tutela e vigilância, militarização, recompensa por metas, ofensiva empresarial, sucateamento da carreira, retirada de direitos, terceirização, controle curricular e formação deficitária. Um projeto gestado para transformar jovens em massa de trabalho acrítica, pronta para servir aos interesses empresariais de um mercado cada vez mais precarizado, que obriga trabalhadores(as) a se tornarem empreendedores(as) de si mesmos(as). 

Essas são políticas que ignoram as necessidades das comunidades escolares, atropelam a gestão democrática, comprometem a qualidade do ensino e fomentam a divisão da categoria e a competição entre colegas. Creem que, com os sucessivos ataques, estão nos empurrando para o imobilismo e a desesperança. Mas ignoram uma das mais valiosas lições destes quase 75 anos de história da APP-Sindicato; a luta sempre vale a pena.

Demonstramos, mesmo com as dificuldades do período e diante de um governo que se nega a dialogar, a verdade deste fato no final de 2021, quando encontramos forças para realizar uma greve de três dias e evitar a destruição do Plano de Carreira dos professores(as) e o sacrifício de funcionários(as) de escola, que perderiam direitos sem qualquer compensação. 

No entanto, é preciso ir além; sair da defensiva e voltar a mostrar a força desta categoria que já protagonizou tantos episódios históricos. Nas escolas, é urgente resgatar a primazia da gestão democrática e exercer a autonomia para construir projetos político-pedagógicos que contemplem as reais necessidades da comunidade escolar e não deixem os(as) trabalhadores(as) da educação para trás.  Na sociedade, a escola pública que defendemos dependerá de restabelecer, pelo poder do voto, governantes e legisladores(as) comprometidos(as) com esta mesma escola como também  com a democracia, o bem-estar social, a ciência e a cultura.

Para tanto, precisamos insistir na  unidade, na organização e consciência de classe. E isso não se dará de forma automática. Será necessário dialogar intensamente com a base e sensibilizar colegas, estudantes, mães e pais. Será preciso denunciar a injustiça, mostrar as consequências do descaso e da irracionalidade de quem sacrifica o futuro do Paraná e do Brasil. Será preciso redobrar as forças e as esperanças, anunciando a possibilidade de dias melhores. “Como programa”, escreveu Paulo Freire, “a desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir no fatalismo onde não é possível juntar as forças indispensáveis ao embate recriador do mundo”. Por isso lutamos, também no sentido freiriano, “com raiva, com amor, sem o que não há esperança”. Esperançar é um imperativo existencial e histórico. Esperancemos, pois! O amanhã está em nossas mãos.

No ar: Edição Pedagógica já está disponível para educadores(as)

Direção Estadual da APP-Sindicato

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