Escolas de SP registraram 21 mortes e 4.084 casos de Covid-19 em um mês, diz governo

Escolas de SP registraram 21 mortes e 4.084 casos de Covid-19 em um mês, diz governo

Dois alunos e 19 funcionários morreram após infecção pelo vírus

O secretario Rossieli Soares acompanha a reabertura da escola estadual Estadual Thomaz Rodrigues Alckmin, no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo. Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress

No primeiro mês de retorno das aulas presenciais em São Paulo, as escolas públicas e particulares registraram 4.084 casos confirmados de Covid-19 e a morte de 21 pessoas — entre alunos, professores e funcionários — em decorrência da doença.

Ao todo foram registrados 24.345 casos suspeitos de coronavírus nas unidades escolares. Os dados da escolas municipais da capital não são registrados no sistema estadual.

Os dados são da Secretaria Estadual de Educação, que criou o Simed, sistema de notificação obrigatório para as escolas particulares e estaduais para casos suspeitos e confirmados da doença.

A maioria dos casos confirmados (59%) está em escolas estaduais, seguido pelos colégios particulares (37%) e pelas unidades municipais (3%), com a ressalva de não entrarem na conta as da capital. Além disso, das 645 cidades paulistas, 400 são obrigadas a notificar os casos no Simed por terem seus sistemas de ensino regulados pelo estado.

Dos 21 óbitos, 19 são de servidores e dois de alunos. A secretaria não informou como esse saldo se divide entre escolas públicas ou particulares. Dos mortos, 13 tinham doenças crônicas consideradas comorbidades, e oito, não.

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Educação, os dados do primeiro mês de aulas presenciais mostram que a taxa de casos confirmados é muito inferior a observada no estado. Os números observados nas escolas mostram uma incidência de 41 casos por grupo de 100 mil — em São Paulo, a proporção geral é de 1.393 por 100 mil.

“A taxa de incidência notificada pelas escolas públicas e privadas foi 33 vezes menor do que a do Estado. Tal fato está em consonância com as evidências científicas que apontam que os números de contaminação relativos àqueles que frequentam o ambiente escolar são sempre inferiores aos da transmissão comunitária”, diz o boletim.

Entre os casos confirmados da doença, 62% foram registrados em funcionários e 38% em estudantes. A maioria dos contaminados (62%) são mulheres.

Das mulheres infectadas pelo vírus, a faixa etária mais afetada foi a de 40 a 49 anos, que responde por 26% dos casos. Entre os homens, a faixa mais afetada é a de 15 a 19 anos, com 22,9%.

O número de alunos e funcionários que frequentaram as escolas no último mês não é informado no boletim. Desde o início do ano, as unidades escolares estão autorizadas a oferecer atividades presenciais.

Atualmente, com o estado na fase vermelha diante da piora da pandemia, elas só podem funcionar com até 35% dos alunos. Apesar de autorizadas, algumas escolas particulares optaram por suspender as aulas presenciais. Na rede estadual, a orientação é para que atendam apenas os estudantes mais vulneráveis.

Os dados do Simed também mostram que há maior concentração de casos nas regiões de Araraquara e São José do Rio Preto, onde a taxa de transmissão da doença na comunidade em geral está mais elevada.

O boletim divulgado nesta segunda (8) mostra que o número de casos confirmados nas escolas seguiu a tendência de elevação das contaminações registradas em todo o estado. Na primeira semana de fevereiro, quando as aulas começaram, foram 295 casos positivos. Na primeira semana de março, o número subiu para 1.130.

Desde o início do ano letivo, é a segunda vez que a secretaria divulga dados de contaminação nas escolas. A última atualização era de 13 de março, quando as aulas na rede estadual tinham começado há menos de uma semana.

Apesar da comunicação obrigatória de casos por parte das escolas, a secretaria não tem divulgado os dados de forma periódica para acompanhamento das famílias, funcionários e diretores. Para especialistas em educação, a divulgação sistemática dessas informações poderia contribuir para que a comunidade sentisse maior segurança no retorno às aulas.

“O que aprendemos com a experiência dos países europeus é que os alunos só voltam quando há confiança no ambiente escolar”, diz João Marcelo Borges, pesquisador do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e Políticas Educacionais, da Fundação Getúlio Vargas.

“Para isso, é importante que os professores e pais saibam o que está acontecendo, que os dados sejam divulgados de forma transparente e frequente.”

Desde o início do ano letivo em 8 de fevereiro, os professores da rede estadual estão em greve. Nesta segunda, os docentes de escolas particulares também aprovaram paralisação a partir de quinta (11) diante da escalada de casos de Covid-19.

Fonte: Folha de São Paulo (https://bit.ly/30o0oOq)