Escolas cívico-militares

*Por José Afonso de Oliveira

Foto: Divulgação CGN

“Ora, no momento em que estamos vivendo já nas revoluções 4.0 e 5.0 onde a informática é o elemento decisivo na produção de bens, nas nossas escolas retrocedemos aos primórdios da Revolução Industrial onde era importante formar cidadãos para o mundo do trabalho e portanto, decorrente desse fato o destaque da disciplina. Para tanto basta ler Emile Durkheim quando ele trata da educação para formar as elites sociais e os produtores de bens”, escreve José Afonso de Oliveira.

O governo do Paraná, inspirado no MEC está criando 215 escolas cívico-militares em todo estado. Conta com aprovação da Assembleia Legislativa e fez uma consulta, em plena pandemia, para ter adoção dos pais, professores e alunos para essa iniciativa.

É muito importante fazer aqui algumas considerações pertinentes sendo, a primeira delas, o retrocesso profundo do sistema educacional. Sim as escolas cívico-militares conterão dois diretores, um militar aposentado da Polícia Militar e outro um professor, possivelmente escolhido pela Secretaria de Educação. Portanto, aqui fica claro que cada escola terá dois comandos distintos e penso eu, ficará muito complicado para alunos, professores e funcionários terem a clareza a quem devem obedecer.

Em segundo lugar toda a ênfase está posta na disciplina além de conteúdos específicos de legislação constitucional, civismo, moral, ou seja, a velha e conhecida, igualmente falida, educação moral e cívica.

Ora, no momento em que estamos vivendo já nas revoluções 4.0 e 5.0 onde a informática é o elemento decisivo na produção de bens, nas nossas escolas retrocedemos aos primórdios da Revolução Industrial onde era importante formar cidadãos para o mundo do trabalho e portanto, decorrente desse fato o destaque da disciplina. Para tanto basta ler Emile Durkheim quando ele trata da educação para formar as elites sociais e os produtores de bens.

O que hoje precisamos e com urgência necessária, é termos uma escola que forme cidadãos para o mundo que estamos vivendo. Assim teremos escolas de tempo integral onde o aluno vai aprender tudo o que necessita para bem viver e a adoção de métodos de ensino avançados que possam trabalhar com projetos, softwares educacionais que ainda são raros e restritos a algumas escolas de elite.

É um longo caminho a percorrer, mas temos grandes pensadores a nível internacional em educação como Anísio TeixeiraDarci Ribeiro e Paulo Freire para ficarmos nos mais conhecidos que realizaram grande trabalho que ainda hoje marca todo o nosso cenário educacional.

educação é algo bem complexo, não podemos ter um reducionismo tão simplista, temos necessidade premente de aprofundar essa questão pois que estamos trabalhando com o que hoje é mais importante na sociedade, o conhecimento. Só existe a possibilidade de acumulação de capitais, na medida em que consigamos construir uma educação eficiente que atenda plenamente às necessidades da sociedade atual. Sei sim que esse é um trabalho longo e árduo, porém necessário, e sem ele não chegaremos, enquanto sociedade, a lugar nenhum.

*José Afonso de Oliveira, sociólogo formado pela PUC Campinas e professor aposentado da UNIOESTE. 

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos (IHU)