Ensino noturno: fechamento da modalidade em Moreira Sales pressiona alunos(as) a abandonar estudos APP-Sindicato

Ensino noturno: fechamento da modalidade em Moreira Sales pressiona alunos(as) a abandonar estudos

Ignorando quem mais precisa estudar, a Seed encerrou a oferta de ensino médio regular noturno em todos os estabelecimentos da região

Foto: QuemTV/APP-Sindicato

Enquanto o governo avança na aplicação da ideologia empresarial, alunos(as) do ensino noturno foram deixados de lado por Ratinho Jr, que não se preocupa em garantir o amplo acesso à formação educacional para todos(as).

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É o caso do estudante Kauã, de 18 anos. O jovem que estuda no Colégio Estadual João Theotônio Netto, da cidade  de Moreira Sales, localizado no oeste do Paraná é um dos afetados pelo fechamento do ensino noturno, que foi efetivado pela Secretaria da Educação (Seed).

Em uma ação que vai na contramão de uma política educacional de qualidade, a Seed encerrou a oferta de ensino médio regular noturno em todos os estabelecimentos de ensino da cidade que conta com 11 mil habitantes. 

A mãe do estudante, Bruna de Paula Santos, conta que está preocupada com o futuro de seu filho. “O fechamento do ensino noturno impacta muito na vida do meu filho. Não será possível ele estudar no período da manhã, pois arrumou um trabalho e tem uma oportunidade de crescimento. Por esse motivo ele teria que estudar à noite, porém não terá mais aulas na unidade escolar”, explica Bruna.

A única opção do estudante é se deslocar para uma escola em Goioerê, que fica a 25 quilômetros de Moreira Sales para conseguir estudar e não perder o emprego, mas a distância é um entrave.

“Eu, como mãe, quero apoiar meu filho, quero que ele estude sim, termine o ensino médio e entre pra faculdade, mas também não gostaria que ele perdesse a oportunidade de emprego. Acho injusto ele pegar estrada de noite e ir pra outra cidade se a escola pode oferecer aqui na minha cidade”, lamenta a mãe do estudante.

Ministério Público critica fechamento de modalidade 

O caso de Kauã não é isolado. Em matéria publicada ainda neste ano, a APP apurou que órgãos de atendimento social identificaram a ocorrência de evasão escolar; quando o(a) aluno(a) não efetua a matrícula para a continuidade dos estudos no ano seguinte.

Em resposta, o Ministério Público (MP-PR) emitiu uma recomendação administrativa à Secretaria de Educação e ao Núcleo Regional de Educação para que turmas de ensino médio regular noturno voltem a ser oferecidas no município.

No documento expedido pela 2ª Promotoria de Justiça de Goioerê, o promotor Rogério Rudiniki Neto acusa o Estado e o NRE de omissão e violação de direitos previstos também no Estatuto da Criança e do Adolescente, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e no Plano Nacional de Educação.

A recomendação pede que a reabertura de turma no noturno seja instituída para o ano letivo de 2024, com o funcionamento mantido nos anos seguintes. Assinado no dia 11 de janeiro, o documento fixa prazo de 20 dias para que o Estado responda se cumprirá ou não a orientação.

A Secretária Educacional da APP-Sindicato, Vanda Santana, reforça que o governo não pode tratar a educação como negócio e sim como direito social.

“A decisão do governador Ratinho em fechar todo Ensino Médio noturno no município é gravíssima, pois fere o direito de escolha de adolescentes e jovens trabalhadoras(es) ao chamado ensino regular. O MP-PR já se pronunciou, mas precisamos aumentar a mobilização junto a toda comunidade  e pressionar as autoridades para restabelecer, imediatamente, a oferta do Ensino Médio noturno”, finaliza a secretária.


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