Enquanto Ratinho destrói a EJA, 73% dos jovens sem educação básica querem voltar a estudar APP-Sindicato

Enquanto Ratinho destrói a EJA, 73% dos jovens sem educação básica querem voltar a estudar

A pesquisa demonstra que 19,9% dos(as) jovens entre 15 e 29 anos não concluiu a educação infantil, o ensino fundamental ou ensino médio

Foto: Divulgação/Agência Brasil

Quase 10 milhões de jovens brasileiros(as) entre 15 e 29 anos não concluíram a educação básica, de acordo com dados da PNAD/IBGE de 2022, analisados pela Fundação Roberto Marinho e Itaú Educação e Trabalho. Destes(as), 73% relataram ter vontade de concluir a formação.

Apenas 27% dos(as) jovens que participaram da pesquisa “Juventudes fora da escola” relataram que não pretendem concluir o ensino e, destes, a maioria aponta a necessidade de trabalhar (32%), seguida pela necessidade de cuidar da família (17%), como razões para a evasão. 

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Os dados contrastam com a política de desmonte da EJA em curso no Paraná desde o início da gestão de Ratinho Junior. Em apenas cinco anos, as matrículas da modalidade na rede estadual despencaram de 125.881 para apenas 31.743. Os números representam uma queda de 75%.

Quando Ratinho Jr. assumiu o governo, em 2019, a rede estadual contava com 125.881 matrículas na EJA. No ano seguinte caiu para 102.498, desceu para 72.969 em 2021, 51.726 em 2020 e 31.743 em 2023. 

Caso esse ritmo, próximo de 20 mil alunos a menos por ano, seja mantido, a modalidade pode praticamente deixar de existir, frustrando a expectativa dos(as) jovens que sonham em concluir os estudos.

Enquanto o governo acentua a política excludente, a última PNAD também demonstra que o Paraná possui mais de 365 mil (3,9%) pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever. O número é superior à soma da quantidade dos outros dois estados da região, já que o Rio Grande do Sul possui 232 mil (2,5%) e Santa Catarina 127 mil (2,2%).

Exclusão prejudica quem mais precisa

A pesquisa nacional identificou, ainda, que a maioria dos(as) jovens (78%) que não concluíram a educação básica são de origem humilde, com a família recebendo até um salário-mínimo (R$ 1.412,00). 

Já em relação à etnia, 7 em cada dez são negros(as) (70%) e a maioria (43%) não terminou o Fundamental; 22% completaram o Ensino Fundamental mas não iniciaram o Médio; e 35% têm o Ensino Médio Incompleto. Entre os(as) jovens que não concluíram seus estudos, 84% trabalham e ocupam algum cargo informal (sem carteira assinada ou vínculo empregatício), público prioritário da EJA.

Para a APP-Sindicato, os dados apenas confirmam o conteúdo das denúncias que a entidade tem feito antes mesmo do início das primeiras mudanças impostas pela Secretaria da Educação (Seed), então sob o comando do empresário Renato Feder.

O governo acabou com a oferta flexível da EJA, onde havia a possibilidade de estudar de acordo com suas disponibilidades de dia, horário e disciplinas individuais, e obrigou os(as) estudantes a se adaptarem a um novo modelo, semestral, com quatro disciplinas ao mesmo tempo e exigência de frequência diária. 

Além de dificultar o acesso e a permanência desse público, que é formado em sua maioria por trabalhadores(as) e pessoas com dificuldade de estudar várias matérias ao mesmo tempo ou que a escala de dias e horários do trabalho impede a frequência diária na escola, em 2020, usando como pretexto a pandemia de Covid-19, a Seed aplicou outro golpe contra a EJA, implantando o ensino a distância na modalidade.

Mas as mudanças no formato não foram as únicas ações desastrosas. O fechamento de escolas que oferecem a modalidade de ensino também tem sido outra marca da gestão Ratinho Jr. contra o direito à educação dessa população que, por razões sociais e econômicas não conseguiu concluir os estudos na idade regular.

Em contrapartida, as ações de destruição da política pública beneficiaram as instituições privadas que, em 2023, registraram número de matrículas de EJA maior do que a rede pública. Em 2019, o setor privado tinha 33.841 alunos na modalidade. Já no ano passado, atingiram número recorde de 40.237.


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