Em tempos de pandemia, quanto vale a vida do(a) funcionário(a) de escola

Por Claudemir Esquerdo Corral*

Por conta da pandemia mundial do Coronavírus, todos os sistemas de ensino do Paraná e do Brasil paralisaram suas atividades presenciais, as aulas presenciais foram suspensas, estudantes foram dispensados, professores(as) foram dispensados(as) e os(as)s funcionários(as) de escola, foram dispensados(as)?

Em tese o decreto governamental suspendeu todas as atividades de atendimento ao público nas escolas do Paraná, exceto a entrega do leite das crianças e dos kits de alimentação para os estudantes do Bolsa Família, o que nos parece razoável, visto a dimensão social desses programas.

Mas, nos últimos dias funcionários(as,) agentes educacionais estão sendo convocados(as) para ir até a escola desenvolver uma série de atividades de atendimento ao público que o decreto do governador veda expressamente:
1- Convocaram para imprimir e entregar materiais a família dos estudantes que não tem acesso as ferramentas da EaD da SEED, que são muitos, talvez a maioria. [Ofício n° 29 – Deduc/Seed] (Muitas pessoas circulando, família, estudante e funcionários/as de escola);
2- Convocaram para fazer movimentação de estudantes, matrícula, transferências, etc. (Muitas pessoas circulando, família, estudante e funcionários/as de escola);
3- Convocaram para dar assistência tecnológica aos estudantes nos laboratórios de informática da escola [discurso do Secretário Feder na ALEP] (Muitas pessoas circulando, família, estudante e funcionários/as de escola);
4- Algumas escolas estão convocando funcionários/as para realizar atividades habituais como: faxinas e pequenos reparos.
5- Muitos funcionários(as) relatam assédio moral e ameaças, como por exemplo: “você é PSS, poderá ser demitida” e “se você não ir pra escola os alunos serão prejudicados”, etc.

Daí, a pergunta: Quanto vale a vida do funcionário e funcionária de escola?
No momento em que devemos cuidar de nossas vidas e das vidas de nossos semelhantes, evitando ao máximo o contato social e a aglomeração de pessoas a Seed de maneira ilegal e irresponsável, atribui a nós funcionários/as toda essa demanda de atividades que não são essenciais, de modo que acabamos por ficar expostos e suscetíveis ao contágio pela Covid-19, muitos de nós ficarão doentes e outros tantos, morrerão.

Quanto vale a vida do(a) funcionário(a)de escola? Fatalmente, muitos colegas se tornarão estatística da pandemia. De fato, este é um período atípico, nossa geração talvez nunca tenha presenciado, por isso precisamos fazer dele um tempo pedagógico, que possamos se apropriar de conceitos fundamentais para a existência humana, como por exemplo a solidariedade e a empatia, mas pra isso precisamos nos manter vivos e saudáveis.

Sigamos firmes, a luta sempre vale a pena.

*Agente Educacional e secretário de funcionários da APP-Sindicato NS de Guarapuava