O projeto de militarização das escolas públicas do Paraná, imposto de forma autoritária pelo governo Ratinho Jr., soma mais um grave episódio de violência e desamparo aos(às) trabalhadores(as) da educação. Na última semana, uma professora foi agredida fisicamente com um soco no rosto por um estudante de 14 anos, dentro da sala de aula, no Colégio Estadual Cívico-Militar Marechal Rondon, em Campo Mourão. O episódio brutal destrói a propaganda oficial do governo do Estado e evidencia que o monitoramento policial e a lógica de quartel são incapazes de garantir a segurança e a integridade de quem está no chão da escola.
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O caso ocorreu durante a aula de Ensino Religioso. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Patrulha Escolar, a docente realizou uma intervenção estritamente pedagógica, repreendendo o estudante por uma atitude inadequada com um colega durante o ensaio da festa junina da instituição. Minutos após a orientação, a educadora foi surpreendida pelo golpe na região do olho. Após consumar a agressão, o aluno ainda proferiu ameaças de morte contra a trabalhadora antes de se esconder nas dependências do colégio.
A professora ficou com um hematoma visível abaixo do olho e em profundo estado de choque decorrente do trauma. A direção da unidade acionou os(as) responsáveis e a polícia. Na tentativa de se esquivar da responsabilidade, o adolescente alegou ter reagido a um suposto tapa da educadora.
A APP-Sindicato entrou em contato diretamente com a professora para prestar solidariedade e suporte imediato. Muito abalada com a gravidade do episódio e sob forte impacto emocional, a docente não apresenta condições de falar no momento e pede para não ser identificada. O caso foi encaminhado à Delegacia da Polícia Civil e segue sob investigação. Por envolver menor de idade, a identidade do jovem é preservada conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Falência do modelo
Para a APP-Sindicato, a ocorrência desmascara o discurso governamental de que a presença de militares da reserva traria “paz e ordem” às escolas do Paraná. O sindicato tem denunciado de forma sistemática que o esvaziamento do suporte pedagógico, a falta de profissionais especializados(as) em saúde mental e a superlotação das salas de aula geram um ambiente de constante desgaste que a vigilância punitiva não consegue conter.
“Desde o início deste programa, temos alertado que a militarização da educação não resolve os problemas estruturais de violência e vulnerabilidade social. Pelo contrário, ela mascara os conflitos por meio do medo e do autoritarismo. Ver uma professora ser agredida e ameaçada de morte dentro de um colégio que se diz blindado pela estrutura militar é a prova cabal de que este modelo faliu. O governo Ratinho Jr. gasta milhões com gratificações para policiais aposentados enquanto ignora o adoecimento da categoria e a necessidade de equipes multidisciplinares com psicólogos e assistentes sociais”, afirma a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
A entidade orienta toda a categoria a denunciar imediatamente casos de violência, assédio ou negligência institucional pelo Canal de Atendimento via WhatsApp (41 2170-2500) ou pelo e-mail [email protected].
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