EJA perdeu mais de 500 mil estudantes durante governo Bolsonaro APP-Sindicato

EJA perdeu mais de 500 mil estudantes durante governo Bolsonaro

O governo de Jair Bolsonaro destinou em 2021, apenas 7 milhões para modalidade, sendo o menor investimento do século

Foto: Agência Brasil

O governo catastrófico de Jair Bolsonaro chegou ao fim neste 1º de janeiro, mas o seu legado de destruição na educação deixou marcas profundas, em especial na Educação de Jovens e Adultos (EJA). A modalidade perdeu mais de meio milhão de estudantes nos três primeiros anos de governo.

>> Receba notícias da APP no seu Whatsapp ou Telegram

Conforme o Censo Escolar, no ano de 2018 eram 3,5 milhões de matrículas e 2,9 milhões no ano seguinte. Já na pandemia, a Comissão Externa de Acompanhamento dos Trabalhos do Ministério da Educação (MEC) identificou que os recursos federais destinados à EJA caíram 70% em 2020 e 67% em 2021.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que são mais de 72 milhões de pessoas entre 18 e 85 anos que não terminaram o ensino Médio e nem o Fundamental e que poderiam se beneficiar do programa.

Assim como os cortes orçamentários, a falta de valorização profissional e a falta de investimento também provocou uma redução de professores(as) na modalidade.

Um total de 29.787 educadores(as) deixaram de dar aulas para a EJA (em 2021, havia 232.607 educadores(as) atuando nessa área no país). O número de turmas, somando Fundamental e Médio, acompanhou a queda: de 137.144, em 2018, para 119.625, em 2021.

Além disso, a EJA foi o mais impactado com o corte de 94% dos investimentos no setor educacional. A verba, que ultrapassa R$ 1 bilhão em 2013, foi reduzida para R$ 68 milhões em 2018 e, em 2021, contou com apenas R$ 7 milhões.

Queda de matrículas no Paraná

No Paraná, além da queda no investimento na EJA, Ratinho Jr. desenvolveu políticas que dificultaram ainda mais o acesso ao modelo. 

A partir de 2019, políticas como a alteração da matrícula por disciplina e a implementação de um sistema online, que além de retirar a autonomia das escolas exclui alunos(as) com acesso limitado à Internet, dificultaram o ingresso de novos(as) alunos(as).

O resultado foi a redução drástica de matrículas ao longo dos quatro anos de gestão do governador. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2019 quando Ratinho assumiu, 125.770 mil estudantes estavam matriculados na EJA na rede estadual.

Com as políticas equivocadas e a falta de investimentos por parte do governo federal, as matrículas da EJA caíram para 51.673 em 2022. 

Como reverter esse quadro?

Dossiê com realização do Instituto Paulo Freire, Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e Ação Educativa, aponta saídas para as crises de políticas públicas de EJA, avaliando as mecanismos para reconstruir o modelo.

O documento evidencia a necessidade de reverter tal trajetória, resgatando a educação de pessoas jovens e adultos como direito humano, bem comum e responsabilidade pública, tal como assinalado nas leis nacionais e nos compromissos internacionais de que o país é signatário.

“Evitando repetir equívocos do passado, convém que tal política não seja movida pelo imediatismo e voluntarismo das campanhas, mas assente bases sólidas para a crescente elevação da escolaridade e qualificação profissional da população, garantindo a todos o direito à educação de qualidade, como bem estabelecido na Constituição, na LDB e no PNE, assim como nos compromissos assumidos perante a comunidade internacional”, conclui trecho do Dossiê.

>> Acesse o documento na íntegra aqui <<


:: Leia mais:

:: Omissão e desmonte: relatório da transição de governo aponta retrocessos na educação sob Bolsonaro
:: Paraná sucateia EJA e concentra mais da metade dos analfabetos da região sul

MENU