Educadores(as) destacam a importância de iniciativas pedagógicas para o respeito à diversidade na escola

Educadores(as) destacam a importância de iniciativas pedagógicas para o respeito à diversidade na escola

Professores(as) da rede estadual de ensino relatam experiências incluindo a diversidade em suas disciplinas

Professor Clodoaldo Beraldo, secretário executivo da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato - Foto: Gabriela Zadvorne / APP-Sindicato

Um estudo recente divulgado pela Aliança Nacional LGBTI+ revela que nove em cada dez estudantes adolescentes e jovens LGBTQIA+ afirmam terem sido vítimas de algum tipo de agressão verbal no ambiente escolar, em 2024. Com o objetivo de contribuir para mudar essa realidade, professores(as) da rede pública estadual do Paraná destacam a importância de incluir abordagens pedagógicas voltadas à diversidade nos conteúdos das matérias lecionadas.

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As iniciativas se revelam exemplos práticos do papel da educação como ferramenta de combate a LGBTIA+fobia. Um dos(as) educadores(as) ouvidos(as) pela reportagem da APP-Sindicato é o professor e doutorando em Educação, Fernando José da Silva. Ele trabalha no Colégio Estadual Cívico Militar João Paulo II, em Curitiba, e conta que trabalha com a temática como base fundamental de conscientização e proximidade com a realidade social e cultural dos(as) seus alunos(as).

“Em ciências biológicas, quando vamos abordar o corpo humano, sempre tento fazer associação entre a biologia e a reação social, pois uma coisa são as nossas características biológicas e outra são as nossas percepções como sujeitos e indivíduos. Porque, enquanto humanos nós não somos apenas o que nosso gênero, nossa sexualidade ou o que o nosso sexo transpassa para a sociedade. Abordar a diversidade de gênero na escola é também confortar alguém que está passando por algum momento de se descobrir”, exemplifica o professor.

Professor Fernando José da Silva, utiliza os conhecimentos acadêmicos para promover o senso crítico dos(as) alunos(as) sobre a temática da diversidade – Foto: Arquivo pessoal

Baseando-se em conteúdos já estudados durante sua graduação e seu mestrado em Educação pela UFPR, o professor, que também é secretário executivo de Comunicação do Núcleo Sindical Curitiba Sul da APP-Sindicato, afirma que as obras estimulam o pensamento crítico do aluno(a) durante a aula. Ele conta que usa como base sociológica para troca entre professor e estudante. “Uma das teses é o conceito de vida viáveis e vidas visíveis, de Jamil Cabral Sierra, e 58 indícios sobre o corpo, de Jean-Luc Nancy”, exemplifica.

Papel da escola

Com 18 anos de profissão, o professor Jonathan Chasko da Silva, que atua nos colégios Presidente Costa e Silva e Pacaembu, em Cascavel, alerta sobre os preconceitos feitos pelas pessoas e historicamente enraizados nas estruturas da sociedade. 

Ele afirma que “quando nós convivemos com uma pessoa que não é heterossexual e não é cisgênero, a gente começa a repensar nos modos sociais e perceber que tudo são construções, que para além da biologia, nós temos também a biografia”. 

O comentário do professor evidencia que tratar a diversidade sexual em sala de aula torna-se fundamental e mostra que a aplicação dos conteúdos de diversidade são possíveis dentro de todo o planejamento.

“Dentro da sala de aula, eu tento mostrar como que a diversidade contribui para esse crescimento e para esse desenvolvimento social, porque a partir do momento que você lê os documentos da educação, que você lê a Lei de Diretrizes e Bases e a Base Nacional Comum Curricular, você se ampara das legislações estaduais, federais e tem o mínimo de conhecimento da diversidade”, relata.

Professor Jonathan Chasko da Silva pontua a importância de incluir diversidade no planejamento pedagógico e que o trabalho amparado pela legislação – Foto: Arquivo pessoal

Reafirmando o papel da escola como agente de transformação, Jonathan, que também é secretário da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ do Núcleo Sindical de Cascavel, reitera que sem educação não há formação e nem conscientização social dos(as) estudantes. 

“Não há outro lugar que faça isso além da escola. É papel da educação mirar nessa formação. Então, o papel da educação na formação e conscientização social dos estudantes é fundamental. É importantíssimo que os professores entendam o nosso papel de transformadores”, conta o professor que é secretário da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ do Núcleo Sindical da APP-Sindicato de Cascavel.

Materiais para trabalhar em sala de aula 

Para o secretário executivo da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, professor Clodoaldo Beraldo Batista, mesmo sob avanços sociais, a proteção à comunidade LGBTI+ é uma tarefa coletiva, não visa apenas combater a LGBTQIA+fobia, mas assegurar que direitos já conquistados não sejam retirados. Por isso, Clodoaldo defende que a escola deve ser um espaço que ensina o respeito à diversidade para a criação de uma sociedade livre de preconceitos e violências. 

Cartaz da APP-Sindicato trabalha a proposta de dialogar, simultaneamente, com a pauta do Orgulho LGBTQIA+ e com a tarefa educativa da escola – Foto: Gabriela Zadvorne / APP-Sindicato

O dirigente destaca os conteúdos elaborados pela APP-Sindicato como sugestão para serem trabalhados em sala de aula. Em uma página especial disponível no site da instituição, os(as) educadores(as) encontram dicas de filmes, séries, livros, jornais e outros materiais.

Neste ano, também foi produzido um cartaz alusivo ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ e distribuído para ser afixado em todas as escolas. Com o mote “Tenha orgulho de ser quem você é!”, e a mensagem de que “uma escola que educa também ensina que ninguém deve sentir vergonha de existir”, o material trabalha a proposta de dialogar, simultaneamente, com a pauta do orgulho LGBTQIA+ e com a tarefa educativa da escola.

>> Acesse aqui: Por uma educação sem LGBTQIA+fobia: conteúdos para trabalhar em sala de aula

>> Baixe aqui: Cartaz 28 de junho – Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+

“A educação tem o papel de criar sujeitos com senso crítico para poder entender as diversidades que existem. Além disso, precisamos de uma educação plural que seja acolhedora dentro dos espaços escolares, que olhe para nossa comunidade e desenvolva políticas para acolhimento e permanência na escola. Com isso, aumentamos a possibilidade de empregabilidade no mercado de trabalho e isso é fundamental para que pessoas LGBTQIA+ tenham uma vida digna”, completa o dirigente.

Dia do Orgulho LGBTQIAI+

Clodoaldo também fala sobre o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, celebrado anualmente no dia 28 de junho. Ele afirma que o sentimento de orgulho sobre as orientações sexuais e identidades de gêneros são invisibilizadas na sociedade e que a data vai muito além da comemoração. 

“É um ato político que nos lembra da importância da luta e militância da comunidade LGBTQIA+ na conquista de direitos e também é um recado para a sociedade de que continuamos na luta para manter e criar novas políticas públicas que atendam nossa comunidade e criem lugares seguros tanto no trabalho, educação e uma saúde especializada”, afirma.

A data rememora a “Revolta de Stonewall”, episódio histórico que deu origem às paradas e marchas realizadas em todo o mundo, realizadas para dar visibilidade à comunidade LGBTQIA+ e fortalecer a luta por direitos e o combate à violência.

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