Educadores(as) criticam materiais ofertados pela Seed para debates na semana pedagógica


Há anos a APP-Sindicato vem produzindo o próprio material que serve de base para o debate na semana pedagógica. De acordo com a professora e secretária Educacional da APP, Walkíria Mazetto, esse material vem fazer o contraponto do que é disponibilizado pela Secretaria de Educação do Estado. “Nós produzimos um material específico da APP por considerar necessário fazer o contraponto do que a Secretaria de Educação apresenta para a categoria. Além disso, é preciso complementar o debate, já que os textos da Seed são, em muitos casos, rasos e de um esvaziamento muito grande. Nosso material apresenta a posição da classe trabalhadora, por se tratar de um compilado do que é deliberado nos Congressos e Cadernos de Conferência da entidade”.

A crítica aos materiais da Seed vem sendo feita, também, por educadores(as) de todo o Estado. Escolas de todo Paraná estão escrevendo moções de repúdio ao conteúdo disponibilizado pela Seed, alegando serem rasos e superficiais. A moção de repúdio é um recurso que os(as) educadores encontraram de declarar sua indignação diante da forma como a Secretaria de Educação trata os materiais de formação e reflexão dos(as) trabalhadores(as).

“A valorização das (os) profissionais da educação e a formação continuada são dimensões fundamentais para promover uma educação pública de qualidade – e estão presentes nas metas estabelecidas nos planos nacional e estadual de educação. Nessa Semana Pedagógica promovida pela SEED e, em especial, nos encontros por áreas do conhecimento, não vimos nada que lembrasse capacitação. Pelo contrário, a desorganização, a superficialidade dos temas, a falta de condições de trabalho, as falhas de comunicação com as escolas e o desrespeito à educação deram o tom nessa semana”, é um trecho do documento feito por educadores(as) do Colégio Estadual do Paraná.

O educador Márcio Pheper, que trabalha no Colégio Estadual do Paraná e ajudou na construção da moção, mostrou indignação ao falar sobre o material ofertado pelo governo. Ele atua na rede pública há 15 anos e diz se sentir menosprezado pela Secretaria de Educação. “O material que nós recebemos está sem nenhuma fundamentação teórica. A forma como foi organizada a semana pedagógica está toda errada. Faltou de tudo, desde conteúdo, até o mínimo necessário para capacitação dos educadores. Eu me sinto menosprezado, como se a gente fosse tratado como profissionais burros”, desabafa. Para ele, a Seed parece estar perdida ao oferecer o próprio material. “Não tem nada qualificado para uma semana pedagógica. A Seed não sabe nem o que está fazendo. É uma incompetência imensa na escolha das equipes que vão cuidar das políticas educacionais. Pessoas que não entendem de educação, que não tem conhecimento para estar no cargo público. Educação é coisa séria, não é qualquer coisa”, explica.

Débora Zuchetto, do Colégio Estadual Cecília Meirelles, em Curitiba, também fez uma moção junto com seus(as) colegas de trabalho e desabafa sobre o conteúdo apresentado pela Seed. “A gente está cansado de ser enganado, sempre apresentarem qualquer coisa e ser tudo desorganizado”, conta.

Para Walkíria Mazeto, os materiais devem ser bem pensados e trabalhos, já que se trata de um material de debate constante na escola. “É importante que este seja um material permanente de debate na escola, que possa subsidiar outros momentos de reflexão também”, finaliza.