O secretário de Direitos Humanos da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) e presidente do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ (CNLGBTQIA+), Zezinho do Prado, defendeu o engajamento da categoria no processo eleitoral deste ano para barrar os ataques contra a educação pública paranaense e a possibilidade de retrocesso nas políticas sociais em nível nacional. “É preciso colocar a cara na rua para defender a democracia”, declarou o educador durante uma roda de conversa com o tema Democracia e Direitos LGBTQIA+, realizada na última sexta-feira (31), na sede estadual da APP-Sindicato, em Curitiba.
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Segundo Zezinho, não adianta apenas dizer que vai votar em alguém que defende as pautas da educação e não fazer mais nada. “Vocês têm candidatos que representam tudo de ruim, ou talvez até pior do que está, de não-democracia, mas também um candidato que representa a defesa dos direitos humanos e dos trabalhadores da educação. Então, se as pessoas não se alertarem e não fizerem um enfrentamento, os próximos oito anos poderão ser difíceis tanto para os trabalhadores quanto para a população em geral”, alertou.
Para o educador, outro sinal que reforça esse perigo são as pesquisas de intenção de voto para o governo do Paraná, com cenários indicando a possibilidade da extrema direita vencer no primeiro turno. Zezinho avalia que essa hipótese representa um novo governo ainda mais autoritário e punitivista do que a atual gestão de Ratinho Jr. (PSD). “Como os educadores do Paraná farão a diferença para enfrentar esse momento político, para que os candidatos que não apoiam a educação não ganhem? Porque quando eles ganham no primeiro turno, entendem que a sociedade deu carta branca”, afirmou.
Zezinho disse que a educação é a grande base da sociedade brasileira e, por isso, ressaltou a importância de que a mobilização dos(as) trabalhadores(as) da educação seja capaz de atingir outros setores da sociedade. “É importante que as pessoas que estão dentro das escolas, os professores, funcionários, alunos, consigam realmente extrapolar essas ideias, levar esse perigo para fora do muro da escola”, recomendou. Como estratégia, o educador provocou a categoria a criar, onde ainda não existe, coletivos de LGBTQIA+, mulheres, pessoas negras e de outros segmentos nos núcleos sindicais da APP-Sindicato.

Sobre a eleição presidencial, ele avalia que a situação está mais favorável, porém destacou que uma mudança à direita pode significar a perda ou a paralisação de todos avanços conquistados. “Seria exatamente retornar no zero, como foi com a eleição do Bolsonaro. Todo mundo se recorda que uma das primeiras atitudes dele foi acabar com todos os conselhos de direitos e participação social”, lembrou.
Participaram da roda de conversa os dirigentes estaduais da APP-Sindicato da secretaria da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+, Clodoaldo Antunes, e da Comunicação, Daniel Popilnick, e professores(as) e funcionários(as) de escola de várias regiões do estado. Eles ouviram Zezinho e debateram sobre vários temas, como o assédio e a perseguição contra os(as) trabalhadores(as) na gestão Ratinho Jr..
Durante a conversa, também compartilham experiências e casos reais de preconceito e discriminação lgbtfóbica enfrentadas por educadores(as) e estudantes na rede pública de ensino do Paraná. O programa das escolas cívico-militares foi criticado e citado como uma iniciativa do conservadorismo que viola direitos de pessoas negras e LGBTQIA+.

Clodoaldo agradeceu a presença e o esforço dos(as) educadores(as) para fazer o debate numa sexta-feira, além da contribuição de Zezinho e seu conhecimento acumulado em décadas de luta em várias instâncias, defendendo os direitos dos(as) trabalhadores(as) da educação e das pessoas LGBTQIA+. “Este momento não é apenas importante, mas também necessário, para que a gente possa se reunir, refletir, aprender e levar para nossas bases, fortalecendo a nossa atuação enquanto instituição que defende uma sociedade justa, democrática e livre de todas as formas de discriminação”, disse.
Quem é Zezinho
José Carlos Bueno do Prado, mais conhecido como Zezinho do Prazo, entrou no serviço público em 1977, no cargo de secretário de escola na rede estadual de São Paulo. Aposentou-se neste ano, mas continua atuante na defesa da classe trabalhadora, sendo reconhecido como um importante líder sindical brasileiro no setor da educação e dos direitos das pessoas LGBTQIA+.
Iniciou sua militância na sua entidade de base, o Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação do Estado de São Paulo (Afuse), integrou o coletivo LGBTQIA+ da CUT e foi secretário de Funcionários da CNTE. Atualmente ocupa o cargo de secretário de Direitos Humanos da CNTE e, pela segunda vez, exerce o cargo de presidente do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
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