Domingo de manifestação: educadores e estudantes pedem manutenção de vagas da EJA

Domingo de manifestação: educadores e estudantes pedem manutenção de vagas da EJA

Em Londrina, APP-Sindicato e Fórum Estadual da EJA cobram do governador e prefeito garantia do Ensino de Jovens e Adultos

Professores(as), funcionários(as) de escola e estudantes aproveitaram a manhã desse domingo (13) para realizar um protesto contra a redução de vagas no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) na cidade e contra as medidas do atual governo que dificultam o acesso e permanência dos(as) estudantes dessa modalidade de ensino, em todo Paraná.

Os(as) manifestantes participaram de uma carreata que saiu do parque  Luigi Borghesi , o Zerão, e foi até o Núcleo Regional de Educação. Lá, mantendo a distância social, os(as) manifestantes colocaram cartazes em toda extensão da área física do prédio do NRE. “Quisemos dar visibilidade a luta do Fórum e da APP no sentido de defender a EJA com qualidade. Vivemos um acelerado processo de destruição da Educação de Jovens e Adultos promovida pelo governador Ratinho Júnior e pelo seu secretário de Educação, o empresário Renato Feder. Eles desmontaram tudo que veio sendo construído ao longo dos anos”, conta o professor Ivo Ayres do CEEBJA Herbert de Souza de Londrina e membro do Fórum Paranaense de EJA.

Como era a EJA antes de Feder – Até o final de 2019, estudantes da EJA tinham a opção de se matricular por disciplinas individuais e frequentar as aulas respeitando seu ritmo de aprendizado e disponibilidade de dias e horários. Mas, a partir deste ano, sem ouvir a comunidade escolar, a Seed acabou com essa prática flexível, obrigando o(a) estudante se adaptar a oferta de ensino por blocos, cada um com quatro disciplinas, semelhante ao ensino regular, onde a frequência precisa ser diária.

Já o modelo atual dificulta a existência da modalidade. “Há o estudante idoso, com limitações físicas que não consegue permanecer na sala de aula por um período de longas horas em dias seguidos; tem o adulto que trabalha em regime de escalas e plantões, tem o jovem com facilidade de aprendizado, mas que trabalha como caminhoneiro e fica ausente por dias, entre tantos outros. Da maneira como foi imposta o governo está simplesmente dizendo que estes estudantes não são bem-vindos na escola. É um retrocesso sem tamanho”, detalha o professor.

A manifestação buscou mostrar à população local as dificuldades que as entidades que defendem o acesso democrático, gratuito e o ensino de qualidade vêm enfrentando com os atuais governos. “O governador tem a maioria dos deputados e também a mídia ao seu lado para mostrar que vai tudo muito bem na educação. Sabemos que a realidade não é esta porque estamos na escola e é nosso dever fazer a denuncia, da melhor maneira possível”, afirma Ayres.

Outro agravante foi que, agora no final do ano, a Secretaria de Educação descartou todas as manifestações de interesse dos estudantes que já cursam a EJA  e desejariam continuar os estudos no ano que vem. “Até novembro foram recolhidas e enviadas à Seed várias solicitações de matrículas, que organizamos nas escolas e junto aos alunos. Eles [Seed] jogaram isso fora e agora exigem que se faça em dezembro, novamente online, do aparelho do próprio estudante. É inviável, muitos não têm um aparelho com conexão a internet. A manifestação quis expor tudo que está acontecendo e denunciar também que o prefeito Marcelo Belinatti (PP) tem feito uma redução de vagas iniciais da EJA”, alerta o professor.

 

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