Dois meses sem salário; terceirizadas continuam a aplicar calotes em funcionários(as) de escola

Dois meses sem salário; terceirizadas continuam a aplicar calotes em funcionários(as) de escola

Trabalhadores(as) da região de Toledo relatam problemas para receber os salários e descontos absurdos

“Ligamos na empresa e a conversa é sempre a mesma: É para cair hoje. Infelizmente, o pagamento nunca cai”

É notório que a terceirização só traz prejuízos aos cofres públicos e à educação. Mas a desfaçatez das empresas licitadas pelo Estado para atender as escolas estaduais tem pesado no bolso e na saúde mental dos(as) funcionários(as) terceirizados(as).

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Sem salário há dois meses, a funcionária de limpeza Ana Paula, trabalhadora da Outpar – que presta serviços na região de Toledo – está no vermelho e sem perspectivas de alívio financeiro.

“Estamos em fevereiro e ainda não recebi os salários de dezembro e janeiro”, conta Ana. “Fizemos umas reformas na casa e contava com esse dinheiro. Tive que pegar empréstimo para quitar essas dívidas e agora estou pagando juros”, lamenta a trabalhadora.

Modus operandi

É um problema recorrente, já denunciado pela APP em outras oportunidades. Como o governo não pune as empresas, elas se revezam em fazer poupança com o suor alheio, atrasando pagamentos, impondo descontos inexplicáveis e destruindo a organização pessoal de trabalhadores(as) e suas famílias.

“Nosso salário era para ser pago sempre no quinto dia útil, mas nunca foi assim. Às vezes recebemos no dia 10, senão no dia 15, praticamente junto com o vale-alimentação, e sempre com um monte de desconto”, continua Ana.

Segundo Valéria Quirino da Silva, funcionária da mesma empresa, a Outpar não deu satisfações sobre os atrasos e apenas pede “calma”. Já a Seed não se posicionou e informou que o problema deve ser resolvido com a empresa. 

“Ligamos na empresa e a conversa é sempre a mesma: É para cair hoje. Infelizmente, o pagamento nunca cai” aponta Valéria.

Dinheiro público no ralo

A terceirização do trabalho dos funcionários de escola deu errado e precisa acabar. Além da precarização e da exploração dos(as) trabalhadores(as), o modelo custa mais caro e tem prejudicado a organização escolar, gerando falta de funcionários(as) para atender nas escolas.

“Infelizmente, o dinheiro público está indo por ralo abaixo e enchendo o bolso das empresas privadas. Por isso lutamos por concurso público, pois só assim nossos trabalhadores (as) serão tratados com mais dignidade e respeito”, enfatiza a Secretária de Funcionários de Escola da APP, Elizabete Dantas. 


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