Docência lidera ranking das profissões que pagam os menores salários para quem tem diploma

Docência lidera ranking das profissões que pagam os menores salários para quem tem diploma

Números mostram que quanto maior o percentual de mulheres na atividade, menor é a remuneração; pesquisa analisou média salarial no setor privado em 126 profissões listadas pelo IBGE

Foto: Yan Krukau / Pexels

Um estudo feito sobre a média salarial dos(as) trabalhadores(as) com ensino superior no Brasil, empregados(as) no setor privado, revelou dados nada positivos para a educação. De acordo com a pesquisa, os(as) educadores(as) aparecem no topo e em seis das 10 primeiras posições do ranking dos(as) profissionais diplomados(as) que recebem os menores salários no país. Os números também mostram que quanto maior o percentual de mulheres na atividade, menor é a remuneração. 

Liderando a lista estão os(as) professores(as) de ensino infantil, com salário médio de R$ 2.285. O valor é inferior a dois salários mínimos (R$ 2.640) e 48% menor do que o piso nacional do magistério para uma jornada de 40 horas semanais (R$ 4.420,55). Em segundo lugar estão “outros profissionais de ensino”, o que pode incluir funcionários(as) de escola com diploma superior. A remuneração média da categoria é de R$ 2.554. Na sequência, aparece “outros professores de artes”, com média salarial de R$ 2.669. 

Bibliotecários(as), documentaristas e afins ocupam a sexta posição (R$ 3.135) e educadores(as) para necessidades especiais a sétima (R$ 3.379). Professores(as) de ensino fundamental (R$ 3.554) amargam a décima colocação.

O levantamento é resultado de uma pesquisa do Ibre/FGV, realizada com base nas 126 profissões listadas na Pnad Contínua do IBGE. As informações foram divulgadas no último domingo (15) pelo portal UOL

O estudo também fez uma comparação entre o segundo trimestre de 2012 e o segundo trimestre de 2023. Enquanto a inflação acumulada no período foi de 91%, segundo o Banco Central, a média salarial dos(as) professores(as) de artes caiu 45%. A queda também foi grande para os segmentos de bibliotecários(as) (-32%) e “outros profissionais de ensino” (-23%). 

Com aumento real após mais de uma década, docentes da educação infantil tiveram variação de apenas 3% e educadores(as) do ensino fundamental 7%. Já a remuneração média dos(as) profissionais para necessidades especiais variou 14%, descontada a inflação.

Desigualdade de gênero

Para a pesquisadora que conduziu o levantamento, Janaína Feijó, uma das hipóteses para os baixos salários dos(as) educadores(as) seria a existência de uma oferta de mão de obra acima da demanda do mercado e profissionais em início de carreira.

“Geralmente, professores que ganham em média esses valores são pessoas em início de carreira, sem especialização e que tendem a trabalhar em escolas pequenas, com menor poder de aumentar o salário”, disse ela ao UOL.

Mas, na avaliação da secretária da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+ da APP-Sindicato, Tais Adams, a causa principal está associada a um problema estrutural e mais grave que afeta a sociedade brasileira, o machismo.

“A docência é, historicamente, vista como uma profissão ligada ao cuidado, tarefa cuja divisão de gênero cabe desproporcionalmente às mulheres. O trabalho, nessa ótica, é desvalorizado. O maior exemplo é o trabalho doméstico não remunerado exercido por mulheres ao cuidar do lar e da família”, exemplifica.

“Então não é por acaso que as professoras trabalham muito e recebem pouco. Lutar pela valorização da classe é lutar, também, por igualdade de gênero e justiça na divisão do trabalho”, complementa Taís.

Dados oficiais do Inep e da Capes evidenciam os argumentos da dirigente e mostram que quanto mais básico o nível de ensino, maior a proporção de mulheres que lecionam e, consequentemente, menor o salário.

Na educação infantil, as mulheres são praticamente a totalidade de quem educa no Brasil: 97,2%. No ensino fundamental, elas são 77,5% dos(as) docentes. No médio, o percentual de educadoras cai para 57,5%. Por outro lado, na educação superior, os homens são maioria, representando 52,98% do total de professores(as) dessa etapa.

Isso vai fechar em 0 segundos

MENU