A história tem revelado que somente a unidade dos trabalhadores e a sua luta coletiva garantiram os seus direitos mais elementares, mais básicos. Para nós, funcionários(as) de escola, a situação nunca foi diferente. As conquistas só foram possíveis com o empenho e sacrifício de todos(as). Nenhuma delas veio de graça. Foram, uma a uma, produto de nossa organização.
Sabemos que manter estas conquistas significa uma frequente e sistemática luta, como vem acontecendo aqui no Paraná nestes últimos anos, em especial a partir do governo Beto Richa. Essa história vem de longe. Dos tempos em que agíamos separados dos(as) professores(as) aos tempos recentes, quando unificamos nossas defesas.
Início – O ano era 1986. O governador era José Richa, pai do atual governador Carlos Alberto Richa. Durante o movimento grevista daquele ano, Richa pai recusou-se a dialogar com os(as) funcionários(as) de escola(as). Apenas os(as) professores(as) foram recebidos para negociar o fim da greve. Enquanto o governo fechava as portas, nós começávamos a articular os primeiros passos para organizarmos melhor nossa atuação por direitos. Naquele mesmo ano é criada a Associação dos Servidores(as) das Escolas Públicas do Paraná (Assep).
Quando a Constituição Federal permitiu a criação de entidades sindicais, tanto a Assep quanto a APP tornam-se sindicatos. Inicialmente, é adotada a denominação Sindicato dos Servidores das Escolas Públicas do Paraná (Sindesepar). Em 1991, o nome foi mudado e passou a ser chamado: Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Paraná (Sinte-PR).
Os tempos eram difíceis. Não havia concurso para efetivação dos(as) funcionários(as) de escola e o regime de contratação, baseado na CLT, criava uma certa instabilidade no emprego, dificultando a sindicalização. Além disso, o governo perseguia o movimento sindical, dificultando ainda mais o trabalho de organização e de sindicalização.
Durante oito anos (de 1990 a 1998), o Sinte-PR resistiu aos ataques do governo e as dificuldades que a instabilidade de emprego causava à manutenção financeira da entidade. Os obstáculos foram enfrentados pela determinação dos(as) funcionários(as) de consolidar o sindicato como entidade representativa da categoria.
Sinte-Pr e APP-Sindicato unificam as lutas em 1998 – Sem unidade coletiva qualquer segmento de trabalhadores(as) fatalmente fracassa na sua luta por conquistar direitos e dignidade. Mais impossível, ainda, é avançar com dois segmentos de trabalhadores(as) atuando no mesmo local de trabalho, mas de forma separada, como antes de 1998 faziam os(as) professores(as) e os(as) funcionários(as) da rede pública estadual do Paraná.
Estes fatores levam, a partir de 1995, os(as) funcionários(as) a trabalhar concretamente pela unificação de sua luta, de seu sindicato (Sinte-Pr) com o dos(as) professores(as) (APP-Sindicato). Neste ano, os dois sindicatos promovem o seminário ‘Trabalhadores da Educação: uma só categoria’. Estava estabelecido, assim, o ponto de partida para a unificação das pautas e lutas entre funcionários(as) e professores(as).
O texto de discussão preparado para o evento trazia como desafio, a necessidade de repensar a concepção de escola e de educação, uma vez que a unificação traria como exigência que olhássemos a atividade pedagógica para além da sala de aula, na medida em que diferentes sujeitos – professores(as) e funcionários(as), tornam-se corresponsáveis pelo ato de educar.
Os anos seguintes foram de amadurecimento da ideia, até que em 1996, no 7º Congresso Estadual da APP-Sindicato, o tema foi eleito como prioridade de discussão nas escolas. Em 1997, um congresso extraordinário que reuniu representantes do Sinte-PR e da APP-Sindicato aprovou o indicativo de unificação que precisava ser ratificado em assembleia de ambas categorias. Lançou-se a campanha: professores(as) e funcionários(as) de escola juntos em um só sindicato. Os(as) funcionários(as) referendaram a decisão de unir-se em um congresso em 7 de março de 1998 e os(as) professores(as) o fizeram em 25 de abril do mesmo ano.
Meio século depois da primeira organização coletiva de educadores no Paraná (a fundação da APP-Sindicato é de 1947), funcionários(as) e professores(as) deixam de lado suas diferenças históricas e culturais e definem um objetivo comum:enfrentar conjuntamente a dura conjuntura política e econômica que os próximos anos anunciavam, de retirada de direitos e de achatamento de salário.
Com a unificação, a nova entidade passou a ser chamada de APP-Sindicato dos Trabalhadores(as) em Educação Pública do Paraná. Para atender as pautas e reivindicações específicas dos(as) funcionários de escola, foi criada a Secretaria de Funcionários, sendo seu primeiro secretário José Valdivino Moraes.
Lá se vão 17 anos desde a unificação, em 1998. Nesse período, juntos, conquistamos a Lei do Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE), em 2002; concurso público e a criação da área 21 e do ProFuncionário, em 2005, e o Plano de Carreira, em 2008. Por essas conquistas, hoje a profissionalização já é uma realidade.
Evidente que novos desafios surgem e devemos estar preparados(as) para enfrentá-los. No entanto, o que essa história toda nos ensina é que será pela força da nossa união é que conseguiremos avançar ainda mais e atravessar o mar revolto das dificuldades e desafios.
Baseado no livro ‘Sou funcionário. Eu também educo!’, publicado pela secretária dos(as) Funcionários(as) em 2002.











