Diante de cancelamento da “Atividade Paraná Diagnóstica”, Sindicato cobra investigação rigorosa

Diante de cancelamento da “Atividade Paraná Diagnóstica”, Sindicato cobra investigação rigorosa

Segundo relatos de estudantes e profissionais da educação, a prova apresentou graves problemas de execução

Após inúmeras falhas e problemas na execução da prova “Atividade Paraná Diagnóstica”, realizada nesta quarta-feira (9), a Secretaria de Estado da Educação (Seed) cancelou a atividade em todo Estado. De acordo com relatos de profissionais e estudantes, a plataforma que hospedava o certame não suportou a alta demanda de acessos, além de ser idêntica ao certame realizado em Minas Gerais.

Elaborada pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd), a prova foi cancelada após problemas com a hospedagem da prova. Educadores(as) relataram ainda, que a prova é facilmente encontrada na internet, além de ser idêntica à avaliação diagnóstica aplicada pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais (Seed-MG), realizada este ano. Segundo informações da secretaria, a prova custou 13,4 milhões, conforme o contrato firmado com dispensa de licitação com o CAEd.

A APP-Sindicato reforça que uma avaliação padronizada não evidencia um diagnóstico coerente, consequentemente não cumpre a função de diagnosticar a educação e servir como instrumento de planejamento. “Sempre nos posicionamos contra uma avaliação em larga escala e padronizada pois este modelo não avalia as dificuldades dos estudantes. Uma prova diagnóstica real é feita por cada escola, atendendo demandas pedagógicas de suas unidades e com base no material trabalhado com os(as) estudantes, e isso se faz sem custo nenhum para o Estado.”, explica a secretária de Finanças da APP-Sindicato, Professora Walkíria Olegário Mazeto.

Ainda conforme mensagem enviada pela Seed para as direções escolares, não houve uma solução para os problemas técnicos, o que ocasionou a suspensão da avaliação neste primeiro momento.

O sindicato recebeu denúncias ainda sobre escolas que promoveram um verdadeiro “vale-tudo” para que a avaliação ocorresse de forma satisfatória. “Houve escolas que ofereceram pontos para aqueles que realizassem a prova, invertendo totalmente o objetivo da prova. Já em escolas cívico-militares, além de pontos da premiação com pontos, estudantes que não realizaram a prova perdiam nota na matéria de “Cidadania e Civismo”, disciplina exclusiva destas unidades”, ressalta Walkíria Mazeto.

Diante dos transtornos ocasionados pela “Atividade Paraná Diagnóstica”, a bancada da oposição da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), solicitou que o Ministério Público do Paraná (MP-PR) averigue a construção e execução da prova, que custou mais de 13 milhões aos cofres públicos. A APP-Sindicato também está ingressando em vários órgãos com pedido de investigação sobre este contrato.

“A contratação por dispensa de licitação, o valor elevado, bem como os problemas que envolveram os materiais e a plataforma para realização das atividades, o contrato celebrado entre a SEED e a Universidade Federal de Juiz de Fora merece ser minuciosamente analisado por este Ministério Público à luz dos princípios norteadores da Administração Pública”, aponta o documento.

Assinaram o pedido de providência os deputados(as) estaduais Professor Lemos (PT), Arilson Chiorato (PT), Luciana Rafagnin (PT), Tadeu Veneri (PT), Goura (PDT) e Requião Filho (MDB).


Confira aqui o documento na íntegra:

PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS MP-PR - ATIVIDADE PARANÁ DIAGNÓSTICA

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