Dia do Orgulho LGBTQIA+ reforça luta por respeito à diversidade e avanço nas políticas públicas

Dia do Orgulho LGBTQIA+ reforça luta por respeito à diversidade e avanço nas políticas públicas

Mesmo com avanços estruturais nas últimas décadas, a população LGBTQIA+ ainda luta para superar desafios como o preconceito no mercado formal de trabalho e outras formas de violência

Mobilizações de rua no Dia Internacional do Orgulho (28 de junho) chamam a atenção da sociedade para os direitos da população LGBTQIA+ - Foto: Altvista/APP-Sindicato - Arquivo

Mesmo com avanços estruturais, passados 56 anos do marco da Rebelião Stonewall, evento que deu origem ao Dia Internacional do Orgulho, a população LGBTQIA+ ainda luta para superar desafios como o preconceito no mercado formal de trabalho e outras formas de violência. Pesquisas mostram, por exemplo, que a taxa de desemprego das pessoas LGBTQIA+ é três vezes maior que a média geral da população.

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De acordo com as estimativas da Aliança Nacional LGBTQIA+, a taxa de desemprego para a população LGBTQIA+ foi de 20% no ano de 2024, com projeção de um aumento de até 40% para os próximos anos. Enquanto para a população geral, os dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram uma taxa de desemprego de 6,6% em 2024.

Já o estudo Inclusão Econômica e Geração de Renda da População LGBTQIA+ no Brasil: Desafios, Iniciativas e Financiamentos, realizado de outubro de 2023 a março de 2024, apontou que apenas uma a cada quatro pessoas LGBTQIA+ consegue ter emprego formal.

Outro levantamento, feito em 2024, pela iO Diversidade, realizado a partir de informações do Instituto Locomotiva e da QuestionPro, afirma que quatro a cada dez pessoas que se identificam como parte da comunidade LGBTQIA+ já sofreram preconceito ou discriminação em seu ambiente de trabalho.

Clau Lopes, secretário executivo da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTQIA+ da APP-Sindicato – Foto: Bruna Durigan / APP-Sindicato – Arquivo

Para o secretário executivo da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTQIA+ da APP-Sindicato, professor Clau Lopes, que também é ativista dos direitos humanos, além da dificuldade de inserção no mercado de trabalho, a discriminação e o preconceito também estão presentes mesmo no contexto social com avanços legais que reconhecem e garantem mais dignidade para as pessoas LGBTQIA+.

“As conquistas legais são passos essenciais rumo a uma sociedade mais justa e inclusiva, onde o orgulho prevaleça sobre a vergonha. Orgulho é ser quem se é com coragem, sem medo e de cabeça erguida. É lembrar que muitas pessoas lutaram para que pudéssemos estar aqui e seguimos lutando por quem ainda não pode ser livre”, destaca o professor.

Legislação e reconhecimento

Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união homoafetiva como núcleo familiar legítimo, equiparando-a às uniões estáveis tradicionais e assegurando direitos civis fundamentais. Outro marco do STF foi a criminalização da homofobia e transfobia, equiparando-as às penalidades da Lei do Racismo. Desde então, a prática, indução ou incitação de LGBTQIA+fobia (Lei 7.716/89) pode render de um a cinco anos de prisão, além de multa.

Complementando esses avanços, o Decreto Federal nº 8727/2016 garantiu a pessoas travestis e transexuais o direito ao uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero em documentos e processos públicos, combatendo a invisibilidade e promovendo a cidadania plena.

Clau Lopes reforça que apesar das conquistas legais e da luta que muitas pessoas percorreram para chegar até os dias de hoje, ainda há um caminho a percorrer para ter uma sociedade mais justa e inclusiva, onde o orgulho prevaleça sobre a vergonha e combata as violência enfrentadas e que precisam ser denunciadas.

O canal de denúncias oficial é o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). Em 2024, foram 5.741 casos de denúncias registradas de violência contra pessoas LGBTQIA+ no Brasil. Um número alarmante.

“Os dados atuais mostram a vulnerabilidade econômica e social que atinge a população LGBTQIA+ e que exige uma resposta imediata com políticas públicas mais eficazes e de um maior engajamento da população para reverter esse quadro”, afirma o professor Clau Lopes.

O cenário é desafiador, mas há um movimento crescente e iniciativas do governo federal para promover a inclusão como a Estratégia Nacional de Trabalho Digno, Educação e Geração de Renda para Pessoas LGBTQIA+, lançada em 2024. Já em junho de 2025, o governo lançou um edital para a adesão de empresas a esta iniciativa, buscando integrar pessoas LGBTQIA+ mais vulneráveis ao mercado.

Resistir com orgulho

Na capital paranaense, a 8ª Marcha da Diversidade de Curitiba acontece neste domingo (29), às 10h, na icônica Praça 19 de Dezembro, com o tema “Ainda Estamos Aqui: diversidade e democracia caminham juntas”.

Ao longo de nove horas ininterruptas, o evento promete ser um marco de celebração, resistência e visibilidade para a comunidade LGBTQIA+ .Serão 65 artistas no total, incluindo talentos solo, grupos e shows completos que tomarão conta dos palcos e trios elétricos.

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