Decisão do governo Ratinho Jr. para fechar escolas do campo leva "pesadelo" para comunidades rurais APP-Sindicato

Decisão do governo Ratinho Jr. para fechar escolas do campo leva “pesadelo” para comunidades rurais

Mães e pais de alunos(as) se dizem revoltados(as) com a posição do governo e lutam pela manutenção das escolas que atendem filhos(as) de pequenos(as) produtores(as)

Comunidade protesta contra decisão de fechar Escola do Campo Vista Gaúcha - Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook

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Moradores(as) de comunidades rurais do Paraná estão sendo surpreendidos(as) com a decisão do governo Ratinho Jr. que manda fechar Escolas do Campo. Revoltados(as), mães e pais dos(as) estudantes estão se organizando e pedindo apoio para impedir que as atividades dos estabelecimentos sejam encerradas.

Em Cascavel, a comunidade da Escola Estadual do Campo Jangada da Taborda chamou a imprensa para denunciar a situação. Andressa dos Santos, mãe de um aluno, contou à reportagem da TV Tarobá que ficou surpresa, pois nunca tinha escutado falar em fechamento de escola.

Escola Estadual do Campo Jangada da Taborda – Foto: TV Tarobá no Youtube / reprodução

“Chamaram a gente para uma reunião e quando chegamos começaram a explicar. Foi aí que a gente começou a compreender que não se tratava de apenas uma reunião, mas sim que eles já chegaram com uma documentação para o fechamento da escola. Não pediram a nossa opinião”, disse.

Escola Estadual do Campo Jangada da Taborda – Foto: TV Tarobá no Youtube / reprodução

Segundo a moradora, os participantes se levantaram e manifestaram posição contrária à decisão do governo. “Já estamos nos organizando para ver o que podemos fazer. É muita esperança que a gente depositou neste ano, mas a gente acaba de perceber que foi um sonho que virou pesadelo”.

À reportagem, Dircenéia Fernandes falou que a escola oferece uma boa estrutura, com bons professores(as) e funcionários(as) e aprendizagem. Fábio Leme reclamou da distância entre a comunidade e a escola para onde o governo pretende transferir a matrícula dos(as) estudantes.

“Daqui até lá na cidade dá uns 28 km. Nós dependemos muito deste colégio aqui, porque para nós, que moramos no sítio, é uma mão na roda. Meu filho ainda vai fazer mais um ano aqui. Para nós é perto”, disse.

População é totalmente contra

No final do mês de outubro, os(as) pequenos(as) agricultores(as) que moram no entorno da Escola do Campo Iolopolis, em São Jorge D’oeste, também passaram por esse processo. Representantes do Núcleo Regional de Educação (NRE) foram apresentar a decisão do governo. Após uma votação, o resultado foi unânime contra o fechamento da unidade.

Ontem (30) houve assembleia no Colégio Estadual do Campo Carlos Augusto Miranda Nichols, em Santa Mariana, no norte do estado. Lucas Fracaroli é residente no município e conta que o NRE não compareceu, mas que a reunião foi produtiva.

Colégio Estadual do Campo Carlos Augusto Miranda Nichols – Foto: Lucas Fracaroli

“Tivemos um apoio enorme da população, as autoridades do município e a APP-Sindicato também estavam presentes. Fizemos um abaixo-assinado e ontem coletamos mais de 100 assinaturas. Hoje já deve ter passado de 200. A população é totalmente contra o fechamento da escola”, conta.

Também nesta quinta-feira, a APP participou de mais duas assembleias, nas Escolas do Campo de Vista Gaúcha e Barão do Rio Branco, ambas do município de Pranchita, para fazer a luta pela manutenção das escolas .

Escola Estadual do Campo Vista Gaúcha – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook

Escola Estadual do Campo Vista Gaúcha – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Vista Gaúcha – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Vista Gaúcha – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Vista Gaúcha – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook

“Fechar escola é a morte da comunidade, e a assembleia de pais, mães, professores e funcionários está dizendo que não quer o fechamento”, comenta a presidenta do Núcleo Sindical da APP em Francisco Beltrão, Eliane Figura.

A dirigente chama a atenção sobre a importância das escolas do campo para manter o sonho dos(as) alunos(as) e a identidade das comunidades. 

“Queremos e lutamos, sim, por mais investimentos na educação pública e não o fechamento e a destruição de sonhos e das comunidades”, afirma.

Escola Estadual do Campo Barão do Rio Branco – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Barão do Rio Branco – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Barão do Rio Branco – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Barão do Rio Branco – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Barão do Rio Branco – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Barão do Rio Branco – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook
Escola Estadual do Campo Barão do Rio Branco – Foto: APP Francisco Beltrão no Facebook

“Nenhuma escola a menos”

As direções estadual e dos núcleos sindicais da APP-Sindicato estão fazendo um levantamento de mais escolas do campo que se encontram na mesma situação, como é o caso da Madre Cândida, de Arapuã, e da Maria Cristina Diniz da Cunha, em Terra Roxa. 

No Colégio Estadual do Campo Kamilla Pivovar da Cruz, de Tijucas do Sul, o governo quer fechar o ensino noturno.

O sindicato também estuda as medidas possíveis para impedir o fechamento dos estabelecimentos. Educação é um direito da sociedade e um dever do Estado, que tem a obrigação constitucional de garantir o acesso e a permanência a todos(as).

Conforme o Parecer Normativo 1/2018 do Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE/PR), a manifestação da comunidade escolar é uma das exigências estabelecida pelo colegiado para analisar os pedidos do governo de fechamento de escolas do campo, quilombolas, indígenas e de ilhas.

Mas mesmo com a manifestação contrária da população, a administração de Ratinho Jr. pode manter a decisão de encerrar as atividades se não houver uma grande mobilização que faça a Seed recuar.

O Conselho também solicita a apresentação de justificativa contendo informações como o número de estudantes, corpo docente e demais servidores(as), procedimentos a serem adotados para a salvaguarda dos direitos dos(as) alunos(as) e um diagnóstico do impacto da cessação.

Se a sua escola está sob ataque, saiba como resistir:

Organize a sua escola: Convoque toda a comunidade escolar, o grêmio estudantil e, se possível, lideranças e políticos(as) locais para uma reunião. Debata os prejuízos do fechamento e faça uma ata com a decisão da comunidade. Utilize dados e informações que justifiquem a permanência do período noturno. Colete a assinatura de todos(as) os presentes.

Faça-se ouvir: Organize um abaixo-assinado a partir da ata para que todos(as) possam manifestar apoio. Organize uma comissão e leve o documento ao Núcleo Regional de Educação, Ministério Público, Prefeitura, Câmara, Conselho Tutelar e outros órgãos. Acione a imprensa local e faça barulho nas redes sociais.

Conte com a APP: Procure o Núcleo Sindical da APP-Sindicato da sua região. Envie informações e a ata para APP estadual pelo e-mail [email protected]. Nas redes sociais, marque a gente: @appsindicato

Defenda a sua escola!

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