Decisão da UFPR de adiar concurso confirma que escolas não têm condições de retorno das aulas presenciais

Decisão da UFPR de adiar concurso confirma que escolas não têm condições de retorno das aulas presenciais

Medida foi tomada depois que se constatou a falta de condições das escolas estaduais para cumprir protocolo de biossegurança

Foto: Divulgação/UFPR

A Universidade Federal do Paraná (UFPR)  suspendeu neste domingo (22) a realização das provas do concurso para a Polícia Civil do Paraná, que estavam marcadas para o acontecer em Curitiba e Região Metropolitana. O motivo foi a falta de condições mínimas para evitar a disseminação do coronavírus nas escolas estaduais em que seriam realizadas. “Se as escolas não podem nem ter um concurso, que é um dia só, como retornar com aulas presenciais nesse momento?” questiona o secretário de Comunicação da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues.

Ansioso para tentar impor seu negacionismo à sociedade paranaense, o governador Ratinho Jr atacou em suas redes sociais a UFPR pela sensata decisão de não colocar em risco a vida de milhares de candidatos(as) e trabalhadores(as) envolvidos no concurso. Inaceitável é a postura do governador de tentar impor a volta às aulas presenciais a todo custo nesse grave momento da epidemia.

O concurso da Policia Civil tem 107 mil inscritos para disputar 400 vagas de delegado, investigador e papiloscopista. A possibilidade de adiamento das provas já havia sido cogitada depois de ação judicial da Defensoria Pública do Paraná e do Ministério Público do Trabalho neste sentido. Mas o Governo continuou insistindo em colocar a vida das pessoas em risco, até ser obrigado a constatar a falta de condições das escolas.

A abertura das escolas para aulas presenciais representa grave risco para as comunidades escolares. Casos de escolas fechadas por causa de surtos de Covid19 após as atividades da Semana Pedagógica têm sido noticiados pela imprensa paranaense. A RPCTV  mostrou que nove escolas da região de Maringá e três de Foz do Iguaçu foram fechadas devido à contaminação de profissionais da educação pelo coronavírus. Nesta segunda-feira, alguns veículos de comunicação, com informações do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sismuc) e do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal (Sismmac), noticiaram o fechamento de um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) em Curitiba, depois da contaminação de dois servidores(as).

A situação preocupa a APP-Sindicato, que é contra a volta às aulas presenciais neste momento da epidemia. Sílvio Borges, representante da APP em Foz, ressalta que o resultado dos dois dias de atividades pedagógicas presenciais na semana passada já estão custando caro para os trabalhadores(as) da Educação. “Nós retornamos nos dias 11 e 22 para a Semana Pedagógica, as escolas não estavam preparadas, os protocolos de biossegurança não estavam prontos. Entendemos que a formação deveria ser online, mas o Governo insistiu na formação presencial e o resultado está aí: temos cinco casos confirmados em Foz e mais dois casos em escolas do nosso Núcleo Regional”, afirma.

“O Governo do Estado não está tendo o cuidado necessário e esses casos, que aconteceram quando estão só professores e funcionários nas escolas, demonstram que será uma tragédia o retorno presencial”, alerta Borges. A APP já  registrou o fechamento de 55 escolas em todo o Paraná devido a surtos de Covid-19. As denúncias são encaminhadas pelos profissionais da educação à APP-Sindicato.