Dando adeus ao elefante branco | Artigo de Cláudia Gruber

Dando adeus ao elefante branco | Artigo de Cláudia Gruber

Renato Feder deixa o cargo de secretário da Educação no final do ano, porém, o estrago na educação pública está feito

Foto: Divulgação

Não deixará saudades! 

Renato Feder, o ainda secretário da Educação do Paraná, publicou um livro em 2011 (Carregando o Elefante), onde faz uma análise do país e propõe alternativas para transformar o Brasil numa grande potência. Mas o que vimos ali é a total destruição dos serviços públicos. Praticamente todas as propostas passam pela privatização e redução do Estado às suas funções mínimas. 

O livro é dedicado ao dinheiro, que segundo ele, é o símbolo da criatividade humana (sic!). Dentre as diversas “propostas progressistas”, há o enxugamento total do estado; a eliminação de leis que incentivem a cultura e os esportes; privatização total de escolas, universidades, presídios, hospitais e demais empresas estatais; abolição do Senado e da previdência social; redução do congresso; fusão de cidades e estados; eliminação de encargos trabalhistas; legalização de todas as drogas…

Felizmente, ele deixa o cargo no final do ano, porém, o estrago na educação pública está feito e, de quebra, Feder ensinou o caminho das pedras para o reeleito Ratinho Júnior, que enviou, neste mês de dezembro, algumas dezenas de projetos de Lei à Assembleia Legislativa seguindo a cartilha do empresário. Dentre eles, há a privatização de presídios e hospitais públicos e universitários. 

Na educação, a parceria com a rede privada, que pretendia ser iniciada em 27 escolas estaduais, não vingou, já que houve uma consulta pública às comunidades escolares e apenas duas compraram a ideia do empresário da Secretaria de Educação. 

As ideias de Feder caminham sempre rumo à meritocracia, à competitividade e ao lucro. Não há sinais de uma visão mais humanitária e igualitária na resolução dos problemas sociais que afetam a vida da comunidade escolar. Na lógica dele, não só o governo, mas tudo o que é público não passa de um grande elefante branco e nossa Constituição Cidadã de 1988 é um empecilho para o “futuro brilhante” do país. 

À frente da SEED, ele pôde colocar em prática suas sugestões e os experimentos foram os piores possíveis para o processo ensino-aprendizagem, já que tudo se resumiu a metas e resultados; transformando a vida de todos(as) os(as) profissionais da educação num verdadeiro inferno, pois para ele, os(as) professores(as) da escola pública são semi-analfabetos(as). 

O empresário desmereceu e ignorou toda a história da educação pública do nosso estado. Buscou incessantemente destruir nossas carreiras e jogou no lixo todo o trabalho educacional construído coletivamente pelos(as) educadores(as). 

Feder nunca fez jus ao cargo que ocupou. Não deixará saudades.    

**Cláudia Gruber, secretária executiva de Comunicação da APP-Sindicato e professora da rede estadual. 

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