Confusão: governo anula edital de privatização das escolas e lança novo de um dia para o outro

Confusão: governo anula edital de privatização das escolas e lança novo de um dia para o outro

Ratinho está determinado a transferir R$ 220 milhões para o bolso de empresários(as) ainda em 2023

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O governo Ratinho Junior suspendeu nesta quinta-feira (10) o Edital 02/2022 da Paraná Educação, que coloca à venda 27 escolas da rede estadual. Mas não há o que comemorar; outro edital, o 03/2022, já está no ar, maquiando pontos críticos denunciados pela APP sem, no entanto, abrir mão do central: a terceirização completa para a iniciativa privada.

A ânsia de entregar a educação pública para o mercado foi tanta que o governo “esqueceu” de aprovar o projeto inicial no Conselho de Administração da Paraná Educação, um dos motivos da anulação do edital. Suspeita-se, também, que as empresas não conseguiram cumprir com os ritos burocráticos em tempo hábil.

Tanto é que o cronograma já havia sofrido modificações após o prazo final de inscrições, em comunicado publicado no dia 8. A desorganização levou o órgão a suspender o Edital 02 em meio a uma reunião do Conselho ocorrida na tarde desta quinta (10) e a aprovar o novo texto no afogadilho, despachando o entra-e-sai às pressas no Diário Oficial.

A afobação do Estado é para assegurar a transferência de R$ 220 milhões para o bolso de empresários(as) ainda em 2023. Tem peixe grande contando com seu quinhão do dinheiro público e Ratinho Junior está determinado a não deixar os amigos na mão.

Só em Curitiba, as escolas particulares perderam 13 mil estudantes desde 2016, número próximo das 20 mil matrículas em oferta nas 27 escolas à venda. Outra coincidência: de acordo com levantamento do Plural, a mensalidade média da rede privada na capital é de R$ 867,11. Na liquidação de Ratinho, o Estado vai pagar R$ 800 por estudante para quem assumir as escolas. Se as empresas cumprirem as metas do edital, receberão mais.

O lucro é privado, mas o prejuízo é público. O novo texto, além de corrigir ilegalidades flagrantes, traz mudanças cosméticas que em nada alteram o principal: trata-se de um projeto piloto para acabar com a escola pública. A luta continua para salvar a educação que construímos ao longo de décadas de empenho e dedicação, por uma escola pública, gratuita e de qualidade para todos e todas.

A escola não é do governador, é da comunidade. #aESCOLAéNOSSA!


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