Composta majoritariamente por mulheres, educação tem poder de reduzir as desigualdades de gênero APP-Sindicato

Composta majoritariamente por mulheres, educação tem poder de reduzir as desigualdades de gênero

Valorizar a educação e suas trabalhadoras - professoras e funcionárias - é combater a desigualdade de gênero e injustiças históricas

Compondo 79,5% do corpo docente da educação básica segundo o Censo Escolar de 2023, na rede pública as mulheres são a maioria dentro e fora da escola. Porém a realidade sobre a disparidade salarial ainda é alarmante.

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As educadoras e educadores fazem parte de uma categoria mal remunerada e recebem menos do que trabalhadores(as) de outra área com a mesma formação. 

Os dados do Inep apontam que professores homens ganham, em média, 12% a mais que as colegas mulheres. 

Isso ocorre porque, conforme os níveis escolares avançam, a presença feminina cai: são 96% dos professores da educação infantil, 88% no ensino fundamental I, 67% no fundamental II e 58% no ensino médio. Já no Ensino Superior, onde estão as melhores remunerações, os homens respondem por 53% da docência (Censo Escolar 2023 e Censo da Educação Superior 2021)

Outro ponto importante: mesmo quando trabalham na mesma carreira, a maioria dos homens não enfrenta a dupla-jornada, o que se reflete nas oportunidades de qualificação que, muitas vezes, as educadoras são forçadas a abandonar. A elas, a criação dos filhos, o cuidado com a casa e o trabalho na escola. A eles, o trabalho na escola.

Não é por acaso. Para a sociedade, educar é uma tarefa feminina. Assim como o cuidado com o lar, trata-se de um trabalho desvalorizado. Fala-se em educar por amor, mas não por bons salários.

Sem as mulheres, não existe educação. Sem educação, não existe transformação na vida das mulheres. 

Violência de gênero como ferramenta de dominação

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, nos dois últimos anos 2.695 mulheres foram mortas pela condição de serem mulheres – 1.354 em 2020 e 1.341 em 2021. 37,5% das vítimas de feminicídio são brancas e 62% são negras. 

As crianças e adolescentes continuam sendo as maiores vítimas da violência sexual: 61,4% das vítimas de estupro no país tinham no máximo 13 anos em 2023. Aproximadamente 8 em cada 10 vítimas de violência sexual eram menores de idade. (Anuário de Segurança Pública 2023).

Em muitos casos, o agressor era um parente ou conhecido da família. A educação sobre gênero e sexualidade tem um papel fundamental para combater os índices de violência contra as meninas, identificando casos de abuso e realizando o encaminhamento da vítima à rede de proteção.

Para milhões de meninas, a escola é um porto seguro. Um local onde se aprende a reconhecer e denunciar o abuso e a violência de gênero, muitas vezes ocorridos em casa.

Já os dados do Ministério da Saúde demonstram que a gravidez na adolescência tem grande impacto na evasão escolar. Responsável por 14% dos partos no Brasil, a gestação precoce está entre as principais causas de abandono escolar, correspondendo a 23,8% dos casos entre jovens de 14 a 29 que não completaram alguma etapa da educação básica (PNAD contínua 2019).

A desigualdade de gênero é uma violência estrutural: possui raízes nos sistemas econômico, social e político. O governo, a escola, e todos os outros espaços reproduzem este ciclo de múltiplas formas, do assédio no trabalho à desvalorização profissional, da evasão escolar à violência contra nossas estudantes.

Valorizar a educação e suas trabalhadoras – professoras e funcionárias – é combater a desigualdade de gênero e injustiças históricas. 

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