Combater o racismo é também lutar pela garantia da vida e do trabalho durante a pandemia

Combater o racismo é também lutar pela garantia da vida e do trabalho durante a pandemia

Neste dia 13 de maio, em que é celebrado o Dia de Luta e Resistência ao Racismo, é necessário lutar contra a política genocida que ataca a população preta brasileira

Diante do grave quadro da pandemia que o Brasil enfrenta e com a falta de políticas públicas voltadas para a população negra e trabalhadora, o dia 13 de maio ecoa com um grito latente por respeito aos(às) brasileiros(as). A data que rememora a luta da população negra, tornou-se um dia de resistência para o movimento negro e salienta a necessidade da luta por equidade e melhores condições, principalmente a da vida neste momento de crise. 

Para compreender os efeitos do racismo que ainda persiste na sociedade brasileira, é necessário compreender como se estruturou a exploração racial e do trabalho no Brasil. De acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), após o fim da escravidão as classes dominantes não buscaram construir uma política de inserção dos ex-escravizados no novo formato de trabalho.

Atualmente, principalmente com a escalada de uma política negacionista do governo Jair Bolsonaro (sem partido), a qual opta por cortar direitos básicos e incentivar trabalhadores(as) a voltar às atividades presenciais mesmo em um momento crítico da pandemia no país, a população preta sofre ainda mais com os efeitos da exclusão. De acordo com o estudo realizado pela organização não governamental (ONG) Instituto Pólis, entre 1º de março e 31 de julho de 2020, a taxa de mortalidade da população negra na capital paulista foi maior que a da população branca. 

Segundo o estudo, a população negra que reside em são paulo, capital, foi de 172 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a taxa de mortalidade da população branca foi de 115 mortes a cada 100 mil. Já com o recorte de gênero e cor, a taxa padronizada de homens negros chega a 250 para cada 100 mil e mulheres negras 140/100 mil. Já na questão do desemprego, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2020, pessoas negras representam 72,9% dos desocupados do país, de um total de 13,9 milhões de pessoas nessa situação.

O secretário de Promoção da Igualdade Racial e Combate ao Racismo da APP-Sindicato, Professor Luiz Carlos dos Santos, aponta que neste 13 de maio é preciso refletir sobre a abolição inacabada, que demonstra os efeitos devastadores à sociedade neste cenário. 

“Hoje neste cenário de pandemia vemos a população negra e pobre no mais completo grau de vulnerabilidade social, a fome, o desemprego, a falta da vacina, que tem nos levado à morte. Voltamos a ser um país de miseráveis. ”, explica Luiz Carlos dos Santos.

Para enfrentar este quadro, o Professor Luiz Carlos enfatiza a necessidade de organização e de luta, principalmente com base nos ensinamentos do Educador Paulo Freire, visa uma sociedade justa e com uma educação libertadora. “O povo negro volta às ruas e exige vacina já, auxilio emergencial de no mínimo R$600,00, emprego e entre outras políticas que garantam nossa dignidade humana. Neste ano do centenário de Paulo Freire, seguimos na luta por uma escola sem racismo, na perspectiva de uma educação antirracista e livre de todo preconceito, a qual valorize uma perspectiva libertadora e includente”, completa o secretário.

Conquistamos, mas precisamos avançar

Anterior ao governo Bolsonaro e ao governo golpista de Michel Temer (MDB), a população negra junto com governos progressistas avançaram na instauração de políticas públicas que garantam a valorização no País. 

Entre elas estão: a criação do Dia da Consciência Negra (20 de Novembro), a Lei 10.639/2013, que visa valorizar a cultura Afrobrasileiras e Africana nas escolas, a Lei 12.711/2012 que instituiu cotas no ensino superior, a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e diversas ações afirmativas de combate a discriminação racial por meio de transformações culturais e políticas de representatividade.

Pela luta e pela conscientização, dia 13 de maio não é um dia de comemoração, é de luta contra o racismo!