CNTE cobra ação urgente do MEC para definir critério de atualização do piso do magistério com valorização da categoria

CNTE cobra ação urgente do MEC para definir critério de atualização do piso do magistério com valorização da categoria

Entidade afirma que não está descartada a possibilidade da edição de uma Medida Provisória para recompor a inflação com ganho real

Ministério da Educação- Foto: Ângelo Miguel / MEC

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) se pronunciou por meio de nota sobre o resultado do cálculo determinado no art. 5º da Lei 11.738/2008, que estabelece o índice de reajuste anual do piso do magistério. 

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A entidade critica o percentual previsto para 2026 e informa que solicitou audiência com o ministro da Educação para exigir uma solução. “Não está descartada a possibilidade de edição de Medida Provisória para recompor a inflação com ganho real”, informa o texto. 

O valor do piso do magistério é calculado com base na comparação do valor aluno-ano do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) dos dois últimos anos. Para este ano, o índice ficou em 0,37%. 

De acordo com a nota da CNTE, propostas para evitar esse tipo de situação, em que o reajuste fica abaixo da inflação, foram apresentadas no Fórum do Piso, desde 2023, com objetivo de “garantir o ganho real do piso, ano a ano, e descomprimir as carreiras do magistério nos estados e municípios”. 

“Contudo, o Fórum do Piso, desde maio de 2025, sofreu forte boicote do CONSED e, infelizmente, o MEC não conseguiu destravar as negociações que foram suspensas”, afirma o texto. 

Uma das propostas prevê a alteração do critério de atualização do piso, estabelecendo a recomposição anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais 50% da média de crescimento real das receitas do Fundeb dos últimos cinco anos.

Segundo a CNTE, essa conjuntura poderia ter sido evitada e ainda pode, desde que o Ministério da Educação passe a agir com urgência. “Para tanto, a CNTE informa que já solicitou audiência com o ministro da Educação. 

Funcionários(as) de escola

De acordo com a nota, além da discussão de alternativas ao critério de atualização do piso do magistério, a pauta inclui a definição de um cronograma para os trabalhos do Fórum do Piso e de acompanhamento do PL 2.531/2021, que institui o piso salarial para os(as) funcionários(as) de escola, em tramitação no Senado Federal.

>> Confira a íntegra da nota: CNTE critica reajuste de 0,37% no piso do magistério e cobra ação urgente do MEC 

Valorização dos professores(as)

O Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) do Magistério Público da Educação Básica é o valor mínimo que os(as) professores(as) devem receber em todo o território brasileiro. Tanto o piso quanto o reajuste anual são conquistas de lutas da categoria, para valorização do trabalho docente e melhoria da qualidade da educação. 

Essas políticas públicas estão determinadas na Lei 11.738/2008, proposta pelo então ministro da Educação, Fernando Haddad, e sancionada por Lula. Desde que a norma entrou em vigor, o salário inicial do magistério saltou de apenas R$ 950, em 2008, para os atuais R$ 4.867,77. Veja no final da matéria a evolução do piso, ano a ano.

Evolução do Piso Salarial Nacional dos Profissionais do Magistério Público

2008 R$ 950,00
2009 R$ 950,00
2010 R$ 1.024,67 (7,86% )
2011 R$ 1.187,08 (+15,84%)
2012 R$ 1.451,00 (+22,22%)
2013 R$ 1.567,00 (+7,97%)
2014 R$ 1.697,00 (+8,32%)
2015 R$ 1.917,78 (13,01%)
2016 R$ 2.135,64 (+11,36%)
2017 R$ 2.298,80 (+7,64%)
2018 R$ 2.455,35 (+6,82%)
2019 R$ 2.557,74 (+4,17%)
2020 R$ 2.886,24 (+12,84%)
2021 R$ 2.886,24 (0,00%)
2022 R$ 3.845,63 (+33,24%)
2023 R$ 4.420,55 (+14,95%)
2024 R$ 4.580,57 (+3,62%)
2025 R$ 4.867,77 (+6,27%)

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