CEE recebe denúncias sobre EJA 2020 e a realidade nas escolas do Paraná é mostrada

EJA 2020 está um verdadeiro caos, prejudica a comunidade escolar e retira direitos de estudantes

Foto: APP-Sindicato

Após o início do ano letivo, as denúncias sobre as dificuldades da Educação de Jovens e Adultos (EJA) estão se concretizando, conforme defesa da APP-Sindicato desde o final do ano passado, após o conhecimento da proposta que seria aplicada pelo governo do Paraná. Nesta manhã, dia 17, os(as) representantes da APP-Sindicato, estudantes, educadores(as), diretores(as) de escola participaram de uma reunião no Conselho Estadual de Educação (CEE) para rever a situação da EJA. Foi solicitada pela direção do Sindicato a revogação do parecer que o CEE fez notificando a modalidade da oferta da EJA.

A realidade vista nas escolas reflete a diminuição de estudantes matriculados(as), afinal, a proposta reduziu turmas decorrentes da implementação da modalidade ofertada em blocos semestrais e sem atendimento individual. Com muita mobilização do Sindicato junto à Secretaria de Educação e do Esporte (Seed) e ao Conselho Estadual de Educação (CEE) solicita-se a revogação da oferta atual de EJA.

A secretária Educacional da APP-Sindicato, Taís Mendes, explicou a contrariedade à apresentação do parecer do CEE, pois não dialoga com a realidade das escolas e também não teve debate amplo com todos(as) os(as) atores(atrizes) e sujeitos(as) que fazem parte do universo escolar e, principalmente, não garante o direito do aluno. “As denúncias que fizemos em dezembro estão sendo confirmadas no início deste ano letivo. A ausência da condição da oferta individual dentro coletivo não comporta a aprendizagem de alunos que mais carecem de orientação. O debate tem que continuar acontecendo e a educação especial não é contemplada dentro desta proposta.”

Nesta tarde, o grupo estará com o Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) dando continuidade às denúncias já pautadas pelo Sindicato.

A indignação da comunidade escolar – Confira os depoimentos de representantes das escolas, que pela solicitação da secretária Educacional da APP, Taís Mendes, conseguiram expressar o que está acontecendo com a atual modalidade EJA. É na prática que se constata a realidade:

1) Pedagoga Josilda (Ceebja Poty Lazzarotto) – “É questão de estarmos ou não respeitando não só a diversidade dos estudantes, como aspectos de tempo, de cultura e de trabalho. Ouvir os professores é muito importante, pois as nossas escolas esvaziaram por causa da oferta, e não por causa da escola e dos professores. Afinal, o sistema Seja (equivalente ao Sere para a Educação de Jovens e Adultos) também tem todas as informações de matrícula, frequência e término, utilizados inclusive pela própria Seed.”

2) Diretor auxiliar e professor Emerson (Ceebja Cic ) – “A proposta é inadequada. São diversas realidades de alunos que não conseguem frequentar as aulas no esquema que está posto os próprios alunos já denunciaram a situação em dezembro. Sendo que o número de alunos matriculados não confere com os que estão frequentando as aulas. Antigamente, quando percebíamos que o aluno não estava acompanhando o coletivo, havia um tempo para acompanhar individualmente. Hoje não é possível porque as ferramentas foram retiradas. Ou seja, vai ter uma classificação em massa só para aprovar os alunos? As APEDs ofertadas nas escolas municipais em Curitiba foram fechadas por incompatibilidade, pois o cronograma é fixo com cinco aulas, de segunda a sexta. As escolas municipais não têm esta disponibilidade e outras foram remanejadas para escolas estaduais sem condições de funcionamento.”

3) Estudante Ana Paula (Ceebja de Maringá) – “Não consegui concluir o estudo ano passado porque tive que fazer uma cirurgia – e agora como vou fazer? Ofertaram para que faça apenas uma prova, mas não quero, quero estudar. Eu trabalho e com esta nova lei não consigo. Queremos estudar e já procuramos a direção da instituição. Alguns dias que tenho apenas a primeira aula de manhã e depois só vou ter a última aula do dia. Tenho que ficar no colégio esperando. São vários casos de estudantes passando por isso.”

4) Professora Cibele e ex-diretora (Ceebja Manoel – Maringá) – “Já faz 23 anos que trabalho nesta modalidade. Jamais imaginei que fosse ouvir de um dos conselheiros que o nosso trabalho é uma porcaria. A Seed trata a proposta como se os casos, que são centenas e centenas, fossem exceções – e Seed ‘joga’ que nós não sabemos organizar a escola. O Estado afinal vê a educação como gasto ou como um direito? Para nós é uma glória fazer com que um aluno conclua o seu estudo, leve o tempo que precisar, como um aluno autista que às vezes leva 5 anos para concluir. A Seed nos trata como inimigos. Por que não dialogar? A nova EJA foi imposta e não dialogada.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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