Casos de violência explodem em cívico-militares do Paraná; militares lavam as mãos ou apoiam agressões APP-Sindicato

Casos de violência explodem em cívico-militares do Paraná; militares lavam as mãos ou apoiam agressões

Além da inação dos(as) monitores(as) militares para conter brigas, em dois casos eles(as) participaram - ativa ou passivamente - das agressões

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Em poucos dias, três casos de violência e cerceamento de direitos eclodiram em colégios cívico-militares do Paraná, demonstrando a fragilidade do modelo para cumprir a promessa de “segurança” e “disciplina”.

Pelo contrário; além da inação dos(as) monitores(as) militares para conter brigas, em dois casos eles(as) participaram – ativa ou passivamente – das agressões. A APP recebeu evidências das ocorrências, incluindo vídeos, mas não publicará o material para evitar a exposição das comunidades escolares.

Homem agride estudantes e militar diz que faria o mesmo

Na terça-feira, no Colégio Jayme Canet, de Curitiba, um homem branco não identificado e de grande estatura agrediu dois estudantes menores de idade em frente à escola com soco e empurrões. A gravação mostra que o agressor agiu com extrema violência, intimidando e ameaçando outros(as) alunos(as).


O monitor militar da escola não apenas não interviu como teria dito que “faria o mesmo”, de acordo com relatos de diversos estudantes que contataram a APP. 

“Quando fomos tirar satisfação com o monitor policial (subtenente), ele disse que isso que estava acontecendo ali era consequência das nossas ações, porque fizeram algo para o filho dele (o agressor). E que ele, o subtenente, faria o mesmo”, conta um dos(as) alunos(as). 

Em nota, a escola informou que está tomando as medidas cabíveis.

Os comentários na publicação demonstram a indignação de estudantes e pais com o ocorrido e, em especial, com a postura dos monitores militares.

Inação em Cambé

Já em Cambé, cidade que vive o trauma do ataque que tirou a vida de uma estudante do Colégio Estadual Professora Helena Kolody, uma briga generalizada em frente à escola Maestro Andrea Nuzzi culminou em um tiro de arma de fogo disparado para o alto, de autoria desconhecida.

O episório ocorreu nesta quinta-feira (22). Em nenhum momento os monitores militares tentaram impedir a briga.

De acordo com relatos da imprensa local, os pais não se sentem seguros com os(as) filhos(as) na escola e se dizem frustrados com o modelo cívico-militar. “Na hora da saída não havia nem uma viatura. Se tivesse uma viatura, essa situação não teria acontecido”, lamentou um pai.

Na capital do boné, é proibido estudar de boné

Outro vídeo recebido pela APP nesta sexta-feira mostra um monitor militar impedindo a entrada de um estudante no Colégio Polivalente Carlos Domingo Silva, o Premen de Apucarana. O motivo: o(a) aluno(a) está usando um boné, acessório vedado no manual das escolas cívico-militares.

Trata-se de uma flagrante violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e da Constituição, que garantem o acesso à educação como um direito inalienável e um dever do Estado. 

Nas imagens recebidas pela APP, é possível ver o militar impedindo o acesso do estudante, que insiste em tentar entrar. O episódio gerou caos e gritaria na portaria

Nas últimas semanas, a APP recebeu diversas denúncias de estudantes indignados(as) com as mudanças implementadas nas escolas militarizadas.  Os(as) adolescentes estão sendo obrigados(as) a cumprir uma série de regras estéticas consideradas abusivas e que não possuem qualquer relação com o ensino.

Casos escancaram falácia do modelo cívico-militar

Vendido à sociedade como uma solução mágica para os problemas da escola pública, o modelo cívico-militar tem se mostrado incapaz de cumprir as promessas da propaganda governamental.

“Ter um militar lá dentro não resolve nada. Pelo contrário; a inação aumenta a sensação de insegurança”, avalia Walkiria Mazeto, presidenta da APP-Sindicato.

“A violência não é um problema que vem da escola. A escola reflete a violência existente na sociedade, que precisa de políticas públicas sérias, e não de soluções mágicas. E de policiais nas ruas, no entorno das escolas, não dentro delas”, complementa. 

Paraná militarizado

O programa foi adotado em cerca de 200 escolas estaduais no primeiro mandato do governo Ratinho Jr. Até hoje, não há notícia de resultados positivos, mas o estado já conta com 312 estabelecimentos nesta modalidade.

A ampliação se deu em 2023, em um processo de consulta marcado pela condução autoritária do governo, sem prazo para o debate nem espaço para o contraditório, escandaloso uso da máquina pública, episódios de coação e censura a educadores(as) e estudantes, restrição ao voto de alunos(as), entre outras irregularidades que põem em xeque sua legitimidade.

Tais fatos foram amplamente documentados pela APP, que esteve presente nas escolas ao longo de toda a consulta, apesar das práticas antissindicais do governo condenadas pelo Ministério Público do Trabalho.

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