Cansados de enrolação: funcionários terceirizados fazem greve por pagamento e respeito

Cansados de enrolação: funcionários terceirizados fazem greve por pagamento e respeito

Em Cianorte e Toledo, profissionais contratados pelas empresas Especialy e Outpar protestam contra salários atrasados há meses

Sem salário, sem estabilidade e sem respostas. Essa é a realidade de muitos(as) funcionários(as) de escola terceirizados(as) em todo o Paraná.

Hoje (14), a APP-Sindicato acompanhou o primeiro dia de greves e protestos dos(as) contratados(as) das empresas Outpar e Especialy em Cianorte e Toledo.

Os atrasos no pagamento e o desrespeito com os(as) trabalhadores(as) são problemas recorrentes, já denunciados pela APP em outras oportunidades.

Como o governo não pune as empresas, elas se revezam em fazer poupança com o suor alheio, atrasando pagamentos, impondo descontos inexplicáveis e destruindo a organização pessoal de trabalhadores(as) e suas famílias.

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O Sindicato, mesmo não representando o segmento, também recebe relatos de paralisações e mobilizações em outras regiões do estado, como cidades dos Núcleos Sindicais de Campo Mourão e Assis Chateaubriand.

A APP acompanha de perto os inúmeros problemas desde o início das terceirizações.

“A direção estadual já estrou em contato com a Secretaria de Educação, com o departamento responsável pelas contratações, para que estas empresas cumpram o que está no contrato: o pagamento do salário até o quinto dia útil e do auxílio-alimentação até o dia 15 de cada mês. Nós da APP vamos brigar para que essas empresas sejam autuadas”, evidencia a secretária educacional da APP-Sindicato, Nádia Brixner

O governo não divulgou informações sobre o repasse feito às empresas, o que torna ainda mais incerta a vida funcional dos(as) trabalhadores(as).

O agente educacional Hiago Ferreira Vicente, do Colégio Estadual Iglea Grollmann, em Cianorte relata o desconforto.

“Eu faço parte dos funcionários contratados em agosto de 2021 pela Especialy e, deste então, não houve um mês em que recebemos o pagamento em dia. Já recebemos parcelado, já recebemos com duas semanas de atraso. A gente fica em uma incerteza que causa uma aflição enorme. Temos contas, todo mundo paga juro quando não cumpre um compromisso. Tivemos informações que a empresa vai precisar solicitar empréstimos para honrar suas dívidas. Mas a gente se pergunta, cadê o dinheiro que estão recebendo do governo?”, revolta-se o funcionário.

Em Toledo, a situação é tão caótica quanto em Cianorte. Os(as) agentes educacionais estiveram em frente ao Núcleo Regional de Educação para cobrar do chefe do setor José Carlos Guimarães respostas sobre as irregularidades.

“A APP apoia as manifestações. Acompanhei o ato de agora cedo e fizemos uma fala para denunciar que esta forma de contrato terceirizado tem afetado não só o bolso, mas também a saúde mental dos funcionários e isso impacta em toda a escola”, reforça a presidenta do Núcleo Sindical da APP de Toledo, professora Marilene Alves de Abreu.

O presidente do NS de Cianorte, professor Domingos Abel Gonçalves da Cruz Junior, evidencia outro aspecto da mercantilização da educação.

“Nessa ânsia por reduzir salários, o governo despreza toda a formação profissional do funcionário de escola enquanto um educador. No sindicato a gente luta por este reconhecimento, o que com a terceirização é jogado no ralo”, alerta o dirigente.

A terceirização do trabalho dos(as) funcionários(as) de escola deu errado e precisa acabar. Além da precarização e da exploração dos(as) trabalhadores(as), o modelo custa mais caro e tem prejudicado a organização escolar, gerando falta de funcionários(as) para atender nas escolas. Urge a revogação deste projeto e a realização imediata de concursos públicos.

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