Câmara dos Deputados aprova Sistema Nacional de Educação, mas proposta ainda precisa avançar, avalia CNTE

Câmara dos Deputados aprova Sistema Nacional de Educação, mas proposta ainda precisa avançar, avalia CNTE

Reivindicação histórica dos(as) educadores(as), para garantir educação de qualidade com equidade em todo o país, proposta foi modificada e retorna para nova análise no Senado

Foto: Bruna Durigan / Arquivo - APP-Sindicato

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (3) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 235/2019, que cria o Sistema Nacional de Educação (SNE). A medida é uma reivindicação histórica dos(as) educadores(as) e tem como objetivo articular as políticas educacionais e estabelecer normas de cooperação entre os entes federativos para potencializar os investimentos e garantir educação de qualidade com equidade em todo o país.

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Apesar de avanços, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) avalia que a proposta aprovada pela Câmara ainda está aquém das necessidades da educação e da valorização dos(as) trabalhadores(as). De autoria do Senado, o texto foi aprovado pelos deputados(as) com mudanças e, por isso, retorna para nova análise e votação dos(as) senadores(as).

Na semana passada, a CNTE já havia se posicionado sobre o primeiro parecer do relator e promoveu uma ampla mobilização virtual em conjunto com outras entidades da educação. A pressão resultou em mudanças importantes no texto aprovado nesta semana. 

Entre as conquistas está a reintrodução do Fórum Permanente de Valorização dos Profissionais da Educação, que acompanhará a progressiva valorização do piso salarial nacional do magistério e os planos de carreira. No entanto, a medida foi limitada apenas ao magistério e não prevê fóruns similares nos estados, Distrito Federal e municípios, como defende a CNTE.

Problemas persistem

Já entre os principais problemas, a CNTE destaca como retrocesso na gestão democrática a previsão do Fórum de Educação apenas na esfera federal, facultando aos estados e municípios a instituição desses colegiados de participação da sociedade civil. 

A tímida regulação da educação privada, a falta de diretrizes concretas para a construção do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SINAEB) e a perspectiva insuficiente de elevação do financiamento público educacional são outros problemas relatados.

A CNTE também critica a ausência de mais normas que vinculem todos os sistemas de ensino, inclusive em relação às orientações das instâncias gestoras do SNE, e a desresponsabilização dos(as) gestores(as) que descumprirem os regramentos educacionais.

Próximos passos

Defendendo o SNE como indispensável para garantir a execução do novo Plano Nacional de Educação e a necessidade de aperfeiçoamento para que a proposta cumpra seu objetivo, a CNTE comunicou que “continuará mobilizada para avançar em outros pontos que os/as trabalhadores/as em educação e a sociedade consideram importantes para melhorar a educação pública, com valorização de seus profissionais.”

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