Cada vida importa: obrigado(a), aos(às) profissionais que estão na linha de frente do combate à Covid-19

Cada vida importa: obrigado(a), aos(às) profissionais que estão na linha de frente do combate à Covid-19

APP-Sindicato presta uma homenagem em reconhecimento ao trabalho dos(as) milhares de médicos(as), enfermeiros(as), fisioterapeutas, técnicos(as) e agentes de limpeza que diariamente tratam e curam

Grafiti feito por Gustavo Nénão Foto: Caius Lucilius

Quando um(a) professor(a) entra em sala de aula ele trás consigo uma missão: ensinar para a vida. A educação tem como papel primordial formar cidadãos e cidadãs aptos(as) a usarem técnica e vivência para servir, gerar renda e sustento. Alguns desses(as) estudantes tornam-se médicos, enfermeiros(as), fisioterapeutas, fonoaudiólogos(as). Profissionais que, e em tempos de alta periculosidade, como é o caso das pandemias, lidam com a tênue limite que divide a vida e a morte.

Neste último ano, aumentou consideravelmente o número de(as) professores(as) e funcionários(as) de escola precisaram passar pelas mãos e pelo conhecimento dos(as) seus antigos estudantes: os(as) profissionais de saúde. O Coronavírus fez o mundo parar e convidou toda a sociedade para olhar para dentro dos hospitais. “É um momento de muita reflexão. Toda a nossa solidariedade e respeito aos trabalhadores da saúde do nosso país, pois são uma categoria onde, além de cuidar de nós,  muitos foram contaminados e muitos vieram a óbito”, reforça o presidente da APP-Sindicato professor Hermes Silva Leão.

O Sindicato acredita que a reivindicação por aulas online e pela ampliação do acesso dos(as) estudantes ao conteúdo é uma das muitas formas de demonstrar respeito aos(às) profissionais de saúde. “É por isso que a gente insiste que as escolas estejam fechadas, porque o colapso atinge diretamente esses profissionais que lidam com a vida cotidianamente, inclusive tendo que se submeter a situações terríveis com a falta de equipamentos e de medicamentos”, evidencia Hermes.

“Nos momentos em que a necessidade dos médicos é altíssima, isto é, durante as grandes epidemias, eles estão mais expostos ao perigo”. Friedrich Nietzsche

Carina Patrícia de Oliveira é técnica de enfermagem no Hospital do Trabalhador  e também trabalhou no Hospital Vitória (hospital de campanha exclusivo para pacientes com Covid instalado no CIC, em Curitiba).  Carina conta um pouco da sua rotina de mãe e trabalhadora da saúde.

Carina após um plantão onde atende vítimas do Covid-19

“Além do esgotamento físico e mental, tenho os filhos em casa que estão em vídeo aula que não saem de casa já um ano. Recentemente me separei, então a rotina está mais diferente, cada dia é um desafio, com a redução de frota de ônibus eu saio 30 minutos mais cedo de casa, quando estava no hospital Vitória saia de casa as 5h30 e voltava perto de 21 horas. Hoje estou só em um emprego, mas por necessidade financeira e de falta de pessoal faço muita hora extra, já cheguei a ficar 36 horas de plantão. Os meus pequenos estão sob o cuidado da minha mãe e da minha filha mais velha. Eu tenho muitas incertezas, por ser trabalhadora do SUS. Temo pelos cortes de investimento na saúde e percebo que o fim disso tudo está longe.

O maior desafio tem sido emocional, no início do ano meu ex-marido teve suspeita de COVID, e meus filhos estavam com ele, meu filho do meio estava com febre, e eu estava no plantão e não pude sair para cuidar dele. Eu eu tenho esse direito, mas seu eu saísse toda uma equipe seria prejudicada, eu choro muito nos plantões. É impossível não ver em cada paciente, meu pai, minha mãe, um amigo ou familiar, então nós, da linha de frente, estamos sob muita carga, além do medo, da exaustão física e emocional , as lutas cotidianas. Mas de cabeça erguida seguimos porque muitas pessoas dependem de nós”

O depoimento de Carina é um recorte da realidade que, muitas vezes, não é visto na grande mídia. “Rendemos todas as homenagens pelo belíssimo e desafiador trabalho que têm desenvolvido ao longo da pandemia.  Uma das melhores formas que o governo tem em mostrar respeito é manter as escolas fechadas, garantir os isolamentos sociais e priorizar os investimentos em saúde e educação”, afirma a secretária de Funcionários da APP-Sindicato, Nádia Brixner.

Para(as) profissionais da saúde que integram o quadro de servidores(as) do Estado os desafios vão além dos rotina diária nos hospitais. “Há uma defasagem de mais de 20% no nosso salário. Um acumulado que vem desde 2016, em relação a inflação baseada no IPCA [índice de preço ao consumidor amplo]. Em contrapartida o aumento da contribuição previdenciária subiu para 14%”, evidencia a coordenadora do Sindicato, Olga Estefania Duarte Gomes Pereira. “Além disso houve, neste período de pandemia, um aumento nos processos de gestão verticalizada, gestão autoritária, o que levou um aumento significativo no número de casos de transtornos mentais relacionados aos processos de trabalho”, reforça.

Para que estes(as) profissionais sejam reverenciados(as) como merecem, os(as) seus conhecimentos(as) devem ser respeitados(as), as suas carreiras assistidas e seus apelos(as) respeitados. Por isso, a APP-Sindicato defende que o Estado deve ter políticas públicas de incentivo a esse reconhecimento.

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