Escritora Beryl Gilroy | Guiana | APP-Sindicato

Beryl Gilroy | Guiana


Ao falar da Guiana, já vem a dúvida: qual delas? Sempre surgem dúvidas quanto a estes dois países, inclusive sobre a localização geográfica de ambas e as histórias (que não se confundem.) Você sabia que, no passado, já tivemos cinco Guianas? 

A Guiana da qual falaremos aqui, também conhecida como Guiana Britânica (ou Inglesa) é o único país anglófono da América do Sul e, ao contrário do que se pensa, os ingleses não foram seus primeiros colonizadores. 

Situada ao norte da América do Sul, faz divisa com Venezuela, Suriname e Brasil. Extremamente diversificada etnicamente, teve fluxos migratórios vindos de diversas partes do mundo, que se passaram a viver com os povos originários (aruaques), espanhóis, holandeses, franceses  e ingleses que ali se encontravam.

Guiana significa “terra das águas” e como seu litoral é repleto de mangues, não interessou muito os espanhóis que ali chegaram em 1949. Já em 1616, os holandeses fundaram seu primeiro forte na região, pois acreditavam que nesta região amazônica estaria o lendário “El Dorado”. Vieram escravos africanos, construíram-se sistemas de dragagem e drenagem e se iniciou o cultivo de tabaco e cana-de-açúcar.

Por causa da Revolução Francesa, em 1789, lá na Europa, os holandeses ficaram com receio de terem sua colônia tomada pelos franceses e pediram um favor aos ingleses: tomar conta das Guianas.  Depois disso, chegaram na Guiana, os hindus (1840), os portugueses (1880) e os chineses(1917). 

Diversos conflitos raciais e disputas  políticas aconteceram desde então e o país somente tornou-se independente em 1966, 467 depois da chegada dos primeiros europeus. O país vivenciou experiências socialistas, depois flertou com o intervencionismo, com a ditadura e hoje vive um regime democrático-presidencialista. 

Pela multiplicidade étnica, a Guiana é extremamente rica culturalmente, um verdadeiro mosaico que se formou sobre as “terras das águas” , porém, devido a uma grande desigualdade social e por sua independência tardia, há poucos nomes que se destacam  mundialmente no cenário cultural e artístico 

Na literatura, o país não tem nomes reconhecidos internacionalmente, mas há produções e autores que merecem destaque, como é o caso da belíssima trajetória da escritora e educadora Beryl Gilroy que estampa a nossa agenda de 2023, em julho. Mas quem é essa mulher? 

Sobre a escritora:

Nasceu em 1924 em Springlands e faleceu em 2001 em Londres. Deixa a sua referência como escritora caribenha, professora, psicóloga e uma das fundadoras do Camden Black Sisters, no distrito de Camden, em Londres. 

Aos 19 anos cursou a faculdade de formação de professores de Georgetown, sendo selecionada para seguir seus estudos no Reino Unido, graduando-se pela University of London. 

Sua carreira docente foi estabelecida pela Inner London Education Authority apenas na década de 1960 pelo racismo. Tornou-se a primeira professora negra de Londres e ficou muito conhecida na educação, chegou a ser vice-diretora da Beckford Primary School. Apesar de sua posição, ela muitas vezes recebia um salário inferior ao de seus colegas. 

Como professora e pesquisadora no Instituto de Educação da Universidade de Londres, ganhou destaque seu pioneirismo na psicoterapia com crianças e mulheres negras. 

Sobre as suas obras:

Seus escritos e ensinamentos transbordam a sua paixão, cuidado e dedicação pelo bem-estar e educação das crianças. 

Suas obras também retratam que ela pertencia a qualquer lugar onde houvesse criança, inclusive, a experiência de ter sido a primeira negra a assumir o cargo de diretora de uma escola em Londres, a West Hampstead Primary. 

Algumas das suas publicações tiveram alcance mundial, como Frangipani House, que teve 11 edições publicadas entre 1986 e 1995, mantida por 352 bibliotecas do WorldCat. É um romance recheado de detalhes e observações emblemáticas que abordam temas como a família, a terceira idade, questões culturais e de emigração. 

Escreveu também sobre as diásporas africana e caribenha e as experiências da escravidão.


Principais obras:

Black Teacher (1976)

Frangipani House (1986/1995)

Boy-sandwich (1989/1994)

In Praise of Love and Children (1994)

Gather the Faces (1998)


Fragmento da obra: 

Preface

Not so long ago a black teacher or a black child was a rarity in Britain. Attitudes to the few blacks then in the country were much the same as they are today but the was people deal whit them or react to them has altered. Blacks now assert themselves and demand their rights even if they don´t always know exactly what their rights are.

I have lived in England for nearly a quarter of a century. The longer one lives here the more aware one becomes that there is much prejudice but also a great deal of tolerance and a sense of fair play. I resent being called ´a black who has made it´because, every day of his life, a black has to make it whit himself. And that´s hardest of all.

Tradução livre:

Não faz muito tempo, uma professora negra ou uma criança negra era uma raridade na Grã-Bretanha. As atitudes para com os poucos negros da época no país eram praticamente as mesmas de hoje, mas a forma como as pessoas lidam com eles ou reagem a eles mudou. Os negros, agora, se afirmam e exigem seus direitos, mesmo que nem sempre saibam exatamente quais são seus direitos.

Vivo na Inglaterra há quase um quarto de século. Quanto mais se vive aqui, mais consciente se fica de que há muito preconceito, mas também muita tolerância e senso de equidade. Eu me ressinto de ser chamada de ‘preta que fez’ porque, todos os dias de sua vida, um preto tem que fazer mais que ele mesmo. E isso é o mais difícil de tudo.

GILROY, Beryl. Black teacher. Faber & Faber: Londres, 2021.


DICAS PARA TRABALHO EM SALA DE AULA: 

As riquezas desse país vizinho podem ser trabalhadas em várias disciplinas da Base Comum. Listamos algumas sugestões que podem enriquecer o trabalho em sala de aula. 

>> Acompanhe também: Julho das Pretas promove mês de debates sobre identidade e direitos das negras

>> História

A história da Guiana é cheia de conflitos e disputas políticas. O país também já foi palco de situações bem complexas que não envolviam diretamente seus habitantes. Exemplo disso, foi em 1978, em Jonestown,  quando ocorreu o famoso  suicídio-assassinato coletivo de novecentos fiéis do reverendo norte-americano James Warren, o Jim  Jones.

Saiba mais: BBC News

A Guiana é um país ultraconservador. Relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são criminalizadas, podendo, inclusive levá-las à prisão perpétua. Mas, felizmente, isso vem mudando com iniciativas corajosas da comunidade LGBT.

Saiba mais: Global Voices

Outro assunto controverso na Guiana é a maioridade penal. Sendo assim, adolescentes a partir dos 16 anos já são criminalmente imputáveis.

Saiba mais: Infogram maioridade penalÓpera Mundi

Curiosidades sobre a gastronomia da região.

Saiba mais: Gastronomia

>> Geografia

A Cachoeira do Velho conhecida como Cataratas de Kaieteur fica na região central da Guiana e tem 226 metros de altura (cinco vezes mais alta que a famosa Niagara Falls), por 100 metros de largura. De uma beleza exuberante, porém de difícil acesso aos visitantes, já que fica em um área de preservação ambiental do país. Mas, ainda assim é possível visitá-la.

Saiba mais: Kaieteur FallsPortal Amazônia – Kaieteur

>> Biologia / Ciências

A fauna da Guiana é rica e variada, idêntica à de outras regiões da Amazônia. Entre os animais nativos incluem-se a onça-pintada, jaguar, ocelote, marta, lontra, zorrilho, jupará, macaco, bicho-preguiça, tamanduá, capivara, paca, anta, caititu e veado.

Saiba mais: WikipediaOs reis da floresta

>> Química / História

A mineração é uma das maiores  fontes de recursos do país, sendo a bauxita o mineral mais explorado no país.

Saiba mais: UFRGSBauxita – Infoescola

>> Educação Física

Como não podia deixar de ser, o futebol é um dos mais populares e principais esportes da Guiana, porém não há times que se destaquem no cenário mundial.  Já o críquete é um esporte que alça o país no contexto internacional. A Guiana faz parte da equipe de críquete do Caribe.

Saiba mais: Críquete: conheça a históriaParada das Nações Tóquio 2020 – Guiana

Na Guiana, o ritmo musical predominante é o calipso. É um estilo musical afro-caribenho que anima as festas de carnaval do país. Além do calipso, o reggae é muito ouvido e, agora o soca, uma mistura de reggae e calipso com temáticas voltadas à atualidade. O cantor reconhecido mundialmente pelo sucesso “I don´t wanna dance”, Eddy Grant é guianês e, além dessa música, possui muitos outros hits.

Saiba mais: SocaBiografia Eddy GrantVizinhos do Brasil: Saiba tudo sobre a Guiana

Como houve uma imigração muito forte da Índia para a Guiana, lá há muitos descendentes do país que comemoram o Holi, um feriado hindu que, durante festivais locais, celebra a chegada da primavera. O detalhe é a decoração nas ruas das cidades. Tudo fica multicolorido, já que as pessoas jogam pó umas nas outras, resgatando lendas hindus.

Saiba mais: HoliVocê já ouviu falar na Happy Holi?

>> Português

Vale a leitura 198 Livros: Guiana – Frangipani House.

Saiba mais: Clique aqui


DICAS DE FILMES:

Confira o filme ambientado na  Guiana: JIM JONES: A Tragédia da Guiana


DICAS DE MÚSICAS:

Músicas de Eddy Grant  (https://www.kboing.com.br/eddy-grant)


IMAGENS DA GUIANA (clique aqui)

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