Atos em Curitiba e em todo o país marcam vitória da democracia contra atos golpistas de 8 de janeiro APP-Sindicato

Atos em Curitiba e em todo o país marcam vitória da democracia contra atos golpistas de 8 de janeiro

Manifestações cobram punição para todos(as) os(as) extremistas envolvidos(as) nos atos golpistas que depredaram as sedes dos Três Poderese instigaram uma ruptura democrática

Foto: Pamella Biernaski

Cidadãos, autoridades e instituições de todas as regiões do país realizaram nesta segunda-feira (8) atos para marcar um ano dos ataques golpistas em que eleitores(as) de Jair Bolsonaro depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Em Curitiba, a manifestação em defesa da democracia aconteceu na Rua XV de Novembro e contou com a participação de professores(as), funcionários(as) de escola, estudantes e dirigentes da APP-Sindicato.

“Relembrar essa data é de extrema importância porque o dia 8 de janeiro vai ficar marcado na história como um dia de interrupção de um golpe de estado, um dia em que as instituições e o povo brasileiro resistiram em defesa da democracia, dos direitos sociais, da constituição e dos direitos humanos”, afirmou a secretária de Assuntos Jurídicos da APP e vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marlei Fernandes.

Foto Pamella Biernaski

Para o secretário executivo da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTI+, Clau Lopes, o 8 de janeiro passou a ter significado relevante para a história do país, pois recorda a resistência do povo contra uma tentativa de golpe organizada por pessoas que não respeitam o voto popular.

“Resistimos, permanecemos unidos e fortes e, juntos, estamos reconstruindo o país. Defender a democracia é mais do que um compromisso cívico, é a salvaguarda dos princípios fundamentais que sustentam sociedades livres. Hoje celebramos para não esquecer, para que nunca mais aconteça”, disse.

Sem anistia

Uma das principais reivindicações apresentadas pelos(as) participantes é que todos(as) os(as) envolvidos(as) no episódio do 8 de janeiro de 2023 sejam responsabilizados(as). A avaliação é de que, embora as instituições tenham contido as intenções do movimento golpista, a democracia brasileira segue em risco.

Marlei cita como exemplo o crescimento de grupos extremistas solicitando intervenção militar e negacionistas que tentam amenizar as crueldades e fatos historicamente comprovados cometidos pela ditadura militar de 1964. “Estamos nas ruas para dizer golpe nunca mais, ditadura nunca mais, direitos humanos sempre, democracia sempre, liberdade de expressão e vida melhor para o povo brasileiro”, afirmou.

Foto: Ricardo Stuckert

A punição dos(as) vândalos(as) que atentaram contra a democracia também marcou o tom da solenidade “Democracia Inabalada” realizada em Brasília com a presença dos presidentes da República, do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre outras autoridades.

“Não há perdão para quem atenta contra a democracia, contra seu país e contra seu próprio povo. O perdão soaria como impunidade, e a impunidade como salvo-conduto para novos atos terroristas no País”, disse o presidente Lula, afirmando que não haverá anistia para os extremistas.

 

“Lembrar para não repetir”

Parlamentares paranaenses também se posicionaram nas redes sociais. “A democracia prevaleceu e sempre prevalecerá. Seguiremos sempre na luta pelo seu fortalecimento. Que 8 de janeiro de 2023 seja sempre um lembrete: é preciso estar atento e forte”, escreveu a deputada federal Carol Dartora (PT).

“Estamos aguardando que o maior beneficiário destes atos, o ex-presidente Bolsonaro, seja punido pelo ataque à nossa democracia. Criminosos não merecem anistia!”, cobrou o deputado federal Tadeu Veneri (PT).

“O golpe fracassou, nossa democracia resistiu e ela segue inabalada porque nós não permitimos e jamais permitiremos que voltemos aos porões dos quais saímos ao final da Ditadura Militar. Lembrar para não repetir!”, comentou a deputada estadual, Ana Júlia (PT).

Rastro de destruição

Inconformados com o resultado das eleições de 2022, em que a maioria do povo elegeu o presidente Lula, apoiadores de Jair Bolsonaro, candidato derrotado, se mobilizaram em torno de reivindicações criminosas e inconstitucionais, como o pedido de “intervenção militar”. 

Acampados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, na tarde do dia 8 de janeiro de 2023 os(as) extremistas(as) saíram em direção a Esplanada dos Ministérios e, usando paus, pedras, barras de ferro e até coquetéis molotov, furaram o bloqueio policial, invadiram e depredaram o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

No rastro de destruição, os(as) golpistas quebraram obras de artes, vidraças, danificaram mobiliários e documentos. O objetivo era instigar um caos em todo o país e a adesão das forças militares ao movimento golpista.

A iniciativa foi contida com uma resposta rápida das instituições e o repúdio da sociedade. Em torno de 2 mil pessoas foram detidas. No mês de setembro, o STF condenou o primeiro réu. 

Pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada, Aécio Lúcio Costa, de 51 anos, recebeu uma pena de 17 anos de prisão.

O caso também foi objeto de uma Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) no Congresso. O relatório final pede o indiciamento de 61 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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