Ato denuncia violências do governo Ratinho Jr. e marca os 11 anos do Massacre do Centro Cívico

Ato denuncia violências do governo Ratinho Jr. e marca os 11 anos do Massacre do Centro Cívico

Mobilização organizada pela APP-Sindicato reuniu educadores(as) em frente ao Palácio Iguaçu, mesmo sob chuva; nas escolas, dia foi de reflexão sobre as violências de 2015 e do período atual

Ato denuncia violências do governo Ratinho Jr. e marca os 11 anos do Massacre do Centro Cívico - Foto: Gabriela Zadvorne / APP-Sindicato

Curitiba amanheceu, nesta nesta quarta-feira (29), sob o peso da memória do Massacre do Centro Cívico, o episódio de extrema violência do Estado contra professores(as), funcionários(as) de escola e outras categorias do funcionalismo estadual, registrado na mesma data, durante a gestão Beto Richa (PSDB), em 2015. Mesmo com chuva, servidores(as) se reuniram em frente ao Palácio Iguaçu, na manhã de hoje, para uma manifestação organizada pela APP-Sindicato. O ato fez memória dos 11 anos do massacre e denunciou as violências do governo de Ratinho Jr. contra os(as) trabalhadores(as) da educação.

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“Hoje trazemos a denúncia da violência salarial, pois o governo Ratinho Jr. nos impõe um salário de fome. Todas as demais secretarias têm salários maiores para a mesma jornada e a mesma escolaridade. Temos o terceiro pior salário do Brasil, enquanto o governador faz propaganda de que é a melhor educação do país e o melhor Ideb. Estamos na rua para fazer memória, mas para fazer a luta que nos cabe este ano por melhores salários, dignidade e condições de trabalho”, afirma a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.

Ato marca os 11 anos do 29 de Abril de 2015 – Foto: Altvista / APP-Sindicato

Como forma de marcar a memória, a luta e a denúncia, educadores(as) de Curitiba, Região Metropolitana e interior do estado realizaram um ato carregado de emoção e simbolismo. Após concentração na Praça Nossa Senhora de Salete, saíram em caminhada até a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde fixaram rosas brancas nas grades do prédio, mesmo local que há 11 anos foi cercado por forças policiais e transformado em cenário de guerra.

Na sequência, se dirigiram ao Palácio Iguaçu, que fechou as suas portas com a chegada dos(as) trabalhadores(as). Na entrada do prédio onde fica o gabinete do governador, os(as) educadores(as) discursaram sobre as violências do atual governo do Paraná. Walkiria destacou que, se em 2015 o governo de Beto Richa usou bombas e helicópteros, hoje a gestão Ratinho Jr. utiliza ataques silenciosos, mas igualmente devastadores, contra a valorização e a saúde mental dos(as) trabalhadores(as) da educação.

Walkiria Mazeto, presidenta da APP-Sindicato, denuncia violências do governo Ratinho Jr. – Foto: Altrvista / APP-Sindicato

“A gente relembra, faz memória, mas a gente também luta para ter escola pública de qualidade, com profissionais valorizados, com condição de trabalho, porque assim ganha toda a sociedade. Não existe educação de qualidade se os profissionais que fazem essa educação também não tiverem qualidade de vida”, pontua o secretário de Assuntos Municipais da APP-Sindicato, Celso dos Santos.

Celso dos Santos, secretário de Assuntos Municipais da APP-Sindicato – Foto: Altvista / APP-Sindicato

“Chegar aqui no Centro Cívico hoje, 29 de abril, é um momento difícil, porque ele resgata lembranças de tudo aquilo que a gente viveu em 2015. Se lá em 2015 a violência foi física, hoje a violência tem sido psicológica. E ambas as violências doem demais, machucam, maltratam a quem só fez e faz pela educação do Paraná”, comenta a secretária executiva de Comunicação da APP-Sindicato, Claudia Gruber.

Claudia Gruber, secretária executiva de Comunicação da APP-Sindicato – Foto: Gabriela Zadvorne

A presidenta Walkiria ressalta que o 29 de Abril não é apenas uma data do calendário de luta. “A APP-Sindicato segue em estado de mobilização permanente, exigindo que o governo cesse a política de desmonte e valorize, de fato, os educadores que constroem a educação pública paranaense. A memória do dia 29 de Abril é para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”, finaliza.

Ato marca os 11 anos do 29 de Abril de 2015 – Foto: Altvista / APP-Sindicato

Além do ato em Curitiba, nas escolas o dia de debates e reflexão. Os(as) educadores(as) elaboraram cartazes com as reivindicações da campanha salarial deste ano e murais de fotos com mensagens sobre o episódio de violência ocorrido em 2015, demonstrando que, apesar das cicatrizes, a categoria permanece de pé e unida na defesa da escola pública e da dignidade profissional.

Jamais Esqueceremos!

O Massacre do Centro Cívico chocou o país e teve repercussão internacional. A hostilidade teve início quando professores(as), funcionários(as) de escola e servidores(as) de diversas categorias protestavam em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), no dia 29 de abril de 2015. O alvo das manifestações eram as propostas do então governador, Beto Richa, que previam aumento de impostos, alterações drásticas no regime de Previdência dos(as) servidores(as) públicos(as) e cortes em investimentos. Diante das medidas, a categoria deflagrou greve e estabeleceu um acampamento na região do Centro Cívico, em Curitiba.

 

No dia da votação do chamado “pacotaço”, o governo estadual autorizou uma operação policial para impedir que os(as) manifestantes acompanhassem a sessão legislativa. A repressão resultou em um cenário de guerra em plena praça pública. Sob ordens do Executivo, a Polícia Militar utilizou cassetetes, spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os(as) trabalhadores. A ação violenta e desproporcional deixou 213 pessoas feridas, sendo 14 em estado grave, consolidando o episódio como um dos capítulos mais sombrios da história política do Paraná.

Memórias

Onze anos depois, o ato de hoje também foi marcado pelo reencontro de gerações que carregam as marcas físicas e emocionais da violência do Estado. Para quem estava no Centro Cívico em 2015, o sentimento de voltar ao local é de superação e dever cumprido.

A pedagoga aposentada, Lindamir Inês de Oliveira Faria, do Núcleo Sindical da APP-Sindicato de Jacarezinho, conta que relembrou o horror das bombas. “Aquele dia foi demais. O pessoal com sangue escorrendo, o gás lacrimogêneo. Lembro de um policial que me ajudou com um pano com vinagre, porque a esposa dele também era professora”, diz. 

Para a educadora, com 36 anos de magistério e 76 anos,  a luta atual é a continuação daquela resistência: “A gente quer de volta o que tínhamos como o piso e a valorização. Estar aqui hoje é indicar nossa insatisfação”, completa.

Já a educadora que veio de Francisco Beltrão, Valderez Aparecida de Araújo Boen, 69 anos, traçou um paralelo histórico entre o 29 de abril e o 30 de agosto. Com 42 anos de dedicação à sala de aula, ela recorda que o massacre de 2015 foi a experiência mais triste de sua carreira. 

“Foram três horas de bombas caindo de helicópteros. Eu recebi um jato de gás de pimenta no rosto a menos de um metro”, relata. Valderez reforça que a política de desmonte é a mesma: “Hoje estou aqui não para comemorar, mas para relembrar aquele massacre. Não existe um governo pior, eles se igualam no desrespeito a quem dedica 40 anos à educação”, afirma.

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