APP traz para dentro do Sindicato o debate sobre assédio moral e adoecimento da categoria


(Foto: APP-Sindicato)

Com o objetivo de aprofundar o debate em torno do assédio moral, de explorar o conceito, de possibilitar que o(a) educador(a) possa reconhecer os aspectos que possibilitem identificá-lo e tratá-lo como consequência da organização do trabalho e não como inerente ao trabalho e, ainda, de identificar ferramentas de solução e prevenção dos casos de assédio moral é que a APP-Sindicato reúne, neste final de semana, educadores(as) de todo Estado, na sede do Sindicato.

O Seminário de Assédio Moral, Condições de Trabalho e Adoecimento começou com o auditório lotado e ansioso pela fala do advogado e assessor do Sindicato dos Engenheiros (Senge-PR), Eduardo Faria Silva, que retratou a definição de assédio moral como uma conduta abusiva, intencional, frequente e repetitiva que coloca inicialmente o trabalhador(a) sob riscos psicossociais como insegurança, falta de autonomia, falta de confiança, competitividade excessiva, podendo evoluir para  problemas que afetem a saúde física do(a) trabalhador(a).

Outra das falas aguardadas nesta manhã de abertura foi a da professora da rede pública do Rio Grande do Sul e doutora em Educação, Juçara Maria Dutra Vieira. A professora resgatou do conceito de dominação dentro da história do Brasil como um dos fatores que contribuem para a propagação de relações de abuso. “Fomos colonizados e passamos séculos em uma relação de elite e povo dominado. Vivemos, agora um período de extrema violência contra a democracia, contra os movimentos sociais e contra quem pensa diferente: as pessoas com visão humanista, por exemplo. Desconstituir, desqualificar, desmoralizar são formas de abalar a condição moral do outro”, argumenta a professora.

A professora Juçara apresentou também, em primeira mão, parte dos resultados de uma pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). No trabalhado, a pesquisadora observou que dentre as três primeiras queixas em relação às condições de trabalho nas escolas, em todo Brasil, está o assédio moral. “Ficou muito claro que, uma ampla parcela do número de entrevistados e entrevistas colocou a questão do assédio por concepções ideológicas como fator que limita e atrapalha o cotidiano escolar. Esse relatório será apresentado em agosto. Vamos chamar outros profissionais para discutir essa pesquisa e mensurar maneiras de trabalhar com essa e outras questões apontadas”, antecipa a educadora.

Após as mesas de debate, os(as) participantes foram convidados(as) a dar seus depoimentos e apresentar suas considerações sobre as questões. Os desafios apontaram ser importante fazer o debate também no contexto de disputa de projetos da sociedade. Para categoria, o fortalecimento da esfera pública permite que se ampliem os direitos e se encontrem os caminhos na disputa da conscientização da sociedade. “É fundamental essa discussão trazida pela APP. Quando não temos respostas temos que ampliar as perguntas e focar estes debates nas escolas. O grande problema do assédio e da falta de democracia está na natureza do seu conteúdo, mas, o principal problema é tornar o fato individual, com reflexo individual, mas o adoecimento é social”, aponta Faria Silva.

A funcionária de escola e dirigente estadual da APP, Mariah Seni Vasconcelos, sintetizou o debate no contexto da trajetória de lutas dos(as) funcionários(as) de escola. “O debate fortalece as relações. Nós funcionários avançamos muito em reconhecimento de carreira. Temos um salto de qualidade devido muito ao nosso trabalho e a nossa luta. Estamos em um Sindicato e em uma Confederação que propiciam essas condições”, afirma.

O Seminário de Assédio Moral, Condições de Trabalho e Adoecimento continua à tarde com a análise da saúde do trabalhador e trabalhadora e com a exposição de experiências.