APP-Sindicato declara apoio a greve dos(as) trabalhadores(as) dos Correios

Funcionários(as) da estatal lutam contra a privatização e por reconhecimento do trabalho de milhares de brasileiros(as) que atuam na instituição

Foto: SINTOCOM-PR

Durante o começo dessa semana, servidores(as) dos Correios deflagraram greve nacional em defesa da Estatal. A mobilização tem como objetivo lutar contra a privatização da empresa, que foi incluída nos planos de privatização do governo federal. Funcionários(as) de 20 estados cruzaram os braços contra as intenções do governo e contra a posição da direção da empresa de não negociar um acordo coletivo.

Iniciada às 22h desta terça-feira (10), a greve nacional segue por tempo indeterminado. Segundo representantes sindicais da categoria, “todos os 36 sindicatos de trabalhadores(as) dos Correios aderiram à greve”. No Paraná, o Sindicato dos(as) Trabalhadores(as) em Empresas de Comunicações Postais, Telegráficas e Similares do Paraná (SINTOCOM-PR), a decisão foi votada em assembleia, nesta sexta-feira(13). “O SINTCOM-PR decidiu hoje em assembleia pela continuidade da greve, juntamente com os 27 estados do Brasil e também ficou definido as assembleias marcadas para o dia 17 de setembro. As reivindicações dos(as) trabalhadores(as), apresentado como proposta em 12 de junho, era a manutenção do acordo coletivo garantindo os direitos dos(as) trabalhadores(as) e a reposição da inflação, que não ultrapassa a 3,25%. A greve só aconteceu, por conta da ausência da ECT nas reuniões de negociação durante mais de 80 dias”, destaca a dirigente da instituição, Silvana Silva de Souza.

Silvana de Souza destaca que a privatização significará a demissão de mais de 100 mil trabalhadores(as), além da falta de serviço para mais de 60% da população brasileira. ” Somente os Correios atendem nos 5.570 municípios do território nacional, e somente 324 destes municípios dão lucro. Mesmo assim o Correios assumi o compromisso social com o cidadão brasileiro, atendendo em cada região do país. Os(as) grandes empresários jamais vão querer atender qualquer cidade que não dê lucro”.

Com a privatização, o país pode perder o direito de comunicação e a garantia de ter suas encomendas ou cartas entregues em todo país. ” Se for um(a) empresário(a) que necessita dos serviços dos Correios em território nacional e mora num pequeno centro e precisa entregar numa grande cidade ou vice-versa, não poderá mais garantir o seu serviços nem mesmo pagando. Pois nossos concorrentes, que atuam na mesma área só trabalham em troca de lucro. Não existirá mais uma tabela estabelecida de preços, ou seja cada empresa poderá fixar o seu próprio valor se aproveitando da região que está ou da dificuldade da população”, enfatiza a dirigente.

Campanha contra a privatização

Os Sindicatos da categoria iniciaram uma mobilização, coletando assinaturas para o abaixo assinado contra a privatização dos correios. Segundo o SINTOCOM-PR, é necessária a coleta de um milhão de assinaturas até o dia 30 de setembro, data em que deve ser apresentada para os(as) parlamentares e para que os mesmos possam trabalhar em favor da categoria.

“Cada trabalhador(a) deve entender que o nosso maior trabalho neste momento é defender o nosso emprego, o que nos garante o pão na mesa, e também a liberdade de sonhar e realizar sonhos. O(a) trabalhador(a) que não estiver disposto a lutar, também não tenho direito de sonhar”, finaliza Silvana de Souza.

APP-Sindicato declara apoio a greve

A APP-Sindicato entende que a luta dos(as) trabalhadores(as) dos Correios é necessária para manter a soberania nacional e a garantia de empregos dos(as) milhares da trabalhadores da instituição. Confira a nota escrita pela direção estadual do Sindicato.

NOTA PÚBLICA DE APOIO À GREVE DOS CORREIOS

“A APP-SINDICATO expressa solidariedade e apoio à greve dos(as) trabalhadores e trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), iniciada no dia 11 de setembro.

Após sucessivos adiamentos das negociações por parte dos Correios, a empresa sob o comando do general Floriano Peixoto, não recebe os trabalhadores para negociar desde o dia 12 de junho, somente comparecendo a reuniões por mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Com a proposta de privatização e entrega deste setor estratégico, este é o momento de discutir a importância dos Correios para a sociedade, não apenas pelos impactos causados pela paralisação, mas pela necessidade de repensar as relações de trabalho, os problemas reais do povo brasileiro como o desemprego e – principalmente – o projeto de desmonte do Estado que quer destruir o patrimônio público brasileiro.

Para a APP-SINDICATO, defender a liberdade de organização sindical, o respeito à mesa de negociação, a defesa dos Correios como empresa pública e patrimônio da sociedade e a negociação da Campanha salarial 2019 sem corte de direitos é tarefa de todo o movimento sindical.

Todo apoio aos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios em suas reivindicações. Em defesa dos Correios como empresa pública. Não à privatização e corte de direitos propostos como “medidas estruturantes” pelo governo Bolsonaro”.

DIREÇÃO ESTADUAL DA APP-SINDICATO

12 de setembro de 2019