Professores(as) e funcionários(as) de escola da rede pública estadual de ensino têm utilizado as redes sociais nos últimos dias para cobrar do secretário da Educação, Roni Miranda, e do governador Ratinho Jr. (PSD) o atendimento das reivindicações da Campanha Salarial 2026. Para aumentar a pressão, a APP-Sindicato está convocando a categoria para participar de um Ato por Justiça Salarial Já!, na segunda-feira (16), às 10h, em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
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“Nossa proposta de equiparação salarial para as professoras foi protocolada pela Seed e está tramitando no governo. Também estamos em negociação sobre as pautas das funcionárias, das aposentadas e sobre a data-base. Mas nós temos pressa, porque as definições políticas precisam ser tomadas dentro dos prazos do calendário eleitoral deste ano. Por isso, as mobilizações precisam continuar, para que resultem na decisão do governador de enviar o projeto de lei, o quanto antes, para aprovação na Alep”, explica a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
Possibilidade de greve
Antes do ato, neste sábado (14) a APP-Sindicato realiza uma assembleia estadual extraordinária on-line para avaliar as ações já realizadas e definir novas estratégias, inclusive a possibilidade de greve, para dar continuidade na pressão ao governo pela campanha salarial deste ano. A assembleia será via plataforma Zoom. Para participar, os(as) educadores(as) precisam se inscrever pelo sistema Minha Sindicalização, disponível no site do sindicato.
“Esta assembleia tem papel fundamental para avaliarmos as movimentações coletivas que realizamos até o momento, mas também para intensificarmos a pressão. Sabemos que o governo tem dinheiro e condições fiscais para atender as reivindicações por justiça salarial para professores, funcionários e aposentados. Por isso, a participação da categoria é essencial para organizarmos os próximos passos da nossa luta, pois a realização de uma greve pode ser medida necessária e isso depende de aprovação prévia em assembleia”, explica a presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto.
>> Inscreva-se na assembleia: www.appsindicato.org.br/minhasind
No centro da pauta, os(as) educadores(as) reivindicam equiparação salarial para os professores(as), ajustes na reforma feita na carreira dos(as) funcionários(as), em 2023, reposição salarial para os(as) educadores(as) aposentados(as) sem paridade e o pagamento da dívida da data-base para todos(as) os(as) servidores(as).
A Campanha Salarial 2026 foi aprovada em assembleia estadual realizada no dia 7 de fevereiro deste ano, no salão social da AABB de Curitiba. A relação completa dos itens da pauta e o calendário de mobilizações podem ser consultados na página especial da campanha, disponível no site do sindicato: appsindicato.org.br/campanha2026 .
Melhor educação do país, mas com os piores salários
Segundo a presidenta da APP-Sindicato, a carreira do magistério do Paraná é a única que ainda não passou por reforma durante a gestão Ratinho Júnior. Por conta disso, o salário dos(as) professores(as) da rede estadual está entre os menores do Brasil. De acordo com levantamento do Movimento Profissão Docente, enquanto um(a) professor(a) com licenciatura, em início de carreira e jornada de 40 horas semanais, recebe salário de R$ 13 mil no estado do Mato Grosso do Sul, no Paraná, o(a) mesmo(a) profissional recebe R$ 4,9 mil.
A desigualdade também ocorre na comparação dentro do próprio governo do Paraná. Enquanto outros(as) servidores(as) com ensino superior recebem R$ 7,9 mil por mês como salário inicial, a remuneração dos(as) professores(as) no começo da carreira é de R$ 4,9 mil. Ou seja, uma diferença de 37% para trabalhadores(as) com mesma exigência de nível de ensino para ingresso na carreira.
Um grupo de trabalho composto pela APP-Sindicato, Secretaria da Educação, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Administração e Previdência elaboraram uma proposta de correção desta distorção, propondo a equiparação do salário dos professores com a mesma tabela salarial utilizada pelo governo para os(as) Agentes de Execução.
O trabalho foi realizado durante o ano de 2025 considerando também o limite de recursos informado pela administração para viabilizar a reforma e, por isso, sua implantação completa é prevista para ocorrer em quatro etapas distribuídas em três anos. O relatório final, com os estudos e a minuta do projeto de lei foi entregue no início deste ano. O documento aguarda decisão do governador Ratinho Jr., que precisa encaminhar o projeto de lei para aprovação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Funcionários(as) de escola
Em 2023, a carreira dos funcionários de escola passou por reforma, também depois da atuação e proposta elaborada com a participação da APP-Sindicato. Porém, o texto enviado pela administração para votação na Alep alterou trechos da proposta defendida pelo sindicato, provocando distorções da tabela e a necessidade de equiparação salarial com a tabela dos(as) demais servidores(as) do Estado.
Salários fixados na tabela do(a) Agente Educacional II ficaram menores que da tabela dos(as) servidores(as) dos demais quadros do Executivo. O enquadramento à nova tabela ocorreu sem considerar o tempo de serviço trabalhado nas escolas na mesma classe, o que não ocorreu com as demais categorias.
Aposentados(as) foram esquecidos(as) pelo governo
Para os(as) aposentados(as), as reivindicações incluem a fixação do desconto previdenciário somente para as(os) aposentadas(os) acima do teto do INSS (R$ 8.475,54) e que os avanços salariais sejam aplicados também aos(às) que não possuem paridade e a aprovação de uma lei estadual que garanta a correção salarial anual às(aos) aposentadas(os) sem paridade.
Walkiria explica que sem paridade é o(a) servidor(a) público(a) aposentado que, em decorrência de reformas na legislação previdenciária, não tem direito de receber os mesmos reajustes salariais concedidos aos(às) servidores(as) da ativa.
“Para isso, precisamos que as(os) deputadas(os) estaduais aprovem uma lei específica que garanta a recomposição salarial das(os) que se aposentaram ou se aposentarão sem paridade, garantindo reposições, mesmo quando um governo, como o de Ratinho Junior, decide não pagar a data-base ou não aplicar a mesma correção aplicada às(aos) ativas(os)”, relata a dirigente.
Data-base ato do FES na terça (17)
Ainda na centralidade da pauta, a APP-Sindicato pede o pagamento da reposição anual das perdas da inflação. O índice reivindicado neste ano é de 12,84%, referente à dívida acumulada de agosto de 2023 a abril de 2025.
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A reposição salarial do funcionalismo também é uma das reivindicações do Fórum das Entidades Sindicais (FES), que convocou ato em frente ao Palácio Iguaçu, na terça-feira (17). A mobilização vai cobrar respostas sobre quatro temas prioritários.
Estão na lista, além do pagamento da data-base, a reposição para os(as) aposentados(as) sem paridade, reestruturação da tabela dos(as) Agente de Apoio e o descongelamento de quinquênios e anuênios.
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