APP-Sindicato completa 71 anos de unidade e lutas pela educação pública do Paraná

APP-Sindicato completa 71 anos de unidade e lutas pela educação pública do Paraná


A APP-Sindicato completa 71 anos na próxima quinta-feira (26), uma história marcada pela resistência e conquistas fundamentais na defesa intransigente da educação pública e de qualidade para todos e todas. Pautada sempre pela unidade da categoria, essa trajetória tem construído a luta diária pelos direitos dos(as) educadores(as) do Paraná e dado sua contribuição para uma sociedade com mais igualdade para todos e todas. No ritmo das memórias, vamos ao longo dessa semana recordar as principais conquistas dos professores(as) e funcionários(as), celebrar o aniversário da APP, refletir sobre o futuro da educação e o fortalecimento da categoria através do sindicato.

No caminho que percorre essa história, é inegável reconhecer que união tem sido a força que impulsiona a construção, as conquistas e a ampliação de serviços aos sindicalizados. Ao completar 71 anos, a APP não é apenas um sindicato forte e comprometido com sua categoria, é também um patrimônio de todos(as) os(as) trabalhadores(as) da educação pública do Paraná e daqueles(as) que acreditam que um amanhã melhor só é possível com a valorização da classe trabalhadora e através de uma educação emancipatória e com qualidade social para todos e todas.

Com 29 núcleos cobrindo todas as regiões do estado, a APP representa professores(as), pedagogos(as) e funcionários(as) de escola, da rede pública estadual do Paraná, e da rede municipal onde não há sindicatos próprios. Além da direção estadual, o sindicato conta com 18 secretarias e atividades e organismos como assembleias, congressos, conferência e conselhos que garantem uma gestão democrática e participativa do sindicato e das decisões em prol dos direitos da categoria.

História

A APP foi criada no dia 26 de abril de 1947 por professores(as) do Colégio Estadual e Instituto de Educação do Paraná, em Curitiba. O momento político era de redemocratização do país e os(as) trabalhadores(as) não tinham direito de expressão e organização, por isso não era chamada de sindicato, mas de Associação dos Professores do Paraná.

O nome APP-Sindicato – Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná só passou a ser adotado em 1997, ano em que ocorreu importante unificação sindical entre professores(as) funcionários(as), esses que eram representados(as) pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação Pública do Paraná (Sinte/PR).

Recordando outros acontecimentos dessa bonita história construída por muitas mãos, na década entre 1947 e 1957 os(as) professores(as) realizaram, em 1949, um abaixo-assinado com mais de três mil assinaturas reivindicando ao governador um plano de carreira. No mesmo ano, uma passeata, a primeira manifestação pública da categoria, reuniu cerca de 1500 educadores(as).

Entre 1957 e 1967 houve a inauguração da Casa do(a) Trabalhador(a) em Educação, em 1959. Neste período também aconteceu a primeira greve, em 1963, chamada de operação Tartaruga, que terminou com a conquista de gratificação para professoras primárias sem habilitação e regentes e para normalistas.

Na década seguinte, entre 1967 e 1977, aconteceu a segunda greve, chamada de “Congresso do Magistério” para escapar da repressão, em 1968. O governo prometeu implantar um plano de carreira, mas não cumpriu e a categoria ocupou o prédio da Assembleia Legislativa por 24 horas. Este período também foi marcado por conquistas como a realização do 1º Encontro de Professores Estaduais, em 1971, e a implantação dos primeiros núcleos sindicais, em 1972.

No período entre 1977 e 1987, três greves mobilizaram a categoria. Mesmo diante das ameaças de prisão, em 1978 a APP adere ao movimento de greves que eclodiu no Brasil. Em 1981 ocorre a quinta greve. Mais uma greve por salários se dá em 1986. O movimento terminou após acordo em torno do piso de três salários mínimos.

Na década seguinte, entre 1987 e 1997, destaque para um dos acontecimentos mais lamentáveis da história política do estado, o 30 de agosto de 1988, data em que o então governador Álvaro Dias manda reprimir com violência um protesto da categoria no Centro Cívico, jogando a cavalaria sobre os(as) manifestantes.

Entre 1997 e 2007, mais um período de grandes embates. Em 1988 a APP travou uma luta contra as investidas do governo Lerner. Professores(as) e funcionários(as) realizaram greve de fome e no ano seguinte o governo recuou. Em 1999, após ocupação da Secretaria de Administração, os funcionários(as) conquistaram vale-transporte e implantação do vale-alimentação. Entre maio e junho de 2000 uma grande greve terminou com várias conquistas. Outra greve, em setembro de 2001, enterrou o projeto de lei que transformava os(as) professores(as) estatutários(as) em celetistas.

A última década da história da APP até aqui, entre 2007 e 2017, começou com a conquista de reajuste salarial, a construção do plano de carreira dos(as) funcionários(as), a proposta de criação do cargo de 40 horas e também o PDE vinculado a carreira do magistério. Já no fim do período, em 2015, o governador Beto Richa envia para a Assembleia um pacote de medidas que atacam todo o funcionalismo, em especial os(as) educadores(as), decretando o fim dos planos de carreira e da previdência. No mesmo ano a história política do Paraná é manchada com mais lamentável acontecimento. No dia 29 de abril de 2015, forças militares sob o comando do governador, reprimiram os(as) manifestantes em defesa da Previdência Estadual com bala de borracha, bombas atiradas de helicópteros e gás lacrimogêneo, deixando mais de 200 feridos.

Neste movimento de resistência, lutas e conquistas, a APP-Sindicato segue firme e forte protagonizando ações e propostas importantes de interesse dos(as) professores(as) e funcionários(as) de escola, da ativa e aposentados, solidária aos demais trabalhadores, pois acredita que unida a categoria avança e que nenhuma forma de opressão é mais forte do que o sonho de uma sociedade igualitária para todos e todas.

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