A APP-Sindicato recebeu nos últimos dias denúncias de que várias escolas da rede estadual de ensino, em Curitiba e no interior, têm enfrentado estoque baixo e até desabastecimento de itens da alimentação escolar, incluindo proteínas. Em resposta à gravidade dos relatos, a direção estadual do sindicato determinou a cobrança de explicações do governo Ratinho Jr. e a solução dos problemas.
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A situação ganhou grande repercussão após estudantes do Colégio Estadual Roberto Langer Júnior, de Curitiba, postarem um vídeo na internet mostrando os freezers da escola vazios e a despensa com poucos alimentos. Além da capital, há relatos de escolas de São José dos Pinhais, Londrina e Sabáudia com o mesmo problema.
Além de cobrar a Secretaria da Educação (Seed), a direção da APP-Sindicato vai encaminhar as denúncias para fiscalização e providências por parte do Conselho Estadual de Alimentação Escolar. O entendimento é de que a situação é grave, uma vez que coloca em risco a aplicação correta do programa de alimentação escolar e pode gerar consequências negativas para a aprendizagem dos(as) estudantes.
Mobilização
De acordo com as informações apuradas por representantes regionais da APP-Sindicato, após a repercussão do vídeo feito por estudantes do Colégio Roberto Langer Júnior, a chefia do Núcleo Regional de Educação (NRE) teria pressionado o diretor da unidade a renunciar ao cargo para o qual foi eleito pela comunidade. Após a renúncia, os(as) estudantes realizaram um protesto em defesa do educador, cobrando que o NRE solucionasse a situação.
O caso também chamou a atenção de parlamentares, tanto em nível municipal quanto estadual. A deputada estadual Ana Júlia (PT) denunciou a situação na sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), realizada nesta segunda-feira (8).
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Em seu discurso, a parlamentar apontou que a realidade das escolas é diferente das propagandas do governo de Ratinho Jr. “É um problema sistêmico, não é só do Colégio Roberto Langer”, reforçou a deputada. Já a vereadora de Curitiba, Camila Gonda (PSB), apontou que a alimentação escolar não se trata apenas de comida, mas de permanência na escola, aprendizagem e dignidade.
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NRE sabia dos problemas
Segundo um relatório produzido pelo Colégio Roberto Langer Júnior, que a APP-Sindicato teve acesso, a gestão do governo Ratinho Jr. tinha conhecimento sobre o problema no Colégio Roberto Langer Júnior e outros atendidos pelo mesmo NRE muito antes da polêmica do vídeo. Imagens de conversas em um grupo de Whatsapp mostram vários colégios relatando falta de produtos.

De acordo com o documento, relatório produzido pela própria equipe técnica do NRE “constitui elemento relevante para afastar a hipótese de que a situação tenha sido causada por falha operacional da escola”. A direção escolar afirma que possui registros documentais demonstrando diversas solicitações de reposição de alimentos encaminhadas aos responsáveis pelo abastecimento.

Uma das imagens mostra também que no dia 4 de maio foi enviada mensagem ao NRE pedindo socorro. A conversa mostra fotos dos freezers e das prateleiras do Colégio Roberto Langer Júnior vazias. “Bom dia. Ajude-nos”, dizia o texto. “Bom dia! Desculpa não atendê-los. Estou aplicando prova o dia todo nas escolas parceiras. Hoje e amanhã. Responderei assim que possível”, foi a resposta recebida pela escola.
Ainda de acordo com as informações do documento, o colégio atende 1.363 alunos(as) e, no mês de maio, registrou uma média de 563 refeições diárias. Considerando um mês de 20 dias letivos, a necessidade mensal estimada é de 900,8 kg de proteína, no entanto, a quantidade recebida foi de apenas 285 kg. Essa discrepância revela um déficit de 615,8 kg de proteína, evidenciando que o repasse não supre o planejamento nutricional necessário para o atendimento dos(as) estudantes.
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