APP reforça importância de fortalecer políticas educacionais de combate à discriminação racial APP-Sindicato

APP reforça importância de fortalecer políticas educacionais de combate à discriminação racial

Instituído pela ONU, o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial incorpora no calendário, mais uma data de luta por uma sociedade igualitária

Foto: QUEM TV / APP-Sindicato

Celebrado nesta quinta-feira (21), o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial joga luz na necessidade da união dos países pela redução das desigualdades e violências raciais, ainda latentes em todo o globo.

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A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, em memória ao massacre de Shapeville, em Johanesburg, na África do Sul, em 1960. No fatídico dia, 20 mil negros protestavam contra uma lei que limitava os lugares por onde eles podiam circular. A manifestação era pacífica, mas tropas do Exército atiraram contra a multidão. 69 pessoas morreram e outras 186 ficaram feridas.

Embora pareça algo longe de nossa realidade, é importante se atentar aos dados que expõem o genocídio negro em curso no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, das 47.508 mortes violentas ocorridas em 2022, 76,5% dos mortos eram negros. Já e relação a intervenções policiais, jovens negros chegam a 83,1% das vítimas.

Além da violência, a população negra brasileira está exposta a maior vulnerabilidade social. Números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD)-Educação 2022, divulgada em junho do ano passado pelo IBGE, mostram que, apesar do analfabetismo entre pessoas negras ter registrado uma queda, a desigualdade na falta de instrução escolar básica ainda é expressiva neste grupo quando comparada às pessoas brancas.

Segundo o levantamento, o percentual de pretos(as) e pardos(as) analfabetos(as) com 15 anos ou mais é de 7,4%. O número é mais que o dobro em relação aos brancos na mesma faixa etária, com 3,4%. 

A pesquisa também revela desigualdade no tempo de estudo. Entre pessoas com 25 anos ou mais, a média geral foi de 9,9 anos. As pessoas brancas aparecem com maior tempo de permanência na escola 10,8 anos, diante de 9,1 anos de pretos(as) e pardos(as).

A secretária de Promoção da Igualdade Racial e Combate ao Racismo da APP-Sindicato, Celina Wotcoski, a data 21 de março é mais um dia para reconhecer as batalhas enfrentadas ao longo da história.

“Qualquer forma de preconceito nas relações sociais humanas prejudicam o desenvolvimento de uma sociedade justa, democrática e igualitária. Nós da APP, procuramos estar nas escolas conversando com educadores, alunos para que possamos começar na escola a mudança que nossa sociedade precisa”, conta Celina

Celina enfatiza ainda que é necessário aprofundar o debate sobre a questão racial, não somente nas datas celebrativas, mas todos os dias. “Dentro da nossa categoria temos que ter o debate para eliminar de fato a discriminação, seja ela qualquer tipo de discriminação”.


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